quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Cantadas



Tanto faz ser no shopping, sítio, praia,
Livraria, na rua ou no busão,
Se uma dama chamar minha atenção
Minha lábia é ruim, recebo vaia...
Puxo assunto, pra ver se a mesma ensaia
Um sorriso. Qual, não! Fica corada.
Falo tudo, mas ela não diz nada,
Peço para ficar, ela se manda,
Eu sou fraco demais na propaganda,
Reconheço: não sei soltar cantada.

Certa vez, avistei uma princesa
Pela rua, fazendo algum passeio,
Um ‘psiu’ eu não dei (pois acho feio),
Nem falei expressão de safadeza.
Procurei a tratar com gentileza,
E ofertei um café para tomar,
Uns assuntos afins quis conversar,
Demonstrando o melhor que há em mim,
Porém ela fez cara que achou ruim
E partiu sem querer dialogar.

Outra ninfa algum tempo eu paquerava
E pela net buscava sintonia.
Mesmo sem roupa curta eu lhe curtia
E até ficar on eu lhe esperava.
Um assunto qualquer quando eu puxava,
Era sempre por ela desprezado...
(Eta poxa! Que mal ficar ‘xonado’
E a guria achar que faço mal...)
Hoje ela não quer me dar moral
E do Face eu até fui bloqueado!

É que eu reconheço não ter tática
E prefiro ficar agindo a esmo.
Acho muito melhor ser sempre eu mesmo
A agir de maneira enigmática.
Não procuro estratégia pragmática
Nem maquio jamais a circunstância,
Não exponho riqueza em abundância,
Mas demonstro um caminho pra seguir,
Que os corpos só podem se unir
Se os espíritos estão em consonância.

Eu não quero aprender soltar cantada
E ficar preso a contatos fraudulentos,
Vou mostrando sinceros sentimentos
(Muito embora padeça uma mancada)
Não procuro uma deusa ou uma fada,
Quero apenas que alguém me estenda a mão,
Livremente me dê sua atenção
E caminhe em verdade do meu lado
Que ante D-us seguirei enamorado
E lhe darei para sempre o coração.

Jénerson Alves, 01º.01.2014

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