segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fim de eleição

Encerrada a eleição,
Tão repleta de emoção,
De escândalo, de porfia,
De reportagens soturnas...
Mas, na resposta das urnas,
Venceu a democracia.

Agora, a oposição
Tome nova direção
E aja com equidade,
Para que em todo arrebol
Se faça um trabalho em prol
Do bem da sociedade.

Agora, demos as mãos,
Com respeito, como irmãos,
Que o Brasil pra frente vai.
Pra quem venceu, o sucesso,
Pra quem perdeu, o progresso,
E para Lobão? Bye-bye!

Autor: Jénerson Alves, 26.10.2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Escritora critica participação da escola na formação de leitores

Por Jénerson Alves

A formação de leitores foi tema da primeira palestra do Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig). Na ocasião, a escritora colombiana Irene Vasco contou um pouco de sua experiência naquele país, tendo em vista que ela é fundadora do projeto ‘Espantapájaros’, o qual é considerado uma iniciação para autores de livros infantis, bem como também ministra oficinas e participa de contação de histórias. Segundo ela, desenvolver o apreço pela leitura é um desafio dos centros de educação.

Quando indagada sobre o papel da escola na formação de novos leitores, ela classificou o cenário como “difícil”. “Na Colômbia, a biblioteca pública é uma grande formadora de leitores. Cada vez, surgem melhores bibliotecas públicas com melhores coleções, os bibliotecários estão cada vez mais entendendo o papel de formação de leitores, de fazer contação de histórias, colocar livros nas mãos das crianças, despertar o interesse pela leitura. A escola, porém, está empenhada em atribuir valores, controlar, fazer leituras não para emocionar, mas para fazer trabalhos”, criticou.

Autora escreve livros há mais
de 25 anos. Foto: Jénerson Alves
Além disso, em sua fala, a escritora traçou um panorama sobre como é a educação na Colômbia, elencando desafios e oportunidades. Segundo ela, é necessário, além do acesso ao livro, estimular a leitura, através de atividades lúdicas que resultem na efetiva formação de leitores. “Só conseguiremos formar alunos leitores se tivermos também professores leitores”, disse.

Um aspecto defendido por Vasco é a qualidade estética das obras. “Tem que ser seletivo. Há livros de qualidade literárias e há livros de instruções. Há outros que têm intenções didática para transmissão de valores. Esses não são literatura. As crianças sabem diferenciá-los muito bem, assim como os adultos sabem diferenciar um livro de autoajuda de um romance majestoso”, diferencia.

Apesar de exaltar a importância da leitura, a escritora nega que essa é uma 'fórmula’ para o sucesso. “Não posso olhar os livros como redentores da vida, mas possibilidades de abrir oportunidades. Os livros são ferramentas para encontrar um caminho, não sei se para a felicidade”, comenta, em conversa com nossa equipe.

Ademais, a palestra foi mediada pelo representante do Ministério da Cultura (MinC), Roberto Azubel, o qual destacou que no Brasil o MinC e o Ministério da Educação estão buscando parcerias, no intuito de promover ações conjuntas que estimulem a leitura. Todavia, ele reconhece que há muitos desafios a serem vencidos e que é importante a constante reflexão sobre as políticas públicas a serem adotadas.

Irene escreve livros há mais de 25 anos, conquistando vários prêmios. Licenciada em Literatura pela Universidade del Valle, ela já traduziu obras de grandes escritores, inclusive brasileiros, como Moacyr Scliar, Ana Maria Machado e Marina Colasanti.


O Filig iniciou na quinta-feira 9 e segue até o domingo 12, com palestras, oficinas, rodas de leitura, feiras de livros e apresentações artísticas. O evento é realizado pela Proa Comunicação, com apoio da Prefeitura de Garanhuns, município situado no agreste pernambucano.O blog acompanhará as principais atividades do Festival.
Vasco foi a primeira palestrante do Filig.
Foto: Jénerson Alves


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tou doidim

Chega fico zuruó
Quando óio pra você,
Gostosa ingual manga rosa,
Chêrosa feito um buquê.

Muié, a tua cintura
É do jeito dum pilão,
As coxa são vê um toco,
Cada peito é um mamão.

O prefume do teu corpo
Eu guardo no meu nariz,
E quase que babo óiano
O mexer dos teu quadris.

Na hora que você fala,
Chega fico arrepiado...
Doido pra fazer aquilo
Que o padre diz que é pecado.

Eu, mesmo assim, meio broco,
Fico sempre te óiano...
Tu parece atriz de firme
Do çunema americano!


Oh, menina, eu tou doidim
Pra endoidecer com tu.
Fica cumigo forever,
Mim ame, que I Love you!


Jénerson Alves, 02.10.2014

domingo, 28 de setembro de 2014

Santinha maliciosa

Teus dotes são valorosos,
Misto de gata e rainha:
Os olhos maliciosos,
O sorriso de santinha.

A voz com timbre hipnótico,
Roupa que causa mistério,
E eu sonho um amor erótico
Com essência de etéreo.

Um corpo de violão,
Um jeitinho de boneca,
Diante desta visão
Qual o homem que não peca?

Mas porque tu não enxergas
Que és autora do teu drama?
A quem não te quer te envergas,
E desprezas quem te ama...

Jénerson Alves, 28-09-2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Isso tudo e muito mais



Seu olhar, uma janela
Do palácio da alegria,
Corpo que exprime magia
E muito me desmantela.
Jeito meigo, feição bela,
Suas marcas principais.
O seu jeito me traz paz,
Sua feição me faz bem.
Ei, guria, você tem
Isso tudo e muito mais.

Sua pele é de neném,
Mas sua mente é madura,
Você é essência pura
Do santo aroma do Bem,
Tem o cântico do vem-vem,
O ritmo dos sabiás,
Canção etérea que faz
Reacender minha fé,
Porque, pra mim, você é
Isso tudo e muito mais.

Eu quero pôr em seu pé
Peças raras, honrarias,
As mais finas pedrarias
Das montanhas do Tibet,
Um passeio por Gorée,
Turismo nas capitais,
Ametistas e cristais,
E de pérolas um colar,
A você eu quero dar
Isso tudo e muito mais.

Lhe convidar pra jantar
Com um papo harmonioso,
Num recinto luxuoso
E depois deixá-la em seu lar,
Ouvir o doce estalar
Dos seus beijos divinais
E os gemidos sensuais
Do tresloucado prazer...
Com você quero fazer
Isso tudo e muito mais.


Jénerson Alves, 22-09-2014

(Foto do blog da Carola Montoro)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ah, Guria...

Guria, tu és tão gata,
Que me ata,
me mata

Guria, tu és tão linda,
Que se blinda
e me fascina

Guria, tu és tão santa
(sem manta)
que me encanta

Guria, tu és tão... tão...
que eu fico
...tantam


Jénerson Alves, 16-09-2014


Para acompanhar ouvindo:


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Duas lágrimas

Ela passou a mão no cabelo, jogando-o para trás. O dia estava seco, sem vento, sem graça. E um turbilhão de lembranças invadiu a sua mente. Ela se lembrou que ele tinha um jeito meio estranho – sábio demais para coisas etéreas, abstratas, mas muito bobo diante da vida prática. Ele ficava vermelho toda vez que a via. E os olhos dele brilhavam na presença dela. É claro que ela fingia que não percebia.

Dar uma de doida, meu maior talento.

Ele tinha um jeito de menino imaturo. Enxergava nela sua ponte para si mesmo. Queria encontrar-se ao encontrá-la. Ele não tinha sonhos. Não tinha lar. Não tinha nada. Só ela. Mas, nem isso ele tinha.

Ela nunca o quis. Não que ela não gostasse dele, mas talvez não soubesse distinguir a intensidade do amor que nutria. Mas ela sabia que queria ele por perto. Só não muito perto. Apesar de tudo, ele era bem legal. Tinha uma pureza que não se encontra por aí. Uma sensibilidade que parecia ser sobre-humana.

Ele lia pensamentos. Eu juro. Sim, ele lia. Principalmente os meus...

Como explicar as vezes que ele mandava mensagens de carinho e encorajamento, justamente quando ela estava contando suas dores para o travesseiro, no silêncio das madrugadas? E as vezes que ele completava as frases que ela estava falando? E quando ele a descrevia, nos mínimos detalhes, enquanto conversavam por telefone ou pelo computador?

Era como que ele falava? Sinergia... sintonia... alguma coisa assim....

Chegaram a sair algumas vezes. Como amigos. Ela fazia questão de salientar. Parece que ele nem ligava tanto, até porque ele gostava dela de tal forma que bastava estar junto, bastava participar, bastava existir um pouco na existência dela...

Em uma dessas saídas, ele a abraçou bem forte na despedida. Foi um abraço diferente. Aparentemente, ele estava ‘pegando fogo’. Ela sentiu o membro dele, rígido, entre suas pernas. Ele acarinhou sua nuca, lentamente beijou-lhe por trás do ouvido e foi descendo pelas bochechas. Queria alcançar os lábios. Ela não deixou. Mandou-o parar. Entrou em casa.

Depois disso, não saíram mais. Se viram uma ou outra vez pela rua. A conversa não era lá grande coisa. Um “oi”, um “tudo bem”. Pronto. Ele estava com um olhar triste. Mas ela não se importava mais tanto. Estava decidida. Não o queria. Não sabia o motivo, nem tinha sequer outro pretendente em vista, mas sabia de uma coisa: ele não.

Que merda.

Agora, ela estava sozinha, vestida de preto, diante daquela lápide. A notícia lhe chegou como um baque.

Ele devia ter contado. Ele não tinha esse direito...

Em um relance, duas lágrimas rolam de sua face. Uma por ele, que nunca foi amado; a outra por ela, que nunca amou.

Tresloucadamente, joga-se sobre o bojo tumular. Beijando o epitáfio, exclama: “Te amo! Te amo! Te amo!”

E um estranho sopro gélido e repentino lhe acarinhou a nuca, chegando aos ouvidos, como se dissesse: “Tarde demais! Tarde demais! Tarde demais!”


Jénerson Alves, 23-07-2014

Praia ao luar

  Certamente Caspar David Friedrich é o nome mais famoso do romantismo alemão. Nascido no dia 05 de setembro de 1774 na cidade de Greifswald...