terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muito prazer, Álvaro Lins


O cordel ‘Muito Prazer, Álvaro Lins’ foi escrito com o intuito de revisitar a vida e a obra do crítico literário. O autor é o cordelista Jénerson Alves, que revela que, através do texto poético, busca enfatizar a relevância do legado do intelectual para os dias atuais. Misturando realidade e ficção, a narrativa acontece no tempo presente, com o intuito de enaltecer a história do caruaruense. “Além de ressaltar a importância de Lins, eu tento lançar uma provocação: Como pode um ícone com tanta relevância ser tão ‘esquecido’?”, pontua o autor, que também é jornalista. Com 24 páginas, a obra mescla poesia e prosa e exibe elementos interdisciplinares. A capa é assinada pelo designer Lúcio Moreira.
O cordel já está à venda no Museu do Cordel (Parque 18 de Maio), bem como na Livraria Estudantil, nas bancas de revista Terceiro Mundo, A Cultural e Millenium, e na Copyatec (Rendeiras).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Microconto sem título


Ela estava se perdendo no mundo dos livros e ele já havia se perdido há muito tempo. Por isso, nem no orbe das letras eles se encontravam. Ela se deliciava com as narrativas de Nicholas Sparks, ele imergia no sentimento de ‘não-pertencer’ do Albert Camus. Ela se debruçava em teorias organizacionais, enquanto ele ficava cada vez mais confuso, fazendo uma ‘vitamina’ de Poe, Saramago e Kafka, ao invés de estudar os livros solicitados na Faculdade. Ela lia Max Lucado, enquanto ele preferia os “hereges” Ricardo Gondim e Rubem Alves. Na Bíblia, ela se deleitava com as parábolas de Jesus e ele se mantinha ranzinza, em um eterno Eclesiastes. Ela entoava os Salmos com mais beleza que Davi e ele, desafinado, recitava os Provérbios com a voz rouca. Até que, quando ambos decidiram passear pelas árvores de Cantares, deram conta da existência um do outro. Então, ele ergueu os olhos do livro e mirou o sorriso dela, que era a materialização da beleza. E ela viu os olhos tristes dele. E ouviu o silêncio que gritava dentro dele. Fecharam os livros. E a vida se abriu para os dois, como uma página em branco.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Página em branco; páginas rasgadas


Eu sei que é clichê comparar o ano que se inicia com uma página em branco. Mas, e daí? A vida é cheia de clichês, mesmo. O bom de um ano que nasce é porque renasce a sensação de que tudo se renova. Afinal, é o início um ciclo. É momento para avaliar não somente o ano que passou, mas também a forma como a vida vem sendo conduzida. É a oportunidade de reprogramar sonhos antigos, de reacender esperanças.

Mas não apenas isso. Também é momento de deixar para trás aquilo que já não faz mais sentido. É momento de deixar de lutar com uma finalidade inócua. É o instante em que pode-se decidir se, realmente, vale a pena sofrer tanto. É a hora de adotar novas posturas com relação à vida.
É momento de guardar o coração, de não deixá-lo nas mãos de pessoas que não irão valorizá-lo. Além disso, é importante fazer uma faxina nele, e tirar de dentro aquilo que não nos faz crescer. Mais do que encarar o devir como uma página em branco, deve-se rasgar aquelas que registram histórias que não precisam ser lembradas.
É necessário aprender a esquecer. Sim, esquecer. Esquecer daquilo que nos fez mal, daquilo que nos colocou sob uma circunstância negativa. É necessário olvidar do que deu errado, do que foi errado. Os momentos de crise, de choro, de lágrimas, de lutas inglórias, devem ser deletados do disco rígido do coração. Se essas coisas permanecerem, o coração ficará pesado, o espírito ficará sem condições de prosseguir.
Não é necessário estar todo instante olhando pelo retrovisor. O importante é pôr as mãos na direção e olhar em frente. Afinal, há buracos na estrada, além de curvas perigosas, automóveis na contramão e pedestres que passam na frente do veículo. É hora de olhar em frente. Fixar os olhos no que está por vir. Não nos esqueçamos: a vida é repleta de surpresas (e por isso é tão deliciosa).
Contudo, se há um conselho que devemos seguir enquanto trilhamos nessa estrada sinuosa que chamamos de existência, acredito que seja Filipenses 2:5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo”. Ora, ter o mesmo sentimento é estar na mesma vibração, é conhecer a fundo o coração dEle. É relacionar-se com Ele de tal forma que o coração do Mestre e o do servo ficam em consonância um com o outro. É conectar-se com a Essência Superior. E, dessa forma, aprender a enxergar o próximo como irmão.
A melhor maneira de desenvolver o mesmo sentimento que há em Cristo é ler os Evangelhos. Acho necessário fixarmos o propósito de ler o Novo Testamento, de refletirmos nas Escrituras, de pautarmos nosso cotidiano de acordo com os princípios estabelecidos nas Sagradas Letras. Aí, tenho certeza, uma bela história será escrita nessa página em branco.

Jénerson Alves, 01º/01/2012

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