domingo, 23 de outubro de 2011

Política e Boatos


Na política que tanto se expande
o boato é quem entra mais em cena,
tem político com mente tão pequena
que somente o nariz se torna grande.
Pois não sabe ser sábio como Gandhi,
como Buda não é iluminado,
com o Messias não é entronizado,
mas é Cão, porque vive a ‘lançar setas’,
parecendo peleja de poetas
quando cantam martelo agalopado.

O boato é conversa de quem mente
ou quem tem uma mente sem ser sã,
dar ouvidos a ele é coisa vã
mas tem quem dê ouvidos totalmente.
Ao invés de fazer andar pra frente,
o boato só leva para trás.
Eu me lembro do que falam meus pais:
“As palavras depois que são faladas,
mais parecem com flechas atiradas:
quando soltas, não há quem prenda mais”.

Isso é uma coisa tão medonha
tem boatos demais se espalhando
os idílios sutis proliferando
não constroem o lugar que a gente sonha.
É preciso que alguém venha e proponha
uma forma melhor de proceder,
com pureza, com classe, com saber,
mas eu vejo o contrário do sonhado,
vejo gente por tudo quanto é lado
falar muito sem ter o que dizer.

Essa fraca política é tão nojenta
que transforma o poder em um lixeiro,
faz o carro do mau andar ligeiro
e o progresso ficar na marcha lenta.
Quem dá vez, dá ouvidos e comenta,
é bom que não dê vez e nem comente,
que adote postura diferente
cure a alma usando santos cromos,
pra colher no porvir os doces pomos
das sementes plantadas no presente.

Texto publicado na Revista Hélio Júnior (Ed. II)

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