domingo, 24 de agosto de 2008

Papa-figo: Um filé de filme

Tive o privilégio de assistir a uma das exibições do filme “Papa-figo”, no Teatro João Lyra Filho. O longa é a mais recente produção do professor Menelau Júnior. Incrível como ele conseguiu reunir alunos e professores e, por meio de uma produção independente, produzir algo tão fascinante. O filme “ressuscita” a lenda urbana do psicopata que se alimenta do fígado de crianças. Inicia mostrando o caso fictício do assassinato de uma menina na cidade de Sairé-PE, há 30 anos. O irmão da vítima (interpretado pelo professor Veridiano Santos) torna-se investigador, em uma busca incontrolável para se vingar do homicida. Entretanto, ele necessitará da ajuda de uma adolescente, vivenciada pela jovem Renata Danyella. A atriz é um “filé” (no bom sentido, claro). De momentos de intimismo e reflexão a momentos de luta corporal, passando por cenas de romance, a beldade mostrou talento e versatilidade. Com esses comentários, quero registrar a minha felicidade em testemunhar o nascimento de uma grande estrela.
A edição foi profícua, mesclando as imagens com a trilha sonora (dirigida por Elias Guinho). Desta forma, o ritmo da ficção tornou-se agradável, com conflitos envolventes e desfecho inesperado. Além disso, o filme está recheado de conceitos e mensagens saudáveis. O amor adolescente associado ao compromisso ganha espaço em uma sociedade na qual muitos ensinam os jovens a “ficar”. A importância da família na formação do caráter também coadjuva na trama, podendo levar à reflexão acerca dos novos moldes familiares e suas conseqüências. O hábito da leitura figura como algo prazeroso e imprescindível, contrapondo-se à cultura da aversão ao saber, instituída pela mídia massificada que tenta vendar os olhos juvenis. Enfim, mais do que divertir, o “Papa-figo” alfabetiza visualmente e alarga o senso crítico dos espectadores. Fiquei feliz ao perceber que o teatro estava lotado de adolescentes. Percebi que não é verdadeira a afirmação de que os nossos jovens apenas apreciam pornofonias, sensualidade e baixo conteúdo. Lembrei-me daquele velho exemplo de Ariano Suassuna: “dizem que cachorro só gosta de osso, contudo apenas dão osso para o cachorro comer! Se derem filé, vão perceber que cachorro também gosta de filé”. “Papa-figo” é, na verdade, um pedaço grandioso de filé cultural, assado nas chamas do fogareiro da Capital do Agreste. Parabéns, Professor Menelau! E vá temperando outro pedaço de filé para o próximo ano, que Caruaru aguarda e a juventude precisa…

sábado, 16 de agosto de 2008

Ela

Foi-não-foi, me pego pensando nela. Na verdade, penso nela todo instante – é que só percebo que é nela que estou pensando de vez em quando… Recordo-me da primeira vez que a vi… Ela refletia um brilho especial… Pode parecer piegas, mas é verdade! A partir daquele instante, ela “seqüestrou” meus olhos de tal forma que eu não conseguia olhar mais para nada, só para ela. Mais do que isso: quando voltei para casa, não consegui dormir, pois minha mente eternizou os poucos segundos que eu havia compartilhado com ela…
Aos poucos, ela foi “seqüestrando” mais do que simplesmente os meus olhos. Minto. Não seqüestrou. Eu lhe dei. Sim! Ela não me pediu, acho que até nem queria que eu tivesse lhe dado, mas… Eu lhe entreguei meus olhos, meus pensamentos, meu coração… O meu melhor momento de cada dia é dedicado a ela. Não precisa acontecer nada, só basta vê-la…
Que há de tão interessante nela? Não sei! É um mistério… Sabe… Às vezes, eu nem sei o que gostaria de ouvir, mas gosto do que ela me diz… Às vezes, eu não consigo sorrir durante o dia – nem mesmo por um milésimo de segundo. Entretanto, basta estar ao lado dela que meus lábios se abrem – e a vida se torna linda… Quando ela parte, volto a sentir as dores do meu coração – partido por causa das não-sei-quantas pancadas que sofreu (mas, mesmo assim, sobrevive…)
Eu sei que ela não sabe o que eu sinto, mas de vez em quando eu sinto que ela sente que eu sinto; embora ela não sinta o mesmo que eu sinto… Quer dizer, às vezes eu até sinto que ela sente, mas acho que essa sensação é muito mais desejo meu do que realidade… Tenho consciência de que aquele brilho especial que emana dela, ao qual me referi no início do texto, é outorgado a outro homem, um felizardo que nem sei se consegue mensurar o tamanho da benesse que possui…
Mas, mesmo assim, estou feliz. Estou feliz por poder, ao menos de vez em quando, dividir um pouquinho da minha vida com a vida dela. Dessa forma, sou iluminado por resquícios do fulgor que ela irradia. Minha vida torna-se um pouquinho mais saborosa ao lado dela, mesmo sabendo que não terei uma vida inteira ao seu lado, sei que ela estará dentro de mim a vida inteira – pois ela é responsável por muita coisa boa em minha vida. Somente o fato de conhecê-la me impele a ser uma pessoa melhor. Busco melhorar a mim mesmo cada vez que penso nela… E penso tanto que, se fosse escrever tudo o que penso, nem todos os pensamentos poderiam ser convertidos em palavras, nem todas as palavras expressivas que eu utilizasse seriam capazes de expressar o que eu gostaria…
Ela é um anjo.

Autor: Jénerson Alves

domingo, 3 de agosto de 2008

TU QUOQUE

“Você também”. É esse o significado do termo latino que intitula este artigo. Refere-se a uma estratégia de debate embasada em rebater uma crítica com um ataque pessoal ao oponente. Desta forma, apresenta-se a contradição entre a pregação e o testemunho do opositor. Em outras palavras, é um “cala a boca, que tu também estás errado!”. Nestes tempos de campanhas políticas, é comum esse tipo de argumentação figurar – tanto nos discursos, quanto nos comícios e nos debates. Entretanto, temos de perceber que a utilização desse recurso pelos candidatos tem somente um objetivo: tirar a credibilidade do rival. Mas, atentemos para o fato de que, quando utilizado, o “tu quoque” faz com que o foco do debate seja desviado. Ao invés de discutir-se o tema levantado, passa-se a questionar a ética e a moral dos envolvidos.
Em Caruaru, a campanha eleitoral – ainda – está “morna”. Ou seja, os candidatos não estão “trocando farpas” entre si. Nosso desejo é que esse tom perdure até o dia 5 de outubro. Afinal, não há mais lugar para baixaria nas campanhas eleitorais. As pessoas estão cansadas de ouvir trocas de acusações e briguinhas repugnantes nos horários políticos. Tais comportamentos só contribuem para aumentar a apatia diante dos problemas que maculam nossa sociedade. Queremos uma campanha limpa, na qual os aspirantes a cargos públicos exponham suas idéias para melhorias reais e concretas no nosso cotidiano. Por exemplo, queremos saber o que fará o(a) próximo(a) prefeito(a) e os próximo(as) vereadores(as) no que diz respeito ao caótico trânsito da Capital do Agreste. Queremos saber como ficará a situação de nossas calçadas, que estão sendo invadidas por estabelecimentos comerciais, impossibilitando o pedestre de transitar tranquilamente em vários pontos da cidade. Queremos saber o que será feito com relação ao Rio Ipojuca e à Serra dos Cavalos, visto que a questão ambiental é imprescindível no mundo hodierno. Quais são as propostas no âmbito da saúde, visto que há uma carência de profissionais e de postos de atendimento às comunidades. Queremos saber, também, o que será feito no que concerne à cultura, às artes, ao lazer. Será que teremos de engolir outro “São João” repleto de bandas de plástico? Lembremo-nos que, nestas bandas, “profetas” do absurdo testificam que nossa amada cidade é um prostíbulo e chama as nossas jovens de adjetivos tão torpes que eu jamais conseguiria reproduzir nessas linhas! É bem verdade que nós, crentes em Cristo, não vamos a essas festas “mundanas”, mas é verdade também que, enquanto cidadãos, não podemos permitir que tais acontecimentos odiosos permaneçam.
Há um povo, nesta terra, que não troca seu voto por lentilhas, nem se curva diante das injustiças sociais! Estamos de olho nas propostas, nas idéias e na estrada política dos candidatos. Não nos venham com falsas promessas, nem com projetos faraônicos. Não nos venham, também, querendo usar nossa crença como escada para o poder. Vai o nosso recado, com a licença de Elba Ramalho: “Eles pensam que nosso povo é besta, mas nosso povo não é besta, não!”. É isso...

Jénerson Alves

Postagens relacionadas:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...