sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O gato vaidoso - poema de Jénerson Alves



Dois felinos residiam
Em uma mesma mansão,
Mas um percorria os quartos;
Outro, somente o porão.
Eram iguaizinhos no pelo,
Contudo, na sorte, não.


Um tinha mimo e ração;
O outro, lixo e perigo.
Um vivia igual um príncipe;
O outro, feito um mendigo
(Que sem cometer delito
Sofre só o seu castigo).


No telhado do abrigo
Certa vez se encontraram.
Ante a tela do contraste,
Os dois bichanos pararam
E a Lua foi testemunha
Do diálogo que travaram.


Quando eles se olharam,
Disse o rico, em tom amargo:
“Tu és mísero vagabundo,
Eu sou do mais alto cargo!
Sou nobre, sou mais que tu!
Portanto, passa de largo!”


O pobre disse: “O teu cargo
Foi a sorte quem te deu!
Nasceste em berço de luxo,
Cresceste no apogeu!
Mias, caças, comes ratos…
Em que és mais do que eu?


Logo, este orgulho teu
Não há razão pra ser forte…
Vieste nu para a vida,
Nu voltarás para a morte!
Não chames, pois, de nobreza
O que é apenas sorte”.



Quem não se importa com o porte,
Não se julga potestade,
Prova do pão da pureza,
Sente o gosto da humildade
E, ternamente, transmite
A luz da fraternidade.

Baseado em fábula narrada por Monteiro Lobato.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

#somostodosdelminha

Foco, força e fé. Esses elementos fazem parte da campanha em prol da estudante Delma Goes, carinhosamente chamada por todos nós de “Delminha”. Com apenas 26 anos, a garota luta contra uma enfermidade rara, chamada ‘Síndrome de Mills’. A doença motora atinge várias partes do corpo, paralisando alguns órgãos. A partir da doença, também surgiram outros problemas, inclusive nas vias respiratórias e no sistema sanguíneo.

Mesmo com tantas dificuldades, Delminha mantém um sorriso no rosto, o qual é uma ‘marca registrada’ dela. Conheci-a durante as aulas de Literatura que ministro em um cursinho pré-vestibular, em Caruaru. Ela tem um grande sonho: tornar-se médica. Eu acredito, do mais profundo da minha alma, que sonhos existem para serem transformados em realidade. Por isso, já consigo vê-la atendendo inúmeros pacientes. Mais do que simplesmente clinicar ou aplicar medicamentos, ela tocará nos corações dos doentes, com a sensibilidade que lhe é peculiar. Mesmo diante de tantas dificuldades, ela sempre transmite alegria por onde passa. Nunca a vi se reclamando da vida, nem falando palavras negativas. É bem verdade que, às vezes, sua alegria pode estar menor do que o de costume – isso é marca de humanidade. Todavia, é uma verdade ainda maior que ela pauta sua vida na fé, nos princípios, na esperança, no amor, e não nos sintomas médicos.

Mesmo a doença sendo irreversível, ela procura fazer um tratamento para impedir que a paralisia – que há 15 anos está em seu braço esquerdo – avance para outros órgãos. O tratamento é caro. E ela precisa de ajuda. Pensando nisso, Delminha decidiu criar uma campanha nas redes sociais. Ela preparou camisas com a frase “Quem acredita sempre alcança”. Mais do que um conjunto de palavras, essa frase sintetiza o estilo de vida dela. A fé faz parte do seu ser. A  partir da aquisição dessas camisas, é possível ajudá-la no tratamento.

Além disso, no próximo dia 11 de setembro, os professores Menelau Júnior e Marcelo Bezerra, referências na cidade, estão promovendo um Aulão Beneficiente, cuja entrada será a aquisição da blusa da campanha em prol de Delminha Goes. A sede do curso fica na Avenida Agamenon Magalhães, 651, 3º andar.



O valor da camisa é R$ 20, podendo ser enviada para todo o Brasil. Quem se interessar em participar da campanha, pode entrar em contato com Delma pelo seu perfil no Facebook, a partir do endereço https://www.facebook.com/delminha.goes?fref=ts .


sábado, 10 de setembro de 2016

A SUA CURA É O OUTRO... - por Caio Fábio


Os caminhos do coração humanos são indecifráveis...

Você vê gente sofrendo de tudo, e vivendo como se tudo fosse normal. Você, por outro lado, vê gente sofrendo de nada como se sofresse de tudo...

Na realidade, cada vez mais, minha experiência vai mostrando que não há escolas psicológicas capazes de atender a cada alma humana.

De fato, cada alma demanda uma psicologia pessoal e particular...

Não dá pra dizer que Freud explica quase nada...

Freud explica a si mesmo..., e olhe lá...

Sua Psicanálise é auto-analise, por mais “cientifico” que ele pretendesse ser, posto que por mais isento que fosse, a “ciência” que ele praticava só poderia ser verificada a partir dele mesmo, não apenas de sua interpretação, mas de sua própria/particular/existencial experiência psicológica.

Há pessoas que me procuram com crises de contornos “freudianos”. Para tais pessoas Freud parece funcionar bem... Outras, porém, nada têm a ver com o que o Freud pressupôs houvesse em todo homem, sem que haja...

Nesses casos, tateio até ver a “porta de entrada” da pessoa, e, frequentemente, verifico que tal “entrada” não existe nas matrizes das linhas psicológicas clássicas ou pedagógicas, e, portanto, demanda uma psicologia singular, tecida entre você e a pessoa, até que o sistema esteja mais ou menos visível e, portanto, discernível.

Em outras palavras: tem que ser como Jesus praticava...

A “psicologia” de Jesus era simples e se servia das metáforas que as pessoas traziam ou compreendiam. Tudo, porém, tinha ver com “aquela” pessoa, e não com uma matriz psicológica universal.

Assim, com Jesus não há padrões... O padrão é o individuo...

Desse modo, cada pessoa demanda uma psicologia singular, por mais que os modelos psicológicos possam ajudar aqui e ali. No entanto, depender exclusivamente deles é pura tolice...

O modelo de Paulo, a confrontação, é o que vejo que melhor ajuda as pessoas, pois, de fato, trata-se de um método não metódico, é que busca discernir a essência da questão, e trata dela cara a cara, sem medo de afirmar, de indagar, de sugerir, de provocar, de perturbar mesmo... — até que a verdade vá aparecendo, e, assim, a pessoa vá se enxergando e tomando as decisões práticas quanto a debelar o vício do sintoma como mal a ser tratado como causa... sem que o seja.

Os pudores psicológicos atrasam em demasia a cura das pessoas...

Vejo pessoas oito, dez, doze anos em um terapeuta, ruminando os mesmos bagaços, pagando caro para serem ouvidos sem que isto deslinde qualquer coisa em seus interiores, até que chegue o dia da verdade...

Então, sem pudor, atendo a tais pessoas; algumas já sabem tudo de tudo, até mais que a maioria dos psicólogos, de tão profissionais como clientes que vieram a se tornar...

A surpresa para elas é que o que durara anos, por vezes em uma, duas, três semanas, ou em poucos meses, cede...; e, então, começa a abrir o espaço interior para que, pela via da confrontação, a pessoa comece a parar de chocar seus quase/dramas; e, assim, sem pena de si mesmo, sem transferências de nada para ninguém, sem auto-piedade ou auto-comiseração, o individuo comece a reagir; e, em não muito tempo, comece a ficar perplexo com os resultados...; sem saber a razão de não ter que ser um processo necessariamente tão longo e demorado no atingimento dos desejados resultados...

Na realidade o que a maioria das pessoas necessita é do encaramento na e da verdade!

Noto o despreparo brutal da maioria dos chamados profissionais de Psicologia. Alguns nada dizem apenas porque não têm mesmo o que dizer... Outros gostam da lentidão... Ela é lucrativa... Há ainda os que são tão doentes que fazem psicologia para se distraírem de si mesmos ouvindo os outros... Mas poucos há com consciência do que seja a ajuda que as pessoas precisam...

Ora... isto sem falar naqueles que são pagos apenas para consentirem com o devaneio do individuo...

São os Psicólogos do “vamos que vamos”...

Sim, você o paga apenas para que ele diga que você tem razão em soltar todas as frangas e todos os bichos do seu zoológico particular...

No meio disso tudo, há alguns profissionais da psicologia que são de fato muito bons, embora poucos.

O que me ressinto mesmo é do fato que se houvesse entendimento do Evangelho, e amor e limpidez de propósitos, todo verdadeiro pastor de almas naturalmente seria um psicólogo.

Mas quase não há tal coisa... A maioria dos pastores está tão perdida que nem mesmo dá conta de sua própria alma, quanto mais da dos outros!...

A receita de cura de Isaías é simples [cap.58]: liberte os oprimidos, quebre cadeias nos outros, franqueia a vida ao próximo, não fuja dele; e mais que isto: abra a sua própria alma com o aflito [deslocando o foco do “si-mesmo” para o outro] — pois, então, se diz: A tua cura brotará sem detença!...

A melhor terapia desta vida sempre será o serviço em amor!

Quem se esquece de si e arranja olhos para a vida, em geral ficará curado enquanto limpa feridas e cuida de angustias alheias...

Aquele, porém, que apenas cuida de si mesmo, de suas supostas dores, e concentra-se exclusivamente em sua angustia como elemento pivotal da existência universal, esse pode contratar o melhor psicólogo para que lhe ande a tira-colo, pois, ainda assim, jamais ficará curado...

Ninguém sabe em que espírito o Samaritano vinha sem seu caminho... Entretanto, pouco importa se ele vinha cantando, alegre, feliz e grato, ou se vinha sofrendo, angustiado e infeliz... Sim, o que importa é que ele olhou para o outro, o outro pior do que ele, o outro sem autodeterminação, caído no caminho... E mais: fez isso sem que importasse quem ele ou o outro fossem um para o outro...

Sem que fosse significativo como o Samaritano estivesse se sentindo, o que valeu foi o ato, foi o feito, foi a parada e o levantar do homem...

Sim, o importante não era a subjetividade, mas a objetividade da decisão...

Digo isto hoje porque vejo que muitos dos que me escrevem jamais ficarão curados enquanto não se esquecerem de si mesmos, e, enquanto não transformarem sua auto-vitimização em ação pró-ativa em favor da vida...

Pense nisto; e pare de lamber adoecidamente as suas próprias feridas...

Nele, que nos cura pela verdade e pela prática do amor voltado para aquele que vemos..., e que carece de graça e cuidado,

Caio

28 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

www.caiofabio.net

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