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100 anos de Rookmaaker; quem foi ele, mesmo? - por Jénerson Alves

 


Não foi uma nem duas vezes. Em encontros com amigos, quando começavam a cantar “Eu leio Rookmaaker” sempre alguém perguntava: “Quem foi esse, mesmo?” Pois bem, hoje (27 de fevereiro) completam-se exatos 100 anos do ‘Hans’, como era chamado pelos amigos.


Nascido em Haia, na Holanda, Rookmaaker se tornou cadete naval do exército holandês em 1939. Dois anos depois, com a Holanda sob o jugo de Hitler, Rookmaaker chegou a ser preso, mediante a justificativa de estar com literatura “antialemã”. Ele estava se relacionando com uma judia, chamada Hendrika Beatrix Spetter, com quem trocou cartas até 1942, quando a comunicação foi cessada. Apenas após solto, ao voltar à Holanda, Hans descobriu que sua amada e a família foram enviadas a Auschwitz.


Na solidão da prisão, Rookmaaker leu a Bíblia e converteu-se ao Cristianismo. Foi apresentado à filosofia cosmonômica – a qual, entre outros fatores, é composta pela compreensão da ordem divina da criação. Pois bem. Após sair da prisão, em 1945, Rookmaaker se dedicou ao estudo das artes, onde aplicou essa cosmovisão, baseada em ideias de autores como Herman Dooyeweerd e Abraham Kuyper. Nesta perspectiva, Deus é percebido na beleza e no cotidiano, mediante a atribuição de significados que conectam o ser humano à realidade.


Nas palavras do próprio Rookmaaker, “(...) a arte não precisa de justificativa, ninguém precisa se desculpar por fazer arte. Os artistas não necessitam de justificativa, da mesma forma que os açougueiros, os jardineiros, os motoristas de táxi, os policiais ou as enfermeiras não precisam justificar com argumentos sagazes o porquê de estarem fazendo o seu trabalho. (...) O significado do trabalho está no amor a Deus e ao próximo”.


Para conhecer mais sobre o assunto, aconselho a adquirir a biografia ‘Rookmaker, arte e mente cristã’, de Laurel Gasque, e as obras de H. R. Rookmaker ‘A Arte Moderna e a Morte de Uma Cultura ‘ e ‘A Arte Não Precisa de Justificativa’, todas pela Editora Ultimato.



Jénerson Alves é jornalista e poeta



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Referências:


ROOKMAAKER, H.R., A arte não precisa de justificativa. Trad. Fernando Guarany Jr.Viçosa, Mg. Editora Ultimato, 2010


ALMEIDA, Vinnícius. Hans Rookmaaker: cosmovisão cristã e uma perspectiva reformada das artes. Universidade Presbiteriana Mackenzie, Teologia. Disponível em <HANS_ROOKMAAKER_COSMOVISÃO_CRISTÃ_E_UMA_PERSPECTIVA_REFORMADA_DAS_ARTES> Acessado em 27.02.2022


PORTO, Allen. Resenha de ROOKMAAKER, H. R. A arte moderna e a morte de uma cultura. Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2015. Disponível em <https://cpaj.mackenzie.br/wp-content/uploads/2020/01/Resenha-3-A-arte-moderna-e-a-morte-de-uma-cultura-H.-R.-Rookmaaker-Allen-Porto.pdf> Acessado em 27.02.2022


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