sábado, 23 de abril de 2011

Eu sou herege



Sinceramente, me sinto cada vez mais deslocado no ambiente evangélico hodierno. Cada vez mais, percebo que não me encaixo nos padrões religiosos, que minha visão é dissonante e que meus pensamentos não são iguais aos da maioria.
Um dia desses, conversei com uma grande amiga, e compartilhei que me sentia um herege. Na verdade, ela se escandalizou um pouco com a minha declaração. No fundo, no fundo, eu acho que gostaria de voltar a um passado não tão distante, no qual eu cria que os pregadores falavam “usados pelo Espírito Santo”, que as orações resolviam problemas pessoais e que as questiúnculas protestantes (piercings, tatuagem, roupas, músicas “mundanas” e tal) eram temas da mais alta relevância social, pois traduziam verdades espirituais.
Mas não consigo. Não me enquadro nos parâmetros ortodoxos da igreja evangélica contemporânea. Sou um herege. Todavia, vale lembrar que a palavra ‘heresia’ vem do grego, ‘haíresis’, cujo significado literal é 'escolha'. Herege, portanto, é quem escohe aquilo que pode ser feito (embora muitos digam que não seja).
Precisamos entender que quem levanta heresia é aquele que suspeita de quem se diz dono da razão. Assim sendo, sigo um dos maiores hereges da humanidade. Jesus escolheu seguir o caminho estreito, mesmo quando o judaísmo o ensinava a fazer outras coisas.
Ele curou no sábado, mesmo quando não podia.
Ele perdoou os pecadores, a exemplo de Maria Madalena, mesmo quando os religiosos tiravam pedras do coração para matar lentamente.
Hoje eu sou herege, diante de uma igreja apóstata. Prefiro seguir o Caminho de um andarilho que iniciou um movimento com pescadores, não com políticos. Detenho-me na mensagem de um homem que ensinava o amor e o perdão, ao invés dos rigores e rancores. Desejo inspirar-me nAquele que se entregou à Cruz e não se rendeu ao ‘poder’. Quero conectar-me ao Alto. Busco segui-Lo, amá-Lo.
Não me considero digno de nada, não sou representante de nada, não sou ‘poderoso’, não piso em demônios, não curo. Mas creio que Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. E acho que isso basta. A presença dEle faz com que qualquer existência se transforme em Céu...

Por Jénerson Alves
23-04-2011, 0h17

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