segunda-feira, 30 de junho de 2014

Eu e você

Eu sou silêncio e luar,
Você é sol e alegria.
Eu sou o campo e a mente,
Você cidade e magia...
Você é fogo e paixão,
É essência, é pulsação.
Eu? Eterna solidão
E constante nostalgia...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Mais poemas

Namoro aquela menina
Que tem um lindo sorriso,
Aquela que escreve bem,
E a outra, que é 'sem juízo';
Namoro a fofa e a gata,
A bela, a inteligente,
O meu amor é tão grande
Que não é d'uma somente

Aviso: não sou promíscuo,
Namoro sem namorar,
Namoro me enamorando
Da voz, do jeito, do olhar,
Namoro o Belo e o Justo,
Namoro o Sim e o Não,
Namoro a aurora santa
Que mora no coração.
12-06-2014


Você pensa que se for
Comigo a um ambiente,
Eu vou tratá-la igual troço,
E não agir feito gente?
Pensa que eu não respeito
Teu coração, tua mente?
Acha que vou esquecer-me
De agir ordeiramente
E só querer 'lepo-lepo'
(Que eu quero, realmente)
Que é somente no corpo
Que aprendi a ser quente?
Saiba que não sou partido,
Só sei agir totalmente,
Que eu não quero partículas,
Mas te quero integralmente.
Se você não sabe disso,
Sabe de nada, inocente!
10-06-2014



Corpo não é objeto, é chão e teto,
É abraço e é calor.
Relacionar-se é complexo e não só sexo,
É partilhar riso e dor.
09-06-2014


Quer matar o poeta cantador?
Lhe proíba cantar ao som do pinho!
Mostre a ele este mundo de espinho
E se recuse tornar-se a sua flor.
Diga que não há cura para a dor,
E vai ficar sempre aberta esta ferida...
Que ele fica com a alma corroída
E sucumbe no leito mais tristonho.
Quer matar o poeta? Mate o sonho,
Que o poeta sem sonho se liquida!

09-06-2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

São João – O Aniversário do Priminho de Jesus



Certa vez um garçom batista, em Sergipe, servindo no clube de um restaurante durante o ciclo junino, foi advertido pelo seu pastor para não comer das iguarias típicas da estação, pois “canjica é carne sacrificada aos ídolos”. Original essa igreja evangélica brasileira: desde quando canjica é carne e João Batista é ídolo? Questionado por uma criança vizinha pentecostal, por estar celebrando “uma festa do diabo”, responde o meu filho, carregando um saco de fogos de artifício: “São João não é do diabo. Estamos comemorando o aniversário do priminho de Jesus...”.

Sou um admirador dessa figura exótica que foi João (pelo menos em termos de modelito e de gastronomia...), como ponte entre a antiga e a nova aliança, nascido de um milagre, anunciador da chegada do Messias, profeta corajoso,  denunciando os pecados e conclamando ao arrependimento, que terminou com a cabeça em uma bandeja, por determinação real e capricho de uma mulher mau caráter. Fiquei emocionado quando, ao lado de uma Igreja Ortodoxa Russa, estive no provável braço do rio Jordão, onde batizou o Filho, se ouviu falar o Pai e o Espírito Santo desceu em forma de pomba, em singular teofania trinitária.

Passei a maior parte da minha infância e adolescência no interior do Nordeste, embalado pela voz de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, e, nesses 41 anos de casado, nunca Miriam e eu deixamos de acender uma fogueira em frente da nossa casa, comendo nossa pamonha, nossa canjica e nosso milho assado, sentindo pulsar a alma nordestina e sua identidade, diante de uma globalização que oprime e massifica, estrangeirizando.

Como crentes, devemos deixar de nos encabular, afastados desses festejos, privados do lícito lúdico e do folclore, ou apelando para eufemismos, como “festa junina”, “festa do milho” ou “festa Jesuína”. A festa é de João mesmo, e devemos resgatar o seu ensino, compartilhando-o com os festejantes, sem neuras, sem traumas, sem iconoclastias imaturas, sem buscar uma identidade por antagonismo.

Por uma igreja constituída de crentes sadios, brasileiros, reconciliados com a sua cultura, sem culpa pela alegria: Viva São João!

Olinda (PE), 20 de junho de 2010,
Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano (in memorian)



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ate(r)na



Com lança nas mãos e escudo no peito,
Enfrenta entreveros, destravando entraves.
Com olhar de garça e graça solene,
Traz em sua ação sutilezas graves.
É filha da astúcia e da alta potência,
Terna aurora, Atena, de gládios suaves.

Conserva no corpo sua virgindade,
Pois não admite humanas fraquezas,
Nariz longo e fino, fronte magistral,
Cabelos jogados, com certas rudezas,
Capacete aurífero, com corcéis alados,
E feição de sábia (a maior das belezas).

Esta personagem é mais que um mito,
É persona-imagem que jamais hiberna;
Disputa com o mar, depois faz as pazes;
Não se une a Marte, refuta baderna;
É mãe sem marido, guerreira imbatível,
Espelho inconteste da mulher moderna.

Guerreira com garra que se agarra aos sonhos,
Com os pés no chão, com saber profundo,
Que faz brotar flores em pântanos sombrios,
Dissipando trevas a cada segundo,
No vigor da vida, vencendo investidas
De Hefestos nefastos que infestam o mundo.


Num cenário onde o sexo é banal,
De orgasmo ofertado na web em leilões,
De bailes promíscuos, de mulheres-frutas,
Trajes sensuais, loucas perversões...
Vem, Atena, e luta, com honra e com tática,
Destruindo monstros, rompendo grilhões!

Jénerson Alves, 18.03.2014

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