segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fim de eleição

Encerrada a eleição,
Tão repleta de emoção,
De escândalo, de porfia,
De reportagens soturnas...
Mas, na resposta das urnas,
Venceu a democracia.

Agora, a oposição
Tome nova direção
E aja com equidade,
Para que em todo arrebol
Se faça um trabalho em prol
Do bem da sociedade.

Agora, demos as mãos,
Com respeito, como irmãos,
Que o Brasil pra frente vai.
Pra quem venceu, o sucesso,
Pra quem perdeu, o progresso,
E para Lobão? Bye-bye!

Autor: Jénerson Alves, 26.10.2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Escritora critica participação da escola na formação de leitores

Por Jénerson Alves

A formação de leitores foi tema da primeira palestra do Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig). Na ocasião, a escritora colombiana Irene Vasco contou um pouco de sua experiência naquele país, tendo em vista que ela é fundadora do projeto ‘Espantapájaros’, o qual é considerado uma iniciação para autores de livros infantis, bem como também ministra oficinas e participa de contação de histórias. Segundo ela, desenvolver o apreço pela leitura é um desafio dos centros de educação.

Quando indagada sobre o papel da escola na formação de novos leitores, ela classificou o cenário como “difícil”. “Na Colômbia, a biblioteca pública é uma grande formadora de leitores. Cada vez, surgem melhores bibliotecas públicas com melhores coleções, os bibliotecários estão cada vez mais entendendo o papel de formação de leitores, de fazer contação de histórias, colocar livros nas mãos das crianças, despertar o interesse pela leitura. A escola, porém, está empenhada em atribuir valores, controlar, fazer leituras não para emocionar, mas para fazer trabalhos”, criticou.

Autora escreve livros há mais
de 25 anos. Foto: Jénerson Alves
Além disso, em sua fala, a escritora traçou um panorama sobre como é a educação na Colômbia, elencando desafios e oportunidades. Segundo ela, é necessário, além do acesso ao livro, estimular a leitura, através de atividades lúdicas que resultem na efetiva formação de leitores. “Só conseguiremos formar alunos leitores se tivermos também professores leitores”, disse.

Um aspecto defendido por Vasco é a qualidade estética das obras. “Tem que ser seletivo. Há livros de qualidade literárias e há livros de instruções. Há outros que têm intenções didática para transmissão de valores. Esses não são literatura. As crianças sabem diferenciá-los muito bem, assim como os adultos sabem diferenciar um livro de autoajuda de um romance majestoso”, diferencia.

Apesar de exaltar a importância da leitura, a escritora nega que essa é uma 'fórmula’ para o sucesso. “Não posso olhar os livros como redentores da vida, mas possibilidades de abrir oportunidades. Os livros são ferramentas para encontrar um caminho, não sei se para a felicidade”, comenta, em conversa com nossa equipe.

Ademais, a palestra foi mediada pelo representante do Ministério da Cultura (MinC), Roberto Azubel, o qual destacou que no Brasil o MinC e o Ministério da Educação estão buscando parcerias, no intuito de promover ações conjuntas que estimulem a leitura. Todavia, ele reconhece que há muitos desafios a serem vencidos e que é importante a constante reflexão sobre as políticas públicas a serem adotadas.

Irene escreve livros há mais de 25 anos, conquistando vários prêmios. Licenciada em Literatura pela Universidade del Valle, ela já traduziu obras de grandes escritores, inclusive brasileiros, como Moacyr Scliar, Ana Maria Machado e Marina Colasanti.


O Filig iniciou na quinta-feira 9 e segue até o domingo 12, com palestras, oficinas, rodas de leitura, feiras de livros e apresentações artísticas. O evento é realizado pela Proa Comunicação, com apoio da Prefeitura de Garanhuns, município situado no agreste pernambucano.O blog acompanhará as principais atividades do Festival.
Vasco foi a primeira palestrante do Filig.
Foto: Jénerson Alves


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tou doidim

Chega fico zuruó
Quando óio pra você,
Gostosa ingual manga rosa,
Chêrosa feito um buquê.

Muié, a tua cintura
É do jeito dum pilão,
As coxa são vê um toco,
Cada peito é um mamão.

O prefume do teu corpo
Eu guardo no meu nariz,
E quase que babo óiano
O mexer dos teu quadris.

Na hora que você fala,
Chega fico arrepiado...
Doido pra fazer aquilo
Que o padre diz que é pecado.

Eu, mesmo assim, meio broco,
Fico sempre te óiano...
Tu parece atriz de firme
Do çunema americano!


Oh, menina, eu tou doidim
Pra endoidecer com tu.
Fica cumigo forever,
Mim ame, que I Love you!


Jénerson Alves, 02.10.2014

domingo, 28 de setembro de 2014

Santinha maliciosa

Teus dotes são valorosos,
Misto de gata e rainha:
Os olhos maliciosos,
O sorriso de santinha.

A voz com timbre hipnótico,
Roupa que causa mistério,
E eu sonho um amor erótico
Com essência de etéreo.

Um corpo de violão,
Um jeitinho de boneca,
Diante desta visão
Qual o homem que não peca?

Mas porque tu não enxergas
Que és autora do teu drama?
A quem não te quer te envergas,
E desprezas quem te ama...

Jénerson Alves, 28-09-2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Isso tudo e muito mais



Seu olhar, uma janela
Do palácio da alegria,
Corpo que exprime magia
E muito me desmantela.
Jeito meigo, feição bela,
Suas marcas principais.
O seu jeito me traz paz,
Sua feição me faz bem.
Ei, guria, você tem
Isso tudo e muito mais.

Sua pele é de neném,
Mas sua mente é madura,
Você é essência pura
Do santo aroma do Bem,
Tem o cântico do vem-vem,
O ritmo dos sabiás,
Canção etérea que faz
Reacender minha fé,
Porque, pra mim, você é
Isso tudo e muito mais.

Eu quero pôr em seu pé
Peças raras, honrarias,
As mais finas pedrarias
Das montanhas do Tibet,
Um passeio por Gorée,
Turismo nas capitais,
Ametistas e cristais,
E de pérolas um colar,
A você eu quero dar
Isso tudo e muito mais.

Lhe convidar pra jantar
Com um papo harmonioso,
Num recinto luxuoso
E depois deixá-la em seu lar,
Ouvir o doce estalar
Dos seus beijos divinais
E os gemidos sensuais
Do tresloucado prazer...
Com você quero fazer
Isso tudo e muito mais.


Jénerson Alves, 22-09-2014

(Foto do blog da Carola Montoro)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ah, Guria...

Guria, tu és tão gata,
Que me ata,
me mata

Guria, tu és tão linda,
Que se blinda
e me fascina

Guria, tu és tão santa
(sem manta)
que me encanta

Guria, tu és tão... tão...
que eu fico
...tantam


Jénerson Alves, 16-09-2014


Para acompanhar ouvindo:


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Duas lágrimas

Ela passou a mão no cabelo, jogando-o para trás. O dia estava seco, sem vento, sem graça. E um turbilhão de lembranças invadiu a sua mente. Ela se lembrou que ele tinha um jeito meio estranho – sábio demais para coisas etéreas, abstratas, mas muito bobo diante da vida prática. Ele ficava vermelho toda vez que a via. E os olhos dele brilhavam na presença dela. É claro que ela fingia que não percebia.

Dar uma de doida, meu maior talento.

Ele tinha um jeito de menino imaturo. Enxergava nela sua ponte para si mesmo. Queria encontrar-se ao encontrá-la. Ele não tinha sonhos. Não tinha lar. Não tinha nada. Só ela. Mas, nem isso ele tinha.

Ela nunca o quis. Não que ela não gostasse dele, mas talvez não soubesse distinguir a intensidade do amor que nutria. Mas ela sabia que queria ele por perto. Só não muito perto. Apesar de tudo, ele era bem legal. Tinha uma pureza que não se encontra por aí. Uma sensibilidade que parecia ser sobre-humana.

Ele lia pensamentos. Eu juro. Sim, ele lia. Principalmente os meus...

Como explicar as vezes que ele mandava mensagens de carinho e encorajamento, justamente quando ela estava contando suas dores para o travesseiro, no silêncio das madrugadas? E as vezes que ele completava as frases que ela estava falando? E quando ele a descrevia, nos mínimos detalhes, enquanto conversavam por telefone ou pelo computador?

Era como que ele falava? Sinergia... sintonia... alguma coisa assim....

Chegaram a sair algumas vezes. Como amigos. Ela fazia questão de salientar. Parece que ele nem ligava tanto, até porque ele gostava dela de tal forma que bastava estar junto, bastava participar, bastava existir um pouco na existência dela...

Em uma dessas saídas, ele a abraçou bem forte na despedida. Foi um abraço diferente. Aparentemente, ele estava ‘pegando fogo’. Ela sentiu o membro dele, rígido, entre suas pernas. Ele acarinhou sua nuca, lentamente beijou-lhe por trás do ouvido e foi descendo pelas bochechas. Queria alcançar os lábios. Ela não deixou. Mandou-o parar. Entrou em casa.

Depois disso, não saíram mais. Se viram uma ou outra vez pela rua. A conversa não era lá grande coisa. Um “oi”, um “tudo bem”. Pronto. Ele estava com um olhar triste. Mas ela não se importava mais tanto. Estava decidida. Não o queria. Não sabia o motivo, nem tinha sequer outro pretendente em vista, mas sabia de uma coisa: ele não.

Que merda.

Agora, ela estava sozinha, vestida de preto, diante daquela lápide. A notícia lhe chegou como um baque.

Ele devia ter contado. Ele não tinha esse direito...

Em um relance, duas lágrimas rolam de sua face. Uma por ele, que nunca foi amado; a outra por ela, que nunca amou.

Tresloucadamente, joga-se sobre o bojo tumular. Beijando o epitáfio, exclama: “Te amo! Te amo! Te amo!”

E um estranho sopro gélido e repentino lhe acarinhou a nuca, chegando aos ouvidos, como se dissesse: “Tarde demais! Tarde demais! Tarde demais!”


Jénerson Alves, 23-07-2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

É difícil...

É difícil ter que amar alguém!
É difícil ou nós que dificultamos?
O amor não existe ou será que existe? 
Porque orgulho, ciúme, inveja,raiva sempre compromete o bem estar do ser humano?
Professores dizem que Saúde é o bem estar físico, mental e sem quaisquer enfermidade do indivíduo.
E porque nós indivíduos, não somos sempre saudáveis?
Chorar e sorrir, dois verbos diferentes com significados diferentes.
Posso ter um ataque de risos numa situação de perigo, e chorar ao ter uma enorme alegria, ou o contrário!
Complicamos tanto nossa vida, e a tornamos mais difícil do que já é.
Eu sei... é difícil sim... disso não tenho dúvida.
Até mesmo um poeta sofre, e porque não sofreria?
Os poetas escrevem, colocando o que sentem, para fora.
Não sou poeta, não sou professor, sou só mais uma pessoa comum, como você que está lendo. Não que os poetas e professores, e professores poetas não sejam comuns, mas são seres que nos ajudam tanto, pois nos preparam para a vida, preparam nossa mente e sempre tentam deixar as coisas sempre... mais simples.
Às vezes! 



Jénerson Esse é para você! 


(Autora: Jéssica Ferreira Leite, via Facebook)

domingo, 6 de julho de 2014

O que a mulher quer do homem?

Foto: Divulgação

Estou certo que a mulher
Quer sempre que o homem dê
A atenção que puder
Sem questionar o porquê,
Quer carinhos, quer xodós,
Ouvidos pra sua voz,
Afago pra sua mão.
Enfim, relacionamento
Em que haja envolvimento
Com alma e com coração.

Ela quer que o homem saiba
Seu silêncio interpretar
E que outro alguém não caiba
Na estrada a palmilhar,
Quer que ele seja um parceiro
(Nem um lobo, nem cordeiro),
Quer acordo, não comando,
Quer gentis ações ordeiras,
Quer conversas verdadeiras
(E dirty talk vez em quando).

Quer que ele sinta que ele
Vive na sua memória,
Quer olhar os olhos dele
E lembrar dos dois a história,
Quer viver amor maduro,
Que ele seja seguro,
Seja alegre, confiante,
Em paz com ela e consigo,
Tenha abraço de amigo
E pegada de amante.

Que tenha boa aparência
(Mesmo sem ser marombeiro),
Tenha bons modos, decência,
Saiba lidar com dinheiro,
Se vista e se porte bem,
Que converse bem também,
Respeite-a em todo local,
Não pense somente nele.
Isso tudo faz que ele
Tenha  um charme especial.

Não dê valor à imagem
Tanto quanto ao conteúdo,
Não viva a fazer chantagem
Nem arme briga por tudo,
Busque cura, não ferida,
Saiba temperar a vida
Com doses de romantismo,
Divida o ninho e o voo,
Seja doce, sem enjoo,
Seja macho, sem machismo.


Que o seu papo faça que
Ela saia do marasmo,
E o sexo com ele dê
Prazer além do orgasmo,
Seja sincero o desejo,
Que tenha alma no beijo,
Que os seus sonhos se somem,
Seja amor e não mister.
Pra resumir, ela quer
Que o homem seja Homem.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A menina dos meu olhos

A menina dos meus olhos
É uma flor a dança tango,
É o frio da Rússia,
É o plasma do meu sangue.

É a companhia da Evelin,
A genialidade de Sabryna,
A timidez de Lais,
O sorriso de Luana.

As poesias de Jenerson,
A sinceridade de Everaldo,
A filosofia louca de Mohandas,
A lealdade de Aldair.

A menina dos meus olhos
É o barro de Vitalino,
As pinturas de Da Vinci,
O amor de Romeu,
A paixão de Julieta.

E todos que não entraram no poema
Não fiquem tristes,
Pois meu coração já é o poema
E todos na minha vida
Fazem parte da menina dos meus olhos.

Flavio Levi

terça-feira, 1 de julho de 2014

O que é o Evangelho?

O Evangelho não é um amontoado de versículos, que se decora e repete em reuniões solenes ou na escuridão do quarto, quando tomados de um pavor inexplicável. O Evangelho está além de todos os chavões, de todos os sermões, de todos os livros, de todos os cânticos, de todos os programas, de todos os eventos já feitos (e que ainda serão feitos) em nome de D-us. O Evangelho não cabe em meus versos, nem nos vídeos compartilhados no Facebook, nem nos minutos de exposição dos teólogos. O Evangelho é indescritível, é inenarrável, impronunciável. O Evangelho é improclamável, por isso o Verbo se fez carne. Pelo Evangelho, a habitação do Verbo deixa de ser a Gramática e passa a ser o Coração.
Esse fenômeno é uma loucura. Maior do que qualquer fantasia, do que qualquer roteiro de filme de suspense, maior do que qualquer inspiração onírica. Nem H. P. Lovercraft seria capaz de sonhar com tal insanidade. Os quadros de Salvador Dali, diante da revelação do Evangelho, são meras pinturas de criança.
A inexplicabilidade do Evangelho não significa incompreensão. Pelo contrário, apenas aponta para a insuficiência das palavras. O que é expresso pela mensagem do Cristo não cabe na linguagem humana. As prédicas expõem apenas fragmentos dessa luz. O olhar, a mudança de vida, a transformação exterior, tudo isso são simples parágrafos, diante da grandiosidade dessa mensagem inexprimível.
O Evangelho é a Vida. É a Vida abundante que se revela mediante a revelação do Nome. É a ampliação de consciência. É o esgotamento do individualismo e a penetração no Reino do Absoluto. É a sintonia com o Sublime, a devoção ao Belo. É enxergar resquícios de luz em meio às trevas. É ter conforto diante de pesadelos reais. É enfrentar a noite com a certeza do dia. É ter um céu no coração e dividi-lo na terra.
A meditação nas Sagradas Escrituras, a participação em uma comunidade religiosa, a audição de prédicas e cânticos espirituais fazem parte do processo de encanação dessa mensagem. No entanto, todas essas coisas só têm sentido quando se imiscuem nos recônditos do espírito, quando se entranham na essência do ser. O Evangelho é um absurdo imponderável. Não há como compreendê-lo, pois ele não é um aquário que pode ser observado. O Evangelho é um oceano. É preciso mergulhar.

Jénerson Alves (www.jenersonalves.blogspot.com)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Eu e você

Eu sou silêncio e luar,
Você é sol e alegria.
Eu sou o campo e a mente,
Você cidade e magia...
Você é fogo e paixão,
É essência, é pulsação.
Eu? Eterna solidão
E constante nostalgia...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Mais poemas

Namoro aquela menina
Que tem um lindo sorriso,
Aquela que escreve bem,
E a outra, que é 'sem juízo';
Namoro a fofa e a gata,
A bela, a inteligente,
O meu amor é tão grande
Que não é d'uma somente

Aviso: não sou promíscuo,
Namoro sem namorar,
Namoro me enamorando
Da voz, do jeito, do olhar,
Namoro o Belo e o Justo,
Namoro o Sim e o Não,
Namoro a aurora santa
Que mora no coração.
12-06-2014


Você pensa que se for
Comigo a um ambiente,
Eu vou tratá-la igual troço,
E não agir feito gente?
Pensa que eu não respeito
Teu coração, tua mente?
Acha que vou esquecer-me
De agir ordeiramente
E só querer 'lepo-lepo'
(Que eu quero, realmente)
Que é somente no corpo
Que aprendi a ser quente?
Saiba que não sou partido,
Só sei agir totalmente,
Que eu não quero partículas,
Mas te quero integralmente.
Se você não sabe disso,
Sabe de nada, inocente!
10-06-2014



Corpo não é objeto, é chão e teto,
É abraço e é calor.
Relacionar-se é complexo e não só sexo,
É partilhar riso e dor.
09-06-2014


Quer matar o poeta cantador?
Lhe proíba cantar ao som do pinho!
Mostre a ele este mundo de espinho
E se recuse tornar-se a sua flor.
Diga que não há cura para a dor,
E vai ficar sempre aberta esta ferida...
Que ele fica com a alma corroída
E sucumbe no leito mais tristonho.
Quer matar o poeta? Mate o sonho,
Que o poeta sem sonho se liquida!

09-06-2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

São João – O Aniversário do Priminho de Jesus



Certa vez um garçom batista, em Sergipe, servindo no clube de um restaurante durante o ciclo junino, foi advertido pelo seu pastor para não comer das iguarias típicas da estação, pois “canjica é carne sacrificada aos ídolos”. Original essa igreja evangélica brasileira: desde quando canjica é carne e João Batista é ídolo? Questionado por uma criança vizinha pentecostal, por estar celebrando “uma festa do diabo”, responde o meu filho, carregando um saco de fogos de artifício: “São João não é do diabo. Estamos comemorando o aniversário do priminho de Jesus...”.

Sou um admirador dessa figura exótica que foi João (pelo menos em termos de modelito e de gastronomia...), como ponte entre a antiga e a nova aliança, nascido de um milagre, anunciador da chegada do Messias, profeta corajoso,  denunciando os pecados e conclamando ao arrependimento, que terminou com a cabeça em uma bandeja, por determinação real e capricho de uma mulher mau caráter. Fiquei emocionado quando, ao lado de uma Igreja Ortodoxa Russa, estive no provável braço do rio Jordão, onde batizou o Filho, se ouviu falar o Pai e o Espírito Santo desceu em forma de pomba, em singular teofania trinitária.

Passei a maior parte da minha infância e adolescência no interior do Nordeste, embalado pela voz de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, e, nesses 41 anos de casado, nunca Miriam e eu deixamos de acender uma fogueira em frente da nossa casa, comendo nossa pamonha, nossa canjica e nosso milho assado, sentindo pulsar a alma nordestina e sua identidade, diante de uma globalização que oprime e massifica, estrangeirizando.

Como crentes, devemos deixar de nos encabular, afastados desses festejos, privados do lícito lúdico e do folclore, ou apelando para eufemismos, como “festa junina”, “festa do milho” ou “festa Jesuína”. A festa é de João mesmo, e devemos resgatar o seu ensino, compartilhando-o com os festejantes, sem neuras, sem traumas, sem iconoclastias imaturas, sem buscar uma identidade por antagonismo.

Por uma igreja constituída de crentes sadios, brasileiros, reconciliados com a sua cultura, sem culpa pela alegria: Viva São João!

Olinda (PE), 20 de junho de 2010,
Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano (in memorian)



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ate(r)na



Com lança nas mãos e escudo no peito,
Enfrenta entreveros, destravando entraves.
Com olhar de garça e graça solene,
Traz em sua ação sutilezas graves.
É filha da astúcia e da alta potência,
Terna aurora, Atena, de gládios suaves.

Conserva no corpo sua virgindade,
Pois não admite humanas fraquezas,
Nariz longo e fino, fronte magistral,
Cabelos jogados, com certas rudezas,
Capacete aurífero, com corcéis alados,
E feição de sábia (a maior das belezas).

Esta personagem é mais que um mito,
É persona-imagem que jamais hiberna;
Disputa com o mar, depois faz as pazes;
Não se une a Marte, refuta baderna;
É mãe sem marido, guerreira imbatível,
Espelho inconteste da mulher moderna.

Guerreira com garra que se agarra aos sonhos,
Com os pés no chão, com saber profundo,
Que faz brotar flores em pântanos sombrios,
Dissipando trevas a cada segundo,
No vigor da vida, vencendo investidas
De Hefestos nefastos que infestam o mundo.


Num cenário onde o sexo é banal,
De orgasmo ofertado na web em leilões,
De bailes promíscuos, de mulheres-frutas,
Trajes sensuais, loucas perversões...
Vem, Atena, e luta, com honra e com tática,
Destruindo monstros, rompendo grilhões!

Jénerson Alves, 18.03.2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

To You



My heart I give to You
My song I give tou You
You are my Dad, my G-d,
My King, my Love, my Lord.

Oh, My Lord, listen to my heart,
My soul is crying att now
I’m praying with my blood on my face,
But my life is in Your Hand.

I see monster wicked by my side,
They’re wishing to catch my life
Tell an angel to save me, my Lord,
I can’t live witnout You.


Jénerson Alves, 09/05/2012; 21h26

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mentes aprisionadas



Nós vivemos em sistemas
Onde há falsas liberdades
Que criam necessidades
E fantasiam problemas,
Põem nos humanos algemas
E os tornam decadentes,
Pálidos, miméticos, doentes,
Ascos, volúveis, banais...
Estruturas sociais
Que aprisionam mentes.

Essas grades invisíveis
Ferem, dopam e viciam,
As virtudes se atrofiam
Formando chagas terríveis,
Barreiras intransponíveis,
Difusão de violências,
Que agridem as essências
As diluindo em frações,
Robotizando as ações,
Deletando consciências.
  
Depende de cada um
Querer encontrar o Bem,
Mas deve-se enxergar além
Para achar o bem comum.
Entre espinhos, ver algum
Jeito de oscular a flor,
No horizonte pôr cor
Com a tinta da emoção,
Entrando em conexão
Com o plano do Criador.

Enxergar a luz do dia,
Sentir do Sol o calor,
Saber lidar com a dor,
Semear a alegria.
A pura sabedoria
Gerada no coração,
Advém de construção,
De busca incessante, ardente,
Porque na vida da gente
Tudo, tudo é decisão.


Jénerson Alves, 09 e 10.03.2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

Poetas fazem ‘cordel on line’ sobre Ditadura Militar

O Regime Militar no Brasil é o mote principal de um cordel lançado pelos poetas Dorge Tabosa e Jénerson Alves, de Caruaru-PE. Os cordelistas decidiram escrever sobre esse tema devido à passagem dos 50 anos do Golpe. Por intermédio de uma linguagem simples e envolvente, eles retratam os principais fatos que marcaram os ‘anos de chumbo’. Um diferencial é que a obra literária está disponível para download gratuito, sendo chamado pela população de ‘cordel on line’ (ou melhor, ‘e-cordel’).
Dorge Tabosa, o qual também é professor de História, declara que o objetivo da obra é contribuir para que o fato histórico não seja esquecido, relacionando-o com o tempo presente. “O Golpe Militar gerou desdobramentos que são percebidos nas últimas décadas. O Brasil está em um processo de consolidação democrática, o qual exige que a população tenha um senso crítico apurado e conhecimento acerca da história recente”, pontua.
De acordo com o poeta Jénerson Alves – que também é jornalista –, o cordel foi feito após um trabalho de ampla pesquisa. “Prezamos pelo conteúdo, buscando transmiti-lo, em linhas gerais, a fim de provocar a reflexão no leitor”, afirma, dizendo que o público-alvo do cordel é formado por estudantes, sobretudo do ensino fundamental e médio.
Além da poesia principal, que aborda a Ditadura Militar, a obra contém uma poesia extra – intitulada ‘A Ditadura da Moda’ – na qual os artistas devaneiam sobre certos tipos de ‘ditaduras’ que predominam no tempo presente. A capa é assinada pelo poeta e xilogravador Espingarda do Cordel, considerado uma das maiores revelações nesse estilo nos últimos anos.

A obra está disponível para download gratuito no seguinte link: https://docs.com/13UT1. Entretanto, a versão impressa está sendo comercializada, diretamente com os autores e também no Museu do Cordel, em Caruaru.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A República de Sam Bras

É Sam Bras um País localizado
Nos terrenos mais belos das Américas,
Porém tem lideranças tão histéricas
Que o tornam um chão amalucado,
Pois na Câmara e também lá no Senado
Se legisla por causas pessoais,
E grande parte do povo ainda jaz
À espera de boas condições,
Prometidas durante as Eleições
Na fantástica República de Sam Bras.

A Saúde tem fracas pulsações,
Está gélida no leito da UTI,
O idoso padece por aí
As piores e tristes privações.
Nos presídios, se há rebeliões,
Como mostram as páginas dos jornais,
Há narcóticos em todos os locais,
A Polícia está sucateada,
A Justiça argumenta não ver nada
Que acontece na Terra de Sam Bras.

A infância não é bem educada,
A família é omissa e só desliza,
A escola sem mérito leva pisa
E no teste do PISA ela é pisada.
A Igreja, bastante alienada,
Troca Cristo buscando vis metais,
Uma imprensa imprensada, tão sagaz,
Até mostra as notícias pela tela,
Mas o âmago dos fatos não revela
Nesta estranha República de Sam Bras.

Se acostumam mostrar a mulher bela
E com frutas a mesma é comparada.
No trabalho ou na rua, uma cantada
Agressiva, levando, “a culpa é dela”.
Faz estádios pra Copa, mas não zela
Pelas causas bem mais estruturais,
Vive em guerra, mas falam que há paz,
Escondendo as mazelas do sistema,
Solução ninguém busca pr’o problema
Que imiscui-se na terra de Sam Bras.


É preciso caçar um novo tema,
Todos seres  humanos envolvidos,
Se a maré tá contrária, mas unidos
Para um porto seguro o povo rema.
Construir novo tempo, sem algema,
Sem ter tantos contrastes sociais
Com luz da esperança nos canais
Da criança, do jovem, do senil,
Pra raiar nova aurora e o Brasil
Não tornar-se a República de Sam Bras.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Teu dia...

Hoje é teu dia.
Tu és poesia.
Tu és encanto
Que eu decanto
Em todo canto
(E não alcanço
Nem me canso)
Tu és mar
És veleiro...
Viajar...
Nevoeiro...
É. És.
Mãos, pés...
Joias, anéis...
Nota 10.
Linda.
Infinda...
Parabéns pela data
(Sábia e gata...)
Te rendo uma serenata!
Me rendo.
Tu rindo.
Vá vivendo,
Vá seguindo...
Porque com D-s
 nos passos teus...
Viver é bom,

O mundo é lindo.

Cordel sobre a TV Cultura



Neste mundo de tanta informação,
Uma luz resplandece com essência
(Não visando a lucrar com audiência,
Mas buscando formar o cidadão).
A Cultura possui programação
Que agrada do jovem ao senil,
Expressando o valor santo e sutil
De artes plásticas, canções, literatura...
Parabéns a você, TV Cultura,
A melhor emissora do Brasil.

Cartão Verde lidera na jogada;
O Metrópoles, programa tão simpático;
O Jornal da Cultura é mais didático,
Que analisa a notícia veiculada;
A Viola é mais bela e afinada,
Que Inezita traduz o seu perfil,
E Rolando Boldrin, herói gentil,
Defensor da poética doce e pura,
Parabéns a você, TV Cultura,
A melhor emissora do Brasil.

Uma história bonita e incomum
Que o passado também se faz presente
Ao lembrar Confissões de Adolescente,
Glub-Glub, Castelo Rá Tim Bum...
Para mim, ela é número um,
Companheira quando eu era infantil,
Me acompanha no tempo juvenil
E estará na idade mais madura.
Parabéns a você, TV Cultura,
A melhor emissora do Brasil.

Roda Viva é tão viva e põe na roda
Personagens da história do país,
Quem lá vai, ouve tudo e tudo diz,
E quem tem telha de vidro se incomoda.
Antes de ser ecólogo virar moda,
O Repórter Eco expôs o céu anil.
Nunca o povo viu algo torpe ou vil
Nesta tela de ouro que emoldura,
Parabéns a você, TV Cultura,
A melhor emissora do Brasil.

BBC fez pesquisa e atestou
Que ela é a segunda do planeta
E do Brasil, a TV de Anchieta
É aquela que o povo consagrou.
Não se vende e, assim, nunca tratou
O seu público igualmente a imbecil,
Mas amplia o seu senso e seu perfil
Qual harpejo de lírica partitura.
Parabéns a você, TV Cultura,
A melhor emissora do Brasil.


Jénerson Alves, 05.03.2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O pastor que 'cheirou' a Bíblia e o 'cheiro' que fica no ar



Sempre olhei de soslaio para o pastor que ‘cheirou’ a Bíblia. Um ‘coroa’ de 42 anos que age como pré-adolescente, a meu ver, é sempre alguém que possui problemas. O uso de gírias e de uma aparência diferenciada parece necessidade de se expor. Enfim, ele tem tudo para ser mais um produto de marketing religioso do que um religioso autêntico.

No sábado (15/02), o pastor Lucinho esteve em Caruaru, ministrando palestras em uma série de conferências. Milhares de jovens – e, sobretudo, adolescentes e pré-adolescentes – compareceram ao evento. Alguns conhecidos me chamaram para lá e eu terminei indo. Nestes tempos de ‘Evangelho’ falso, fácil, a partir do qual tudo que é ‘gospel’ é bonito, fica cada vez mais difícil olhar com otimismo quando surgem nomes nesse meio. Infelizmente.

É bem verdade que ouvi certas frases que considero um tanto deslocadas. O pastor Lucinho testemunhou que, quando adolescente, era um ‘estudante chato’. Entrava em controvérsias com professores de maneira desrespeitosa, sob a justificativa de estar ‘defendendo a fé’. Ele declarou que, em certa ocasião, uma professora de Literatura havia dito que a Bíblia era um livro cheio de lendas, e a reação do mesmo teria sido instantânea: “Lenda é a senhora, professora!” Ele ainda complementou que por causa de procedimentos dessa natureza chegou a ser suspenso das aulas por várias vezes. Não acredito que esse tipo de ‘testemunho’ expresse o caráter de Jesus Cristo. Ouvi, também, expressões que acredito que foram um tanto equivocadas. O pastor afirmou que Caruaru era “terra de Lampião”, talvez desconhecendo que o cangaceiro era de Serra Talhada. Ademais, o líder contou que já fez evangelismo durante um evento de religiões de matriz africana, em área pública. Considero que a forma de exercer a liberdade religiosa também implica em respeitar a liberdade do outro. Acho que se certos conceitos desse naipe não ficarem claros, a igreja pode estar gerando um tipo de gente que ela deve evitar – intolerante, alienado, imaturo.

No entanto, não foram essas as marcas das palestras. Se há uma coisa que o pastor que lidera jovens na Igreja Batista Lagoinha, em Belo Horizonte/MG deixou em Caruaru foi a necessidade de que precisamos amar a Jesus. Ou, como ele mesmo afirma, sermos “loucos por Jesus”. Com uma linguagem de fácil entendimento para a nova geração, o pastor revelou que há duas ‘loucuras’ fundamentais para ser feito nesses dias. A primeira é manter-se puro em um mundo promíscuo e pornô. “Essa não pode ser a geração da ‘piradinha’, nem dos jovens pinguços, mas sim uma geração que ama a Jesus”, destacou. “A maior parte das relações erradas começa na internet. Quem pede para ser puro online também será puro offline”, orientou. A segunda ‘loucura’, segundo o pastor, é evangelizar. E, por incrível que pareça, ele não limitou esse conceito à vontade de lotar igrejas, mas sim de vivenciar o amor de Cristo. “Precisamos urgentemente de um Cristianismo não-teórico, mas um Cristianismo prático”, conclamou.

Mesmo com um contexto onde tanta coisa 'fede', nem tudo está podre. O aroma de Cristo ainda é exalado. A seiva da Verdade ainda fortalece aqueles que estão conectados à Videira. Se quem não é contra nós é por nós, precisamos aprender a nos chamar de 'irmãos', apesar das divergências. Um perfume de harmonia deve pairar no ar, dando um ar de esperança e de um novo tempo. A profecia deve denunciar a injustiça social, o descaso, as tristezas, as feridas, as amarguras, mas prenunciar uma nova aurora no horizonte, pela qual o brilho da Justiça resplandecerá a paz.

Enfim, percebi que o pastor Lucinho e eu estamos do mesmo lado. Posso não concordar com tudo o que ele fala ou faz, bem como não desejo proceder da mesma forma. No entanto, partilho do desejo ardente no coração que tenhamos um mundo formado por pessoas mais próximas do Divino. E isso precisa ser espalhado de todas as formas, mesmo que utilizando elementos da cultura pop. Para isso, os jovens necessitam de acompanhamento eclesiástico, doutrinamento, ensinamento teológico, aliados à oração e à presença do Espírito Santo, bem como a experiências práticas de expressão de amor na comunidade. Só com o bom senso da insensatez de amar em um mundo que vive com ódio, de perdoar num planeta em que as pessoas se assassinam, de doar-se onde muitos querem tão-somente reunir bens para si, de valorizar o próximo ao invés de desprezá-lo, poderemos viver dias melhores (até aquele Grande Dia, quando o Senhor voltar). Enquanto isso, digamos como o apóstolo São Paulo: “Nós somos loucos por amor de Cristo” (I Coríntios 4:10).

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Odeio...

Eu odeio o arrodeio
Quando eu escrevo ou leio,
Sem ter começo nem fim...
Odeio ser um ET
Que faz tudo sem o que
Que não fala 'não' nem 'sim';
Odeio ser tão estranho,
Tão matuto, tão tacanho,
Tão horrendo, tão chinfrim;
Mas odeio muito mais
Não saber me dar cartaz,
Não honrar meu folhetim,
E odeio muito o dilúvio
De lavas, feito o Vesúvio,
Que você é para mim.

Experiência de leitura

Foi um presente. Pelos correios, chegou o livro 'O Sertão é meu lugar', de um poeta cearense radicado em São Paulo chamado Moreira de Acopiara. Na obra, uma compilação de poemas simples, bucólicos, com temática regionalista e linguagem coloquial. Como eu já conhecia boa parte dos textos ali impressos, não outorguei, inicialmente, a atenção devida à peça.
Contudo, enquanto eu deixava de lado o livro do cearense e mergulhava em outras fontes que jorravam letras, meu pai - mesmo doente - inalava os olores sertanejos advindos da pena do Moreira.
Depois de um tempo, quando peguei o livro, percebi que meu genitor não apenas lia a obra, mas também fazia sutis marcações em algumas páginas. Hoje, ter em mãos esse livro é tocar as mãos do meu pai, que já não toca em mais nada.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Por Causa

Não é por causa das palavras que você me fala,
é por tudo aquilo que você cala.

Não é por causa das coisas que você usa,
é por tudo aquilo que você desusa.

Não é por causa do que você faz,
é por tudo aquilo que você desfaz.

Não! Não são os sapatos que são tortos!
É que os pés são tortos!


Não! Não é por tudo o que você é,
Mas é por causa do nada que eu sou (pra você).

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Família feliz


Família inicia quando há harmonia de moça e rapaz
Os pais abençoam e eles entoam a canção da paz
Sonham em comum virar dois em um, arroz e feijão,
A fruta, a semente, e eternamente selar união.

A moça é princesa, cheia de beleza, graça e esplendor.
O rapaz, honrado, príncipe dedicado que oscula a flor.
Quando nascem os filhos, aumentam os brilhos da família unida
Honra meritória, palácio de glória no reino da vida.

Vão passando os tempos, surgem contratempos, provocando dor,
Óleo corrosivo, néctar negativo que machuca a flor.
Sem ter bate papo, vira o príncipe um sapo e a princesa, bruxa.
Os filhos, coitados! Ficam isolados, com alegria murcha.

Nessa hora tensa de pressão intensa, o palácio trunca
Mas quem tem no peito o Caminho Estreito não desiste nunca
Pede e dá perdão, trata o coração, reconstrói, bendiz,
Que a família é feita não pra ser perfeita, mas pra ser feliz.

Jénerson Alves, 09.01.2014





quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Cantadas



Tanto faz ser no shopping, sítio, praia,
Livraria, na rua ou no busão,
Se uma dama chamar minha atenção
Minha lábia é ruim, recebo vaia...
Puxo assunto, pra ver se a mesma ensaia
Um sorriso. Qual, não! Fica corada.
Falo tudo, mas ela não diz nada,
Peço para ficar, ela se manda,
Eu sou fraco demais na propaganda,
Reconheço: não sei soltar cantada.

Certa vez, avistei uma princesa
Pela rua, fazendo algum passeio,
Um ‘psiu’ eu não dei (pois acho feio),
Nem falei expressão de safadeza.
Procurei a tratar com gentileza,
E ofertei um café para tomar,
Uns assuntos afins quis conversar,
Demonstrando o melhor que há em mim,
Porém ela fez cara que achou ruim
E partiu sem querer dialogar.

Outra ninfa algum tempo eu paquerava
E pela net buscava sintonia.
Mesmo sem roupa curta eu lhe curtia
E até ficar on eu lhe esperava.
Um assunto qualquer quando eu puxava,
Era sempre por ela desprezado...
(Eta poxa! Que mal ficar ‘xonado’
E a guria achar que faço mal...)
Hoje ela não quer me dar moral
E do Face eu até fui bloqueado!

É que eu reconheço não ter tática
E prefiro ficar agindo a esmo.
Acho muito melhor ser sempre eu mesmo
A agir de maneira enigmática.
Não procuro estratégia pragmática
Nem maquio jamais a circunstância,
Não exponho riqueza em abundância,
Mas demonstro um caminho pra seguir,
Que os corpos só podem se unir
Se os espíritos estão em consonância.

Eu não quero aprender soltar cantada
E ficar preso a contatos fraudulentos,
Vou mostrando sinceros sentimentos
(Muito embora padeça uma mancada)
Não procuro uma deusa ou uma fada,
Quero apenas que alguém me estenda a mão,
Livremente me dê sua atenção
E caminhe em verdade do meu lado
Que ante D-us seguirei enamorado
E lhe darei para sempre o coração.

Jénerson Alves, 01º.01.2014

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