segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O que temos a aprender com os maias

Nos últimos dias, não se fala de outro assunto a não ser os supostos prognósticos maias acerca do fim do mundo. Alguns interpretam que no dia 21 de dezembro de 2012 a Terra será palco de enormes cataclismos, como tsunamis, maremotos e até mesmo haverá colisões com cometas e outros planetas.
Não quero entrar no mérito da discussão sobre a data e seus conjecturados eventos. Quem conhece o versículo 36 do capítulo 24 do Evangelho de São Mateus – “Porém daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente o Pai – não se preocupa com esse tipo de discussão.
Outro tipo de análise, portanto, é a minha proposta. Como a visão maia sobre o tempo era cíclica, na verdade a ‘profecia’ marca o início de um novo período. Desta feita, o mundo de materialismo e ódio, a partir de 21 de dezembro, iria passar por um processo de transformação e se tornar mais espiritualizado e amável.
E é aqui onde quero chegar. A necessidade que a própria igreja de Jesus Cristo tem em buscar o que é elevado, espiritual e sublime. “Pensai nas coisas que soa de cima e não nas que são da terra”, já foi dada a exortação paulina em Colossenses 3:2.
O que vemos hoje, infelizmente, é uma igreja cada vez mais materialista, mecanicista, ataviada às efemérides desse mundo. Falta uma procura correta pelo Sagrado, enquanto sobra um desejo desenfreado por ‘poder terreno’. Nessa ânsia desenfreada, são feitos eventos ‘gospel’ que mais servem como mecanismos de manipulação do que de adoração. Igreja deixou de ser comunidade e se tornou caça-níquel.
Os mandamentos estão sendo ignorados. Amar a D-us e ao próximo está perdendo espaço para um amor doentio e fixado por si mesmo. Coloca-se o anseio por vitória como objetivo final da existência. Curas, milagres e bênçãos financeiras são prometidas no atacado, em púlpitos que mais parecem bancos de feira - nos quais os lobos com trajes de pastores enrolam mais do que o ‘homem da cobra’ (talvez a mesma serpente lá de Gênesis 3...).
O desejo de “restituir”, de “precisar de um milagre”, de desejar uma vitória com “sabor de mel” a qualquer custo manifesta um coração ligado a esse mundo transitório. Nisso os maias nos ensinam que esse planeta terá um termo final. O Autor há de interferir na História. O melhor de D-us está por voltar: Aquele que prometeu que fora preparar lugar para a Sua Igreja. Lembro-me das palavras da escritora Ellen G. White: “O gozo do Salvador consiste em ver, no reino da glória, as pessoas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. Os remidos serão participantes de Sua alegria; contemplam os que foram ganhos por intermédio de suas orações, labores e amorável sacrifício. Júbilo lhes encherá o coração ao verem que um ganhou a outros, e estes ainda outros” (O Grande Conflito, p. 360).
Não devemos ir atrás de números, de adeptos religiosos, de plateia, nem de seguidores de dogmas eclesiásticos. Devemos, enquanto Igreja, formar discípulos – pois também somos aprendizes – em amor. Com humildade e zelo, mantermo-nos vigilantes, pedindo a reserva diária de azeite, a fim de que Aquele Dia não nos pegue de surpresa. Que os nossos anseios estejam em consonância com o que vem do Alto.
Jénerson Alves

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jénerson Alves, amigo poeta

Por Paulo Nailson, no Jornal de Caruaru
 
 
Ele é natural de Palmares, mas reside em Caruaru desde 1988. Aprendeu a ler sozinho, aos 4 anos de idade. Seus primeiros versos foram escritos aos 13, participando de festivais e saraus escolares.

 

É autor de vários cordéis e tem dois CDs de poemas declamados – ‘Sementes de Amor’ e ‘Do clássico ao matuto’, este em parceria com Nerisvaldo Alves.

Formou-se em Jornalismo pela Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip) e cursa pós-graduação em Gestão Pública pela Faculdade Educacional da Lapa (Fael). Foi assessor de comunicação do Colégio Interativo de Caruaru. É repórter do Jornal Extra de Pernambuco e professor no Colégio Criativo (Caruaru).Através de poemas e sonetos, o repórter do Extra Jénerson Alves vai além das apurações e notícias. Quem ainda não conhecia o lado poeta do jornalista, terá essa oportunidade através do livro ‘Depois que a chuva passar’.

Integrante da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), Jénerson Alves é um dos poetas populares da região com maior destaque no cenário nacional, inclusive com premiações na área. Apesar de já ter publicado folhetos de cordel, gravado CDs de poesias e participado de coletâneas, esta é a sua primeira publicação em formato de livro. ‘Depois que a chuva passar’ é composto por poemas escritos nos últimos cinco anos. Temas como romantismo, saudade, angústias e inquietações são predominantes na obra literária. “Esse livro contém minhas poesias mais viscerais, escritas como expressão máxima de sentimentos”, destaca o escritor.

Quanto à forma, Jénerson obedece à sistemática da poesia popular, através de gêneros como sextilhas, motes e martelos agalopados. Ele também cultiva estilos como o soneto clássico (formado por dois quartetos e dois tercetos). Entretanto, os versos seguem a melodia rítmica dos cantadores de viola – com a presença da tônica na 3ª, 6ª e 10ª sílaba poética.

Foi o próprio autor quem tomou a frente de todas as etapas de produção da obra, desde a seleção das poesias até a diagramação do livro e concepção da capa, acentuando o teor autoral da peça. No total, são 13 poemas, distribuídos em 32 páginas. “Preferi fazer um livro curto para torná-lo o mais ‘digerível’ possível, com uma leitura fácil e um preço acessível”, ressalta Jénerson.

Publicado de forma independente, o livro tem sido bem visto pelos olhos críticos da classe artística.

Jénerson faz parte desta safra nova de escritores e jornalistas que atuam com vocação e princípios à moda antiga sem perder a contemporaneidade.

 

Exposição do artista João Lin no Sesc Caruaru

O Sesc Caruaru recebe a exposição Melodigramas – grafia parasonora, do artista João Lin. A mostra busca expressar na linguagem gráfica do desenho, a riqueza estética dessa produção.

São apresentados painéis feitos a partir de ilustrações para encartes dos álbuns de músicos pernambucanos. A exposição segue em cartaz na Galeria de Artes Mestre Galdino, de 24 de novembro a 7 de dezembro. A entrada é gratuita.

 

Gonzaga de Pai para Filho

Adélio Lima convidou amigos que trabalharam com ele no MUBAC, Temos muito que agradecer. Foi uma noite linda. Esse foi o primeiro grupo já estamos organizando outro, então temos que registrar nossa gratidão em nome de Severina, Alex e esposa, Socorro, Jerônimo, Adeline e Luciana. Também aos convidados Magda, Iracema e Roger (Bomboniere), Nelson Lima (Fotos), Ana Paula Martins, Fabiola e Jorge Silva, Jorginho, tú é o cara! (esses três ex-MUBAC, sempre MUBAC), José Henrique (DMPT). Rui sales (DESTRA) que patrocinou os ingressos da equipe do MUBAC. A TV Asa Branca pela cobertura jornalística e todos da imprensa que divulgaram, em especial Jénerson alves. A Neto Transportes (vestiu a camisa), Equipe do Cine North Shopping (atenciosos e eficientes, nos trataram com carinho e não mediram esforços em atender ao máximo). No final foi emocionante, o público aplaudiu e ao acender as luzes, percebendo que o Adélio estava presente tornaram a aplaudir e o cumprimentaram “um a um” com abraço e palavras de reconhecimento.

 

 

“A Amizade é um amor que nunca morre” – Mario Quintana

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O estilo “Jénerson” de escrever


Por Ananda Cavalcante, em Mói de Tradição

 

Como identificar um texto de Jénerson Alves? O estilo dele é bem característico, e apesar de inspirar-se em autores regionais populares, Jénerson consegue atingir a sua origiinalidade e passear pelo vocabulário regional em qualquer tema, essa é uma das particularidades dele, poetizar seu regionalismo, trazendo o que há de mais nordestino de forma sutil e leve. Como podemos ver nesse trecho do poema “Manual de instruções”.

 

“Se eu conseguisse encontrar
Teu Manual de Instruções,
Tuas configurações
Iria modificar...
Iria conectar

Tua mão à minha mão[...]”

 

O uso do pronome "teu", é uma das marcas afetivas que ele usa de modo que não deixa o “nordestinês” tão explícito e ao mesmo tempo não foge à raiz. Tem uma forma única de falar do ser humano e dos sentimentos. Em suas escritas vê-se um amante da literatura regional realçando suas palavras de acordo com o seu estilo. Nota-se também uma pessoa religiosa, pois há marcas como “cristãos” e “Deus” exaltados em seus textos.

 

“Não quero fazer da vida
Um futuro do pretérito,
Mas, ao partir, quero o mérito
De uma vida bem vivida.
Quando tremerem meus braços
E eu não puder dar abraços
Na musa dos sonhos meus,
Não quero ficar sem paz,
Mas quero olhar para trás
E dizer “graças a D-us”.

 

Quanto às características estilísticas, podemos ver o próprio regionalismo como uma escolha para a estrutura estilística, a linguagem oscila entre rebuscada e popular fazendo com que os leitores passeiem por duas formas de escrita no mesmo texto. Os traços linguísticos são bem notórios e o cuidado com o social é estampado na maioria dos seus versos, bem como o conhecimento e bom uso do conhecimento jornalístico adquirido.

 

“[...] Lá em São Paulo quem for
Recorda o caso da Zara
Uma empresa escravocrata
Que a mídia não escancara
Pois onde sobra jabá
Falta vergonha na cara.

 

No Maranhão se depara
Gilson Freire de Santana,
(De Açailândia foi prefeito),
Criatura desumana,
Tinha quase vinte escravos
Na sua terra tirana.[...]”

(Gramárica dos Sonhos)

 

 

O uso de termos ou ditados populares faz com que seja quase que obrigatório o uso da linguagem popular, este é um fator que compõe a estilística de Jénerson Alves tornando a leitura prazerosa.

 

“O boato é conversa de quem mente
ou quem tem uma mente sem ser sã,
dar ouvidos a ele é coisa vã
mas tem quem dê ouvidos totalmente.
Ao invés de fazer andar pra frente,
o boato só leva para trás.
Eu me lembro do que falam meus pais:
‘As palavras depois que são faladas,
mais parecem com flechas atiradas:
quando soltas, não há quem prenda mais’”

(Política e Boatos)

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pra voltar pr'o meu planeta...

Às vezes penso
Que não sou desse planeta,
Devo vir de algum cometa
Microcosmo ou coisa assim,
Pois verto pranto
Dos supérfluos sorrisos
E os indignos paraísos
São infernos para mim...

Já não aguento
Toda essa inquietude,
Nem o real me ilude,
Nem em sonho o sonho ocorre
Minhas palavras
Vão ao vento que declaro,
Cabisbaixo apenas paro,
Mas o mundo inteiro corre...

Eu corro os olhos
Num cenário que discorre
E enquanto o povo corre
Fico feito estatueta
Na trave entravo
Entravando nesta trave
Quem me dera achar a nave
Pra voltar pr'o meu planeta...

Jénerson Alves, 24.10.2012, às 15h56

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Manual de Instruções



Se eu conseguisse encontrar 
Teu Manual de Instruções,
Tuas configurações
Iria modificar...
Iria conectar
Tua mão à minha mão,
Pra sentires a emoção
Que o meu coração sente,
E eu viver eternamente
Dentro do teu coração.

Se eu tivesse condição
D
e controlar teu olhar,
Eu te faria mirar
A minha triste visão...
E em vez de dizeres ‘não’
(Palavra que me consome),
Saciarias a fome
Da minha paixão infinda
E a tua voz tão linda
Só falaria o meu nome...

Se há um Manual que dome
O teu gênio impetuoso,
Vou buscá-lo sem repouso
Pois meu desejo não some...
Te ensinaria o pronome
Que precisas aprender,
Que é para o teu eu saber
Que a banda dele sou eu,
Pra todo teu eu ser meu,
Pois já é teu o meu ser.

Se um dia acontecer
De eu, por algum motivo,
O teu cardápio afetivo
Preparar, tu podes crer
Que eu iria oferecer
O pomo puro do amor 
(Cuja essência cura a dor
E elimina as cicatrizes),
Advindo das raízes
Do jardim do Criador.

Se eu tivesse o valor 
De gozar o teu carinho, 
Te levaria ao meu ninho 
Pra perderes o pudor,
Debaixo do cobertor,
Por cima dos devaneios,
Libertaria os anseios
Sem ser vulgar ou ralé, 
Porque o meu corpo é 
Teu parque de mil recreios.

Nós não ficaríamos feios
(Apesar das faces tronchas),
Minhas mãos seriam conchas
Que apalpariam teus seios... 
Os mais sublimes passeios
Sobre o colchão nós faríamos,
Frenéticos flutuaríamos
Em uma louca viagem,
E a ópera do amor selvagem
Nós dois interpretaríamos...

Sim... Bem sei eu que seríamos 
O mais belo dos casais 
E em um palácio de paz 
Para sempre viveríamos... 
Todo momento estaríamos 
Libertos de privações 
E a mais bela das paixões 
Iríamos vivenciar, 
Se eu conseguisse encontrar 
Teu Manual de Instruções...

Jénerson Alves, 05-07-2012, às 23h24.

domingo, 1 de julho de 2012

Meu sonho




Eu sonho que o mundo se torne um imenso jardim,
Que o aroma das flores do amor se espalhe no ar.
Que a orquestra de pássaros entoe um hino sem fim
E a vida se torne um poema pra quem sabe amar.

Eu sonho enxergar arco-íris nos meus horizontes,
E o céu outrora cinzenta cinzento se converta em cores,
Que barrem barreiras e aprontem milhares de pontes,
E os homens projetem projéteis que disparem flores.

Eu sonho que todo esse sonho se torne real,
Ouvindo a canção dos anjos, o Rei me chamar,
Romper os limites do Cosmo com o Pai Divinal
Até um Palácio nas nuvens que eu chame de Lar.

Jénerson Alves, 20-05-2012, às 15h.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É melhor estar sozinho...

Como está se aproximando
O Dia dos Namorados
Vejo por todos os lados
Pessoas se "apaixonando".
Eu paro e fico pensando
Que amor jamais é pesado,
Nem vendido, nem comprado,
Nem nasce com "empurrãozinho",
É melhor estar sozinho
Do que mal acompanhado.

Pra que dizer no setor
Que tem mulher do seu lado
Mas se o peito está fechado
E nele não brota flor?
Pra que fingir ter amor
Por quem não tem se importado?
Estar com uma agarrado
Querendo outra no ninho?
É melhor estar sozinho
Do que mal acompanhado.

É melhor ser mais austero
Do que mentir sem razão.
É melhor dizer um "não"
Que um "sim" sem ser sincero.
É melhor dar nota zero
Que dar boletim errado.
É melhor ser "encalhado"
Que se "enrolar" todinho...
É melhor estar sozinho
Do que mal acompanhado.

Jénerson Alves, 07-06-2012, 23h04

terça-feira, 10 de abril de 2012

Será??

Se eu disser que é em você
que eu penso todo dia...
Você vai dizer o quê?
Sentir tédio ou alegria?

Será que você não sabe
que eu tenho um coração?
E nele, só você cabe,
não cabe mais outra, não...

Vem para perto de mim,
Senta, vamos conversar,
Eu tenho histórias sem fim
Que desejo lhe contar...

Embora seja comum,
não deixe para depois...
Se é para a gente ser um,
Por que é que somos dois?

Jénerson Alves, 10-04-2012, às 22h43

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Entrevista com "Curumim"


Missionário 'Curumim' fala sobre a questão do choque cultural na vida missionária, em entrevista concedida ao jornalista Jénerson Alves durante o 36º Congresso da Juventude Batista do Agreste de Pernambuco, ocorrido em abril de 2012, na cidade de Caruaru.

Entrevista com Diogo Militão



Missionário Diogo Militão conta ao jornalista Jénerson Alves as dificuldades e alegrias vivenciadas por aqueles que se dispõem integralmente a proclamar o Evangelho de Cristo.

A Tua Glória


Participação de integrantes do Grupo de Louvor da Igreja Batista Emanuel em Caruaru (Ibec) no 36º Congresso da Juventude Batistas do Agreste, ocorrido de 5 a 8 de abril de 2012 em Caruaru.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Por aqui, a pedofilia encontra terreno fértil para crescer

Leonardo Sakamoto, jornalista

Que a pedofilia encontra no Brasil um terreno fértil com muitos seguidores, isso é sabido. Imaginem o que seria desta nossa sociedade patriarcal e machista sem as revistas masculinas que transformam moças de 18 anos em meninas de 12?
Afinal de contas, se tem peito e bunda, se tem corpo de mulher, está pronta para o sexo, não é mesmo? E se está pronta para o sexo, por que não ganhar uns trocados para ajudar no orçamento familiar?
Ao julgar o caso de um homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça considerou que ele não cometeu crime porque as meninas já eram prostitutas. “As vítimas (…) já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo. Embora imoral e reprovável a conduta praticada pelo réu, não restaram configurados os tipos penais pelos quais foi denunciado”, afirmava o acórdão.
O STJ considerou o artigo 224 do Código Penal que, na época do ocorrido, considerava que o crime deveria ser cometido mediante violência – já presumível, a bem da verdade, quando se tratava de pessoas com menos de 14 anos. O artigo foi alterado há três anos, deixando mais claro que violência não se faz mais necessária. A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, afirmou que o governo vai buscar tomar medidas judiciais cabíveis.
Essa discussão não é sobre o direito da mulher ao seu corpo (que deveria ser inquestionável e protegido contra qualquer tipo de idiotice), mas de defender que crianças e adolescentes não sejam abocanhados pelo mercado do sexo. Não estou discutindo o sexo dos adolescentes, mas sim o seu uso comercial. Muito menos a legalidade da prostituição (e enquanto se discutia isso, mulheres que trabalhavam pesado a vida inteira sofreram na velhice, desamparadas e desassistidas). Estamos falando de meninas de 12 anos que podem até não ter sido empurradas para essa condição por pressão familiar, mas sofreram influência externa sobre sua sexualidade – da TV, dos amigos, de vizinhos, de ofertas irrecusáveis de bens materiais ou dinheiro, que atiçaram desejos ou fantasias sobre si mesmas e o mundo.
Por isso, a decisão de entrar no mercado de sexo antes de determinada idade não é individual e não pode ser. O Estado e a sociedade vão tutelar essa criança até que ela tenha maturidade para tanto. E quando isso ocorre? A idade de 14 anos para estupro presumível em caso de relações sexuais é um referencial. Bem como o trabalho a partir dos 14 (no caso de aprendiz) também o é. Mas é um referencial imporante. É uma marca que garante um certo número de anos para os mais jovens se desenvolverem, sendo protegidos, antes de cair na selva. Nos separa, portanto, da barbárie de ter que lutar pela sobrevivência desde cedo.
É claro que o tipo de pessoa que enxerga apenas a parte externa ignora um processo de formação interna da jovem ou do jovem, que é irremediavelmente prejudicado quando ele é despido de sua dignidade.
Nunca vou esquecer a patética intervenção do nobre vereador paulistano Agnaldo Timóteo a favor da exploração sexual juvenil há cinco anos. Em um discurso na Câmara, ele disse que o visitante que vem ao país atrás de sexo não pode ser considerado criminoso. “Ninguém nega a beleza da mulher brasileira. Hoje as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem uma saia curta e provocam. Aí vem o cara, se encanta, vai ao motel, transa e vai preso? Ninguém foi lá à força. A moça tem consciência do que faz”, declarou. “O cara (turista) não sabe por que ela está lá. Ele não é criminoso, tem bom gosto.” Para Timóteo, há “demagogia e frescura”.
E isso porque o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a exploração sexual comercial de adolescentes até 18 anos.
Seguindo a linha de raciocínio, poderíamos legalizar uma série de situações em que há um descompasso entre a lei e a realidade. Deixaríamos de ter, em um passe de mágica, a prostituição infanto-juvenil, o trabalho escravo, o tráfico de seres humanos, fora preconceitos de raça, credo e classe. É só jogar por terra conquistas sociais obtidas na base do sangue e suor de gerações.
Em bom português, o que se propõe é o seguinte: já que o Estado e a sociedade são incompetentes para impedir que seus filhos e filhas dediquem sua infância aos estudos e ao desenvolvimento pessoal, vamos aceitar isso e legalizar o trabalho de crianças de 12 anos, incluindo aí a prostituicão infantil. Por que o trabalho forma o cidadão.  ”O trabalho liberta”, como diria a frase na porta do campo de concentração de Auschwitz.
Em 2009, o STJ também havia afirmado que não há exploração sexual contra uma criança ou adolescente quando o cliente é ocasional. A corte manteve decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que rejeitou acusação de exploração sexual de menores por entender que cliente ou usuário de serviço oferecido por prostituta não se enquadra em crimes contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Dois réus contrataram serviços sexuais de três garotas de programa que estavam em um ponto de ônibus, mediante o pagamento de R$ 80 para duas adolescentes e R$ 60 para uma outra. O programa foi realizado em um motel. O TJMS absolveu os réus do crime de exploração sexual de menores por considerar que as adolescentes já eram prostitutas. E ressaltou que haveria responsabilidade grave caso fossem eles quem tivesse iniciado as atividades de prostituição das vítimas.
Alguns vão dizer que é uma questão técnica, de interpretação – como se o conhecimento da realidade e a subjetividade não influenciassem nessas decisões. Enfim, pimenta nos olhos das filhas dos outros é refresco.
Passando o município maranhense de Estreito, cruzando-se a ponte sobre o rio Tocantins e entrando no estado homônimo, há um posto de combustível. Entre bombas de combustível e caminhões estacionados, meninas baixinhas oferecem programas. Entram na boléia por menos de R$ 30, deixando a inocência do lado de fora.
Prostituição infantil não é novidade. E nem é vinculada apenas a uma classe social: há denúncias e mais denúncias de políticos e empresários que alugam barcos e hotéis para consumir as crianças que compraram. Ou festas regadas a uísque nas grandes cidades. Mas é ruim quando a gente se depara com isso. Ver meninas que deveriam estar estudando para uma prova de sexta série vender seus corpos e encararem isso como parte da vida dá um misto de raiva e sensação de impotência.
Anos atrás, não muito longe dali, no Pará, me apontaram bordéis onde se podia encontrar por um preço barato “putas com idade de vaca velha”. Ou seja, 12 anos.
“Ah, mas tem menina que gosta.”
E, por trás desta justificativa, muito homem que gosta ainda mais.

Imagem copiada daqui

domingo, 25 de março de 2012

Atitude



Voei célere aos páramos da pureza
Fiquei ébrio de graça e de virtude,
Pra falar sobre o tema ‘Atitude’
Vi a lâmpada da fé ficar acesa.
Pois um age com amor e com destreza,
Outro age com ódio e sem pensar,
Um que vive em boteco e lupanar,
Entre néscios, nefastos e ateus,
Outro busca escutar a voz de D-us
Lhe dizendo onde deve caminhar.

Há quem pense somente em enricar,
E um baú com tesouros escondido,
Entretanto no mundo é afligido
E vê o ímpio cruel a prosperar...
Desta feita, começa a questionar
As virtudes do trono divinal,
Mas quem busca só bem material,
Tem um fim consumido por terrores,
Só vislumbra os espinhos, não as flores,
Passa a agir igualmente a um animal.

O cristão tem de ter outro ideal
E seguir o exemplo de Jesus,
Que humilhou-Se e morreu em uma cruz
Quando esteve no clima terreal.
Hoje está no Palácio Divinal
E o Seu nome é maior entre os demais
Pôs um fim às ações do Satanás
Trouxe luz para um mundo sem tem cor,
Toda língua dirá que Ele é Senhor
Para a glória de D-us, o Pai dos pais.



Atitudes bonitas dos pardais,
Passarinhos de vida sã, dinâmica,
Formam pares de ordem monogâmica,
Se alimentam de grãos e cereais,
Sabem todas as notas musicais,
Quando cantam, só cantam muito bem,
Pelos ocos das árvores se mantêm,
Porém temem corujas e falcões,
Mesmo assim seguem em todas direções,
Não desejam maldade pra ninguém.

Cururu é um sapo que contém
A feiura maior da natureza,
Não possui nem um pingo de beleza
Mas não ‘chia’, nem fala que é refém.
Um esmalte não passa, unha não tem,
Sua esposa não tem sequer batom,
Boticário, Natura, nem Avon,
Vive em lagos, são úmidos, mas é brando
E na hora que fica coaxando,
É dizendo pr’o mundo: “D-us é Bom!’

Urubu nunca vai ao Papillon,
Vê carniça, mas come igual banquete,
Lagartixa visita um palacete,
E vai ao lar do campônio achando bom.
A cigarra a cantar, procura o tom,
A formiga trabalha com pureza,
A aranha faz teia, caça a presa,
A burguesa a cantar, fica feliz,
Quem vê isso, analisa, pensa e diz:
‘Quanto é grande o Autor da Natureza!’



Admiro é a força da tigresa,
Mesmo forte, não mata por vingança...
A barata faz medo, mas é mansa,
A galinha detesta safadeza...
Toda garça parece uma princesa,
Quando voa não usa poluente,
Vaga-lume tem luz sem ter corrente,
O jumento trabalha e tem voz boa,
Não tem obra de D-us vivendo à toa,
Se Ele ama os bichinhos, quanto mais gente?

Eu desejo demais ser bem mais crente,
Ler a Bíblia, honrá-Lo, me humilhar,
Ser sincero e orar, me derramar,
Não ser morno, mas ser um crente quente...
Declarar que Ele é Onipotente
Ser escravo das grades do Amor,
Amar todo meu próximo, honrar a flor,
E no mar do sorriso submerso
Demonstrar para todo o Universo
Atitudes de servo do Senhor.

Jénerson Alves 

Poema recitado na Reunião de Jovens da Igreja Apostólica Shekná, em Caruaru-PE (24-03-2012)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um caso de milenarismo negro “protestante” no Brasil Império

Robinson Cavalcanti
O período do Primeiro Reinado, Regência e início do Segundo Reinado (“maioridade”) foi bastante conturbado por episódios de revoltas regionais e étnicas ou de caráter liberal e republicano, em destaque, no Nordeste, a Insurreição Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824) e a Revolução Praieira (1848).
Desde a Colônia que tivemos episódios milenaristas/quiliáticos no catolicismo popular, cuja raiz está no próprio sebastianismo português (o “retorno das águas” de Dom Sebastião, morto na batalha de Alcácer-Quibir), com pretensos messias e instauração de reinos celestiais na terra. Fenômeno que continuou na República com o Canudos de Antônio Conselheiro, e teve até um episódio protestante entre luteranos do sul, com os Muckers de Jacobina Maurer.
Naquele tempo os negros, em sua religiosidade, oscilavam entre a assimilação católica de Irmandades, como a de Nossa Senhora dos Pretos ou São Benedito, e a preservação dos cultos animistas de fundo africano. O protestantismo de imigração ou as capelanias britânicas não ameaçavam o sistema, conquanto o próprio Regente Padre Feijó advogasse para o Brasil um catolicismo reformado nacional, semelhante ao Anglicanismo. É nesse contexto que o Recife conheceu um movimento único, que foi o liderado pelo negro livre Antônio José Pereira, a partir de 1841.
Ele fora alfabetizado pela senhora de sua mãe, uma escrava doméstica, servira na Milícia (força policial auxiliar), inclusive em outras Províncias do Império, alcançando a patente de oficial. Sua Bíblia pode ter sido uma edição católica ou uma edição protestante deixada pelos escassos colportores das Sociedades Bíblicas estrangeiras que passaram brevemente por Pernambuco naquela época.
Vale lembrar que um pastor norte-americano havia distribuído 50 Bíblias em 1823 e um colportor havia deixado um caixote de Bíblias em 1833.  Em 1822, com um batismo realizado pelo Rev. John Penny, foi criada a capelania anglicana do Recife, que inauguraria o seu templo da Rua da Aurora em 1839. Antônio, ao estudá-la, havia sublinhado todas as passagens que falavam da intervenção libertadora de Deus em favor dos oprimidos, e as relacionava com a situação da raça negra, que considerava, no contexto do Brasil, moralmente superior a dos brancos, maculada pela prática da escravidão.
Pregou a dignidade da raça negra, o livre exame da Bíblia por todos os fiéis, inclusive pelas mulheres, que alfabetizou, e que constituíam a maioria dos seus cerca de 300 seguidores (mais um número, não preciso, de simpatizantes).
Antônio, que era tratado por sua comunidade como “Divino Mestre” se considerava um cristão ortodoxo em relação às doutrinas credais, mais denunciava a Igreja Romana, como desviada e o padroado (status de religião oficial tendo o Imperador como Grão-Chanceler da Ordem de Cristo), e atacava a veneração das imagens, centrando a fé em Jesus Cristo.
O historiador Marcus Carvalho (CFCH-UFPE), um dos poucos a pesquisar o tema, o considerava um “pastor negro”, e via, em seu movimento, as marcas do Protestantismo. A dimensão milenarista ficava por conta da crença que a esposa do “Divino Metre” se mantinha grávida por quatro anos, e que o fruto desse ventre teria uma identidade sagrada, e, quando do seu nascimento, instauraria um reino messiânico.
O sistema imperial, tenso com as revoltas regionais, novos quilombos (como o de Catucá), movimentos milenaristas, a celebração a Independência do Haiti, e a memória da “Revolta dos Malês” (negros muçulmanos), na Bahia, hierárquica, patriarcal e escravista, temia e reprimia qualquer movimento autônomo na sociedade civil, especialmente vindo dos negros, e negros que sabiam ler, e de mulheres, que, fossem negras ou brancas não tinham status de cidadania.
Tudo isso se constituía em uma potencial ameaça para a ordem estabelecida. O que não tardou na prisão, em 1846, de Antônio José Pereira, e seis dos seus seguidores. Dada a importância que atribuíam ao potencial de revolta ou abolicionista da seita, os detidos não foram ouvidos pelo juiz de paz, ou pelo juiz de direito, mas, diretamente pela segunda instância formada pelos Desembargadores  do Tribunal de Relação da Província de Pernambuco.
O advogado do “Divino Mestre”, o liberal radical e emancipacionista Borges da Fonseca, editor de um temido jornal local, que defendeu a sua libertação baseado em que sendo um movimento pacífico, que, ao pregar o que consideravam ser “o verdadeiro cristianismo”, ou “a lei de Jesus”, poderia ser apenas acusado de“cismático”, mas que cisma não era crime pelas leis do império, haja vista a presença dos imigrantes e das capelanias inglesas.
Os líderes da seita “protestante negra” foram mantidos presos por cerca de um ano, voltando, depois, a se reunir e a pregar em praça pública, onde a população pobre, inclusive negra (católica ou do candomblé), instigada pelas autoridades, os atacava verbal e fisicamente. Em 1851 correu na cidade a notícia de que um dos seguidores havia morrido e ressuscitado, causando uma polvorosa, e levando as autoridades a decretar a exibição pública de todos os cadáveres antes dos enterros…
Com a consolidação do Segundo Reinado, o sistema se consolidou e se sentiu menos ameaçado, amenizando a repressão, enquanto ia crescendo o movimento abolicionista. Escasseiam os registros sobre a seita, sobre a morte de Antônio José, o que aconteceu com a “gravidez de quatro anos”, e porque ela veio a se dissolver e desaparecer.
Como o pensamento “anglicano” do Padre Feijó, e o posterior nacionalismo republicano e abolicionista dos irmãos maranhenses Vieira Ferreira, que criam a primeira denominação pentecostal (antes que houvesse pentecostalismo no mundo) entre nós, a Igreja Evangélica Brasileira, a seita negra pernambucana constitui parte desse proto-protestantismo (no caso popular) brasileiro, amplamente desconhecido, e que tem muitas similitudes com o cristianismo nativista africano atual, com seus milhões de seguidores, também amplamente desconhecido no Ocidente, com exceção do Kimbanguismo que se filiou ao Conselho Mundial de Igrejas.
Uma grande lição: deixar pobres e negros lendo a Bíblia por conta própria e sublinhando textos libertadores… é sempre um perigo…

Robinson Cavalcanti era bispo da diocese anglicana do Recife. Ele foi morto na noite de 26 de fevereiro de 2012, esfaqueado pelo filho adotivo, Eduardo Olímpio, que também assassinou a mãe, Miriam. Esse foi o último texto escrito pelo clérigo, poucas horas antes de morrer.

Fonte: Pavablog

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Palavras soltas....

Queria dar-te os sorrisos que ainda não floresceram em minha face.
Queria dar-te os meus ouvidos, capazes de escutar as batidas do teu coração.
Queria dar-te meu olhar (único no mundo que consegue enxergar a tua alma).
Queria dar-te os beijos que, em si, trazem resquícios do meu espírito.
Queria dar-te a maior porção da minha felicidade para ti, que és a felicidade que habita em mim.




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Sim, meu Pai,
Eu choro...
Não tenho uma fé inabalável.
Não tenho todas as respostas.
Não tenho todas as certezas.

Sim, meu Pai,
Eu tenho um coração impuro,
Mas sincero...

Sim, meu Pai...
Meu coração
É Teu.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Amor banal x Amor real



Acabo de dar uma rápida olhada nas mensagens que me chegam via Orkut, Facebook, E-mail, Twitter e celular. Percebo quão banalizadas estão duas palavras que considero da mais alta importância: Amo Você. Reflito diante de frases copiadas não sei de onde e enviadas para “todos os amigos” das redes sociais. Vejo que recebo palavras de carinho on-line oriundas de pessoas que não costumam, sequer, responder a cumprimentos meus no cotidiano. Imagino que esse tipo de gente, que não consegue amar na vida real, deve fazer do mundo virtual uma espécie de válvula de escape, no qual o computador serve de ‘analgésico’ diante da dor provocada pelo vazio existencial que lhes crucia.
Na internet, não há contato. Não há estresse, não há ‘cara feia’, não há canseira, não há vida. Há apenas ‘emoctions’ e desenhos bem fofinhos, que tornam a página da web “linda” – mesmo que a página da existência seja marcada por conflitos e inseguranças. Fica fácil amar pelo teclado, mas as quatro letras que formam a palavra ‘Amor’ não são um mero amontoado de signos. Sei que tornou-se difícil falar sobre Amor depois que o apóstolo Paulo escreveu o texto de I Coríntios 13. No entanto, lembro-me que, no texto em grego, o vernáculo utilizado por Paulo foi ‘Ágape (agapein)’. Essa palavra é revestida de um significado incrível, que deixou os gregos – acostumados ao tecnicismo e à racionalidade – completamente atônitos diante do caráter de incondicionalidade e sublimidade impressos pelo amor cristão. Mais do que isso. Esse amor não se constituía em apenas um discurso eloquente, mas sim em um estilo de vida. Caso contrário, seria tão-somente “como o bronze que soa ou o címbalo que retine”.
Acredito que o significado desse amor precisa ser mais uma vez colocado em evidência nos dias atuais. As palavrinhas bonitinhas copiadas nos perfis das redes sociais não humanizam a internet, tampouco expressam a seiva nutritiva que dá razão à existência. Nesse sentido, os perfis das redes sociais são uma espécie de “Self Idealizado”, construído por intermédio de ilusões criadas a partir de espelhos distorcidos. Preocupa-me ver uma juventude que diz amar pelo MSN, mas é incapaz de discernir as implicações do amor. Esses jovens que são doutrinados pelas músicas de forró estilizado e têm as novelas globais como gurus espirituais não conseguem vislumbrar o horizonte do Ágape.
Acredito que só é possível aprender a amar com Aquele Que É Amor. E o amor ensinado por Jesus não é sinônimo de facilidade, tampouco de felicidade (sobretudo esse conceito materialista de que a felicidade é a plena conquista de posses). O que Ele ensinou foi doação (ou melhor, dor-ação). Com mais firmeza do que Nietzsche, Jesus ensina que não se pode fugir da dor. Porque, apenas quando se encara a dor existe coragem para ‘peitar’ a vida frente a frente. E é isso o que o Meigo Nazareno que conduziu a cruz nos ensina. Diferentemente de Sidarta Gautama, que apregoava a necessidade de diminuição da pessoalidade, Jesus manda negar o “Si-Mesmo” (“Self Idealizado”). Nele conseguimos enxergar o nosso “eu”, pois apenas Ele É.
O verdadeiro amor faz morrer o egoísmo, o medo, as incertezas e a desconfiança. Ele não quer saber de redomas nem de garantias. Não é piscina, mas é oceano, onde o desejo é se jogar e nadar – às vezes, deixar-se boiar pelo caminho das ondas. Amor é a morte do “Si-Mesmo” para vivenciar o “Eu” que se transforma em “Nós”, entranhados pelo Espírito.


Jénerson Alves

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