domingo, 22 de março de 2026

Praia ao luar

 



Certamente Caspar David Friedrich é o nome mais famoso do romantismo alemão. Nascido no dia 05 de setembro de 1774 na cidade de Greifswald, desde muito cedo começou a fazer pinturas e esculturas. Telas como ‘O Monge e o Mar’; ‘O Viajante sobre o Mar de Névoas’ e ‘A Árvore dos Corvos’ são algumas de suas obras mais famosas.

A natureza corresponde a um elemento central em sua pintura. Geralmente, seus quadros são vazios de pessoas e representam a fragilidade humana diante da grandeza do mundo que o rodeia. Assim, seu trabalho vai além de retratar a paisagem, mas também poetizá-la. Destarte, trazendo uma mensagem acerca do espiritual e do sublime para o contexto do século XIX, já marcado pelo materialismo.

Vamos falar um pouco sobre uma das suas primeiras pinturas, cujo título é ‘Praia ao Luar’. A imensidão do oceano e os rochedos implicam em uma sensação de infinitude, o que confere à obra uma certa melancolia. Quem observa a pintura sente-se participante da paisagem, que é eivada de sombras. A obscuridade, contudo, é rompida por um ‘fio de luz’, que representa a presença de Deus.

Em tempos sombrios, a arte vem nos lembrar que – assim como expressa o Gênesis –, quando a Terra está em desordem (“sem forma e vazia”), o Espírito do Senhor Deus paira “sobre as águas”. Fica a expectativa, até que o silêncio seja rompido pela Voz do Alto que diz “Fiat lux”.

Jénerson Alves

sexta-feira, 6 de março de 2026

Pensando em Deus - Soneto

 



Penso em Deus, e pensando nEle eu cismo,
Num mistério de cunho teológico,
No fervor científico, psicológico,
Com questões que englobam o misticismo.


Não me curvo ao teor do panteísmo,
Nem sinais do enigma astrológico,
Não é só um viés antropológico,
Nem o choro em rancor do ateísmo...


Vejo em tudo o fulgor dos toques Seus,
Porém nada contém o poder dEle;
Não é tudo, tampouco “Tudo é Deus”...


A um tempo: imanente e transcendente.

Tudo é dEle, por Ele e para Ele;
Glória, pois, para Ele, eternamente!



Jénerson Alves



(Tela: Cristo em Emaús, de Rembrandt)

sábado, 31 de janeiro de 2026

A mensagem esquecida em ‘Nefarious’ - por Jénerson Alves

 


Já faz algum tempo que o filme ‘Nefarious’ virou uma espécie de febre na internet. A obra é um terror racional, praticamente sem violência, e conta a história de um psiquiatra norteamericano que vai determinar a sanidade mental de um criminoso e constata que ele está possuído por um demônio.


Se, biblicamente, o diabo é o pai da mentira, no filme ele apregoa verdades – algumas, porém, sob a versão do inferno. O ente trevoso conta as etapas da possessão, que nasce com pensamentos aparentemente simples e manifesta-se após a normalização do mal.


A obra deixa clara a existência dos demônios. Inclusive, até um padre moderninho – que enxerga o demônio sob um prisma meramente psicológico – é ridicularizado. Ao contrário da visão hodierna de que os ‘demônios’ são como ‘formas-pensamento’ ou somente expressões emocionais, o filme pontua que esses são seres sobrenaturais, com experiência, força e inteligência superiores às dos homens.


Interessante é o filme abordar a realidade do conflito cósmico, mas uma parte da história parece ser esquecida. Se uma pessoa atormentada pelas hostes infernais pode causar impactante horror, aquele em quem habita o Espírito Santo pode saber até as coisas mais profundas de Deus.


Embora certas temáticas atuais, abordadas no filme, tenham nítida origem satânica, não é a simples oposição a elas capaz de transformar o ser humano. Isso só é possível pela fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.


Que sempre possamos nos lembrar da mensagem esquecida em ‘Nefarious’ – a qual seria assim sintetizada por S. Paulo: “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Ef 6:10-11)



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

IA: das telas de Hollywood à realidade que nos espera - por Jénerson Alves

 Recentemente, o ator Ben Affleck emitiu uma opinião contundente, afirmando que a Inteligência Artificial está distante de desempenhar um papel relevante na indústria cinematográfica. “Não acho muito provável que [a Inteligência Artificial generativa] consiga escrever algo significativo ou que faça filmes de raiz”, declarou Affleck, que é um dos protagonista do mais recente filme da Netflix, intitulado "The Rip - Ponto de Ruptura". 


Entre outras coisas, essa declaração nos leva a refletir sobre a forma como a IA tem sido utilizada, seja por Hollywood, seja pelo cidadão médio. Da personagem ficcional HAL 9000 (de "2001, Uma Odisseia no Espaço") a enredos como o de "A. I. - Inteligência Artificial" (2001) ou "Ex Machina: Instinto Artificial" (2014), vemos como os algoritmos inteligentes têm sido cada vez apresentados de forma positiva para a população.


Possivelmente, em alguns anos, veremos uma enxurrada de filmes criados basicamente por ferramentas de IA, sem a coloração e expressividade que somente a mente humana seria capaz de criar. Os catálogos ficarão repletos de filmes medíocres (já o são, aliás), mas de produção muito mais barata do que a atual - sem a necessidade de pagar roteiristas, atores, diretores e outros profissionais da produção.


Neste futuro distópico, o contraponto será o que hoje já serve como ponto de equilíbrio: não deixar que a Inteligência Artificial suplante a inteligência humana. Lembremo-nos de que os entusiastas da IA supervalorizam os benefícios desta para a humanidade. Sam Altman, criador do ChatGPT, apregoa que a tecnologia poderá encontrar a cura do câncer ou aumentar a longevidade das pessoas. Entretanto, o que se vê no cotidiano é a IA sendo usada pela população para criar memes e espalhar notícias falsas. Venderam a pílula da saúde, entregaram uma foto bonitinha com o Chapolin Colorado.


Acredito que aprenderemos, enquanto sociedade, como lidar com a IA, beneficiando a vida humana e melhorando o bem-estar coletivo. Para isso, convém nutrirmos nossas inteligências - intelectual, emocional e espiritual. Essas qualidade brotam, naturalmente, onde há talento, cultura e liberdade.



sábado, 17 de janeiro de 2026

Ikki de Fênix e a nossa decisão - por Jénerson Alves

 


Desde criança, Ikki de Fênix era o mais forte entre os garotos que treinavam para ser cavaleiro de Atena. O irmão mais velho de Shun tinha um ar sério e, não raramente, rude.


Durante o traumático treinamento na Ilha da Rainha da Morte, perdeu Esmeralda, seu amor. Após esse fato, passou a liderar os Cavaleiros Negros, antagônicos a Saori Kido.


Ikki, depois, tomou uma decisão: arrependeu-se e passou a integrar os Cavaleiros de Bronze.


De certa forma, Ikki parece S. Paulo Apóstolo: o perseguidor muda de rumo. Ikki teve o coração purificado pelo irmão; Paulo teve a visão espiritual aberta após ser iluminado no caminho de Damasco.


Ambos os casos podem evocar-nos perguntas introspectivas: de que lado estamos? Para onde estamos indo? Devemos mudar de lado?


Talvez hoje mesmo seja o dia de a Fênix renascer do fogo, deixando perecer uma versão anterior e abraçando uma nova identidade.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Shiryu de Dragão e o nosso sofrimento – por Jénerson Alves

 


Dentre as personagens do anime ‘Cavaleiros do Zodíaco’, Shiryu de Dragão é muito admirado. Sério, calmo, justo, honrado e leal, foi treinado pelo Mestre Ancião, na China.


Uma das suas marcas é a resiliência ao enfrentar o sofrimento, chegando a realizar grandes sacrifícios para proteger os outros. Ao longo da série, ele chega a perder a visão em um duelo, para bloquear o escudo petrificante do oponente e, assim, eliminá-lo, por amor à sua missão de vida.


Shiryu mostra que a dor pode ser uma etapa para o crescimento ético, altruísta e humano. Desta forma, mostrando-nos que é possível lidar com o drama do sofrimento de forma honrada e elevada: não é um padecimento inócuo, é uma doação por algo maior.


Afinal, o sofrimento é universal. Tema recorrente nas artes – presente de Homero a Carlos Drummond, de Graciliano Ramos a Marcelino Freire; está na Pietà de Michelangelo ao Velho Triste de Van Gogh; está na música de Beethoven ao sertanejo universitário.


Também o sofrimento está na Bíblia, desde os tempos de Adão, passando por Jó, chegando até Cristo. O autor de Hebreus testifica: “E na verdade sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (5:8). Crer em um Deus que conhece a dor nos ajuda a ressignificar as agruras.


É claro que a dor divina é distinta da humana, como S. Bernardo de Claraval declarou: “impassibilis est Deus sed non incompassibilis” (Deus mesmo não pode sofrer, mas Ele pode ter compaixão). Nosso sofrimento advém da carência; o dEle advém do amor (que tudo sofre).


É o escândalo da cruz, incompreensível para os gregos, estoicos e gnósticos, mas assim sintetizado pelo teólogo luterano Jürgen Moltmann: “Se Deus é capaz de amar outras coisas, então ele mesmo se abre ao sofrimento, que lhe confere o amor em relação aos outros, e mesmo assim permanece acima do sofrimento graças ao poder de seu amor”.







‘O show de Truman’ e a lição que podemos aprender – por Jénerson Alves

 


No filme ‘O show de Truman – o show da vida’, Jim Carrey interpreta Truman Burbank, um pacato cidadão que vive em Seahaven. Com emprego estável e uma adorável esposa, Truman, aparentemente, leva uma vida feliz.


Entretanto, ele não sabe que tudo ao seu redor é um estúdio de TV, e que, desde recém-nascido, protagoniza um reality show criado por Cristof (Ed Harris) e acompanhado por milhares de pessoas.


Truman começa a desconfiar que algo está errado ao perceber alguns ‘sinais’, como uma iluminação que cai do céu ou uma emissora de rádio que parece narrar todos os seus passos.


A personagem Sylvia (Natascha McElhon), uma figurante por quem Truman se apaixona, tenta alertá-lo da farsa que o rodeia. Ela parece com uma “missionária”, alguém que indica para uma realidade superior à vivida pelo protagonista.


‘O Show de Truman’ é um filme de quase 30 anos que parece apontar para o tempo atual. Com tantas redes sociais, produções de conteúdos e espetacularização da vida, muitas pessoas tornam-se personagens, como se a existência obedecesse a roteiros humanos.


Truman – cujo nome indica, é um “true man”, homem verdadeiro – vai na contramão do engano e procura a verdade. Talvez possamos fazer o mesmo. No filme, a voz de Sylvia foi fundamental neste despertar. Na nossa vida, é fundamental ouvir a voz dAquele que disse: “Ego veni, ut vitam habeant et abundantius habeant” (Jo 10:10).

Praia ao luar

  Certamente Caspar David Friedrich é o nome mais famoso do romantismo alemão. Nascido no dia 05 de setembro de 1774 na cidade de Greifswald...