domingo, 3 de agosto de 2008

TU QUOQUE

“Você também”. É esse o significado do termo latino que intitula este artigo. Refere-se a uma estratégia de debate embasada em rebater uma crítica com um ataque pessoal ao oponente. Desta forma, apresenta-se a contradição entre a pregação e o testemunho do opositor. Em outras palavras, é um “cala a boca, que tu também estás errado!”. Nestes tempos de campanhas políticas, é comum esse tipo de argumentação figurar – tanto nos discursos, quanto nos comícios e nos debates. Entretanto, temos de perceber que a utilização desse recurso pelos candidatos tem somente um objetivo: tirar a credibilidade do rival. Mas, atentemos para o fato de que, quando utilizado, o “tu quoque” faz com que o foco do debate seja desviado. Ao invés de discutir-se o tema levantado, passa-se a questionar a ética e a moral dos envolvidos.
Em Caruaru, a campanha eleitoral – ainda – está “morna”. Ou seja, os candidatos não estão “trocando farpas” entre si. Nosso desejo é que esse tom perdure até o dia 5 de outubro. Afinal, não há mais lugar para baixaria nas campanhas eleitorais. As pessoas estão cansadas de ouvir trocas de acusações e briguinhas repugnantes nos horários políticos. Tais comportamentos só contribuem para aumentar a apatia diante dos problemas que maculam nossa sociedade. Queremos uma campanha limpa, na qual os aspirantes a cargos públicos exponham suas idéias para melhorias reais e concretas no nosso cotidiano. Por exemplo, queremos saber o que fará o(a) próximo(a) prefeito(a) e os próximo(as) vereadores(as) no que diz respeito ao caótico trânsito da Capital do Agreste. Queremos saber como ficará a situação de nossas calçadas, que estão sendo invadidas por estabelecimentos comerciais, impossibilitando o pedestre de transitar tranquilamente em vários pontos da cidade. Queremos saber o que será feito com relação ao Rio Ipojuca e à Serra dos Cavalos, visto que a questão ambiental é imprescindível no mundo hodierno. Quais são as propostas no âmbito da saúde, visto que há uma carência de profissionais e de postos de atendimento às comunidades. Queremos saber, também, o que será feito no que concerne à cultura, às artes, ao lazer. Será que teremos de engolir outro “São João” repleto de bandas de plástico? Lembremo-nos que, nestas bandas, “profetas” do absurdo testificam que nossa amada cidade é um prostíbulo e chama as nossas jovens de adjetivos tão torpes que eu jamais conseguiria reproduzir nessas linhas! É bem verdade que nós, crentes em Cristo, não vamos a essas festas “mundanas”, mas é verdade também que, enquanto cidadãos, não podemos permitir que tais acontecimentos odiosos permaneçam.
Há um povo, nesta terra, que não troca seu voto por lentilhas, nem se curva diante das injustiças sociais! Estamos de olho nas propostas, nas idéias e na estrada política dos candidatos. Não nos venham com falsas promessas, nem com projetos faraônicos. Não nos venham, também, querendo usar nossa crença como escada para o poder. Vai o nosso recado, com a licença de Elba Ramalho: “Eles pensam que nosso povo é besta, mas nosso povo não é besta, não!”. É isso...

Jénerson Alves

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