sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

“Não há Educação sem amor”

Há uma máxima do educador Paulo Freire fixada em minha cabeça: “Não há educação sem amor”. Ele entendia que o ser humano é inacabado, e que mantém-se em processo de formação através da partilha de conhecimentos, o que só acontece mediante o respeito, o diálogo, a integração e a comunicação. Isso implica em reconhecer o próximo como sujeito, como indivíduo, enfim, como ser humano. Isso implica em despojar-se de qualquer sentimento de superioridade e entender o próximo como semelhante.
Palavras iguais a essas já foram ditas por diversas vezes na história da humanidade, mas elas são perigosas. Vale lembrar o momento em que foram prender o Nazareno. O Evangelho assim registra essa passagem: “Naquele momento, disse Jesus às multidões: (...) ‘Todos os dias, no templo, eu me assentava convosco ensinando e não me prendeste’.” Ora, sinto é como se Ele estivesse questionando: “O que há de tão perigoso no que Eu ensino? – Amar ao próximo, amar os inimigos?”
Imaginemos como seria, por exemplo, uma cidade na qual todos amassem os semelhantes. Haveria um empenho tanto do poder público quanto da sociedade civil em urbanizar as favelas, moralizar o serviço de saúde, construir uma educação eficiente e prazerosa, minimizar a mendicância, enfim, a dignidade, a paz e a justiça social seriam o alvo das pessoas. A mídia teria como objetivo a formação humana e não o lucro. As empresas enxergariam os funcionários como seres e não como ferramenta de produção. Os serviços e produtos seriam oferecidos com foco no bem estar dos seres humanos. As relações sentimentais não seriam enxergadas como método de obtenção de status nem moeda de troca. As ações relacionadas ao meio ambiente seriam acentuadas, no sentido de promover uma integração entre todos os seres vivos.
Esse sonho é motivo de alerta para aqueles que se beneficiam com o modelo social que predomina na atualidade. Os que sobem os degraus da pirâmide social através das carências nas favelas, do lobby com os serviços, educação e segurança, enxergam na estratificação das camadas sociais o melhor dos mundos, no qual pessoas são troços sem valor e os troços são valorizados.
Ir de encontro a essa lógica é valorizar a vida. E a escola necessita vislumbrar o horizonte de que a vida humana é o que há de mais precioso no Universo. Essa é a tal da “educação com amor” que Paulo Freire nos dizia. As mais variadas disciplinas – Português, Matemática, Geografia, Química, História, Literatura etc. – nada mais são do que caminhos para a compreensão do ser humano e suas relações com o espaço e com o próximo. Não se deve estudar para ‘passar de ano’ ou, pior, para ‘passar no Vestibular’. Devemos estudar para nos conhecermos melhor – nossas atitudes, nossos sentimentos – e conhecermos melhor o nosso próximo e o ambiente no qual estamos inseridos. Após conhecermos (e conhecermo-nos), nos transformamos em co-autores e artesãos de um novo amanhã, mais justo, mais digno, enfim, mais belo.

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