segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Visão sem futuro



Vi seus olhos olhando para o nada
que podia ser visto em todo canto
(se, por dentro, a mulher vertia pranto,
lágrima alguma por fora era mostrada).

A criança nos braços desolada
mas colada às cenas do espanto.
Ambas, duas, cobertas pelo manto
da imane emunah deteriorada.

De Salgado, esta lente da miséria
retratou as agruras da matéria
cuja alma sem alma é sem sabor.

Com a gélida feição de uma lesma
a mulher vê pra ‘ela’ (e pr’ ela mesma)
a premissa promessa do horror.

05-04-2006.

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