quarta-feira, 23 de julho de 2014

Duas lágrimas

Ela passou a mão no cabelo, jogando-o para trás. O dia estava seco, sem vento, sem graça. E um turbilhão de lembranças invadiu a sua mente. Ela se lembrou que ele tinha um jeito meio estranho – sábio demais para coisas etéreas, abstratas, mas muito bobo diante da vida prática. Ele ficava vermelho toda vez que a via. E os olhos dele brilhavam na presença dela. É claro que ela fingia que não percebia.

Dar uma de doida, meu maior talento.

Ele tinha um jeito de menino imaturo. Enxergava nela sua ponte para si mesmo. Queria encontrar-se ao encontrá-la. Ele não tinha sonhos. Não tinha lar. Não tinha nada. Só ela. Mas, nem isso ele tinha.

Ela nunca o quis. Não que ela não gostasse dele, mas talvez não soubesse distinguir a intensidade do amor que nutria. Mas ela sabia que queria ele por perto. Só não muito perto. Apesar de tudo, ele era bem legal. Tinha uma pureza que não se encontra por aí. Uma sensibilidade que parecia ser sobre-humana.

Ele lia pensamentos. Eu juro. Sim, ele lia. Principalmente os meus...

Como explicar as vezes que ele mandava mensagens de carinho e encorajamento, justamente quando ela estava contando suas dores para o travesseiro, no silêncio das madrugadas? E as vezes que ele completava as frases que ela estava falando? E quando ele a descrevia, nos mínimos detalhes, enquanto conversavam por telefone ou pelo computador?

Era como que ele falava? Sinergia... sintonia... alguma coisa assim....

Chegaram a sair algumas vezes. Como amigos. Ela fazia questão de salientar. Parece que ele nem ligava tanto, até porque ele gostava dela de tal forma que bastava estar junto, bastava participar, bastava existir um pouco na existência dela...

Em uma dessas saídas, ele a abraçou bem forte na despedida. Foi um abraço diferente. Aparentemente, ele estava ‘pegando fogo’. Ela sentiu o membro dele, rígido, entre suas pernas. Ele acarinhou sua nuca, lentamente beijou-lhe por trás do ouvido e foi descendo pelas bochechas. Queria alcançar os lábios. Ela não deixou. Mandou-o parar. Entrou em casa.

Depois disso, não saíram mais. Se viram uma ou outra vez pela rua. A conversa não era lá grande coisa. Um “oi”, um “tudo bem”. Pronto. Ele estava com um olhar triste. Mas ela não se importava mais tanto. Estava decidida. Não o queria. Não sabia o motivo, nem tinha sequer outro pretendente em vista, mas sabia de uma coisa: ele não.

Que merda.

Agora, ela estava sozinha, vestida de preto, diante daquela lápide. A notícia lhe chegou como um baque.

Ele devia ter contado. Ele não tinha esse direito...

Em um relance, duas lágrimas rolam de sua face. Uma por ele, que nunca foi amado; a outra por ela, que nunca amou.

Tresloucadamente, joga-se sobre o bojo tumular. Beijando o epitáfio, exclama: “Te amo! Te amo! Te amo!”

E um estranho sopro gélido e repentino lhe acarinhou a nuca, chegando aos ouvidos, como se dissesse: “Tarde demais! Tarde demais! Tarde demais!”


Jénerson Alves, 23-07-2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

É difícil...

É difícil ter que amar alguém!
É difícil ou nós que dificultamos?
O amor não existe ou será que existe? 
Porque orgulho, ciúme, inveja,raiva sempre compromete o bem estar do ser humano?
Professores dizem que Saúde é o bem estar físico, mental e sem quaisquer enfermidade do indivíduo.
E porque nós indivíduos, não somos sempre saudáveis?
Chorar e sorrir, dois verbos diferentes com significados diferentes.
Posso ter um ataque de risos numa situação de perigo, e chorar ao ter uma enorme alegria, ou o contrário!
Complicamos tanto nossa vida, e a tornamos mais difícil do que já é.
Eu sei... é difícil sim... disso não tenho dúvida.
Até mesmo um poeta sofre, e porque não sofreria?
Os poetas escrevem, colocando o que sentem, para fora.
Não sou poeta, não sou professor, sou só mais uma pessoa comum, como você que está lendo. Não que os poetas e professores, e professores poetas não sejam comuns, mas são seres que nos ajudam tanto, pois nos preparam para a vida, preparam nossa mente e sempre tentam deixar as coisas sempre... mais simples.
Às vezes! 



Jénerson Esse é para você! 


(Autora: Jéssica Ferreira Leite, via Facebook)

domingo, 6 de julho de 2014

O que a mulher quer do homem?

Foto: Divulgação

Estou certo que a mulher
Quer sempre que o homem dê
A atenção que puder
Sem questionar o porquê,
Quer carinhos, quer xodós,
Ouvidos pra sua voz,
Afago pra sua mão.
Enfim, relacionamento
Em que haja envolvimento
Com alma e com coração.

Ela quer que o homem saiba
Seu silêncio interpretar
E que outro alguém não caiba
Na estrada a palmilhar,
Quer que ele seja um parceiro
(Nem um lobo, nem cordeiro),
Quer acordo, não comando,
Quer gentis ações ordeiras,
Quer conversas verdadeiras
(E dirty talk vez em quando).

Quer que ele sinta que ele
Vive na sua memória,
Quer olhar os olhos dele
E lembrar dos dois a história,
Quer viver amor maduro,
Que ele seja seguro,
Seja alegre, confiante,
Em paz com ela e consigo,
Tenha abraço de amigo
E pegada de amante.

Que tenha boa aparência
(Mesmo sem ser marombeiro),
Tenha bons modos, decência,
Saiba lidar com dinheiro,
Se vista e se porte bem,
Que converse bem também,
Respeite-a em todo local,
Não pense somente nele.
Isso tudo faz que ele
Tenha  um charme especial.

Não dê valor à imagem
Tanto quanto ao conteúdo,
Não viva a fazer chantagem
Nem arme briga por tudo,
Busque cura, não ferida,
Saiba temperar a vida
Com doses de romantismo,
Divida o ninho e o voo,
Seja doce, sem enjoo,
Seja macho, sem machismo.


Que o seu papo faça que
Ela saia do marasmo,
E o sexo com ele dê
Prazer além do orgasmo,
Seja sincero o desejo,
Que tenha alma no beijo,
Que os seus sonhos se somem,
Seja amor e não mister.
Pra resumir, ela quer
Que o homem seja Homem.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A menina dos meu olhos

A menina dos meus olhos
É uma flor a dança tango,
É o frio da Rússia,
É o plasma do meu sangue.

É a companhia da Evelin,
A genialidade de Sabryna,
A timidez de Lais,
O sorriso de Luana.

As poesias de Jenerson,
A sinceridade de Everaldo,
A filosofia louca de Mohandas,
A lealdade de Aldair.

A menina dos meus olhos
É o barro de Vitalino,
As pinturas de Da Vinci,
O amor de Romeu,
A paixão de Julieta.

E todos que não entraram no poema
Não fiquem tristes,
Pois meu coração já é o poema
E todos na minha vida
Fazem parte da menina dos meus olhos.

Flavio Levi

terça-feira, 1 de julho de 2014

O que é o Evangelho?

O Evangelho não é um amontoado de versículos, que se decora e repete em reuniões solenes ou na escuridão do quarto, quando tomados de um pavor inexplicável. O Evangelho está além de todos os chavões, de todos os sermões, de todos os livros, de todos os cânticos, de todos os programas, de todos os eventos já feitos (e que ainda serão feitos) em nome de D-us. O Evangelho não cabe em meus versos, nem nos vídeos compartilhados no Facebook, nem nos minutos de exposição dos teólogos. O Evangelho é indescritível, é inenarrável, impronunciável. O Evangelho é improclamável, por isso o Verbo se fez carne. Pelo Evangelho, a habitação do Verbo deixa de ser a Gramática e passa a ser o Coração.
Esse fenômeno é uma loucura. Maior do que qualquer fantasia, do que qualquer roteiro de filme de suspense, maior do que qualquer inspiração onírica. Nem H. P. Lovercraft seria capaz de sonhar com tal insanidade. Os quadros de Salvador Dali, diante da revelação do Evangelho, são meras pinturas de criança.
A inexplicabilidade do Evangelho não significa incompreensão. Pelo contrário, apenas aponta para a insuficiência das palavras. O que é expresso pela mensagem do Cristo não cabe na linguagem humana. As prédicas expõem apenas fragmentos dessa luz. O olhar, a mudança de vida, a transformação exterior, tudo isso são simples parágrafos, diante da grandiosidade dessa mensagem inexprimível.
O Evangelho é a Vida. É a Vida abundante que se revela mediante a revelação do Nome. É a ampliação de consciência. É o esgotamento do individualismo e a penetração no Reino do Absoluto. É a sintonia com o Sublime, a devoção ao Belo. É enxergar resquícios de luz em meio às trevas. É ter conforto diante de pesadelos reais. É enfrentar a noite com a certeza do dia. É ter um céu no coração e dividi-lo na terra.
A meditação nas Sagradas Escrituras, a participação em uma comunidade religiosa, a audição de prédicas e cânticos espirituais fazem parte do processo de encanação dessa mensagem. No entanto, todas essas coisas só têm sentido quando se imiscuem nos recônditos do espírito, quando se entranham na essência do ser. O Evangelho é um absurdo imponderável. Não há como compreendê-lo, pois ele não é um aquário que pode ser observado. O Evangelho é um oceano. É preciso mergulhar.

Jénerson Alves (www.jenersonalves.blogspot.com)

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