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sábado, 13 de setembro de 2025

Luiz Gonzaga e Luís de Camões: dois imortais - por Jénerson Alves

 


O nome “Luís” significa “ilustre guerreiro”. Entre os “luízes” inesquecíveis, cito Luiz Gonzaga e de Luís Vaz de Camões.


Cantor e compositor, Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu-PE, no dia 13 de dezembro de 1912.


Do poeta Luíz Vaz de Camões, não sabemos quando nem onde nasceu. Se foi em 1509, 1524 ou 1525… em Lisboa, Coimbra, Alenquer ou Santarém…


Recebeu Luiz Gonzaga o título de “Rei do Baião”, como uma das peças fundamentais na construção do imaginário do Nordeste.


Camões é considerado o “Homero das línguas vivas”, o maior lírico e épico da língua portuguesa.


Luiz Gonzaga recebeu influência dos cantadores populares. O baião da viola nordestina foi o elemento que gerou o baião da sanfona de Gonzaga.


Camões recebeu influência dos cancioneiros trovadores, na produção de versos de cinco e sete sílabas.


Diz um poema de Camões:

“Verdes são os campos
De cor de limão;
Assim são os olhos
Do meu coração.”


Diz Luiz Gonzaga, em uma música feita em parceria com Humberto Teixeira:
“Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação,
Eu te asseguro, não chores não, viu, que eu voltarei, viu, meu coração.”


Penso que ou Luiz Gonzaga leu Camões ou a inspiração dos dois era muito parecida.

Gonzaga e Camões: dois gênios, dois imortais. Jamais serão esquecidos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Poeta, como estão as musas?

 



Sorriso fácil, olhar singelo, andar humilde. Essas eram algumas características do poeta Zé Vicente da Paraíba. Lembro-me de uma vez que me deparei com ele em um ônibus. Ele se sentou ao meu lado, perguntando: “Poeta, como estão as musas?”, referindo-se à inspiração para compor novos trabalhos. Eu ainda era um adolescente, com pouca criatividade. Ele me incentivou a continuar escrevendo e me entregou um papel com o mais recente poema da sua lavra, naquele momento.


Estávamos no início dos anos 2000. Era fácil topar com Zé Vicente pelas ruas de Caruaru, seja no Museu do Cordel, no Projeto Bebendo Poesia, na Fafica ou nas emissoras de rádio, mais precisamente nos programas de repentistas. Por trás de um corpo debilitado pela idade, havia um espírito iluminado, que diariamente bebia da fonte etérea da poesia.


Tive o privilégio de ouvi-lo cantar em um pé-de-parede no Bar do Vinho, tradicional estabelecimento situado no bairro do Cedro, onde eram promovidos eventos poéticos. Ao lado do também veterano Dedé Gonçalves, Zé Vicente mostrava que seu engenho mantinha-se vívido...


Seu nome é uma referência em nossa poética. Foi o primeiro cantador a gravar um LP do gênero|, em 1955. Autor de poemas como ‘Quanto é grande o Autor da Natureza’, gravado por um sem-número de artistas da MPB, como Zé Ramalho, Jorge Mello, Alceu Valença e Marília Pêra. Com tantos atributos que não cabem nestas linhas.


Voou para o Céu no dia 09 de maio de 2008. Se estivesse entre nós, teria completado 100 anos no último dia 07 de agosto. Às vezes, andando por Caruaru, sinto que o ouvirei perguntar-me: “Poeta, como estão as musas?”. Saudade.



Texto: Jénerson Alves

Foto: Euclides Ferreira

sábado, 30 de abril de 2022

Jefferson Moisés: “Sou apenas um brincante e misturador das palavras”

 



Poeta declamador e cordelista consagrado, Jefferson Moisés é um dos mais autênticos defensores da cultura nordestina. Nesta entrevista, ele fala sobre a importância da Literatura de Cordel e os rumos desta arte na região. Confira:



Conte-nos como começou seu envolvimento com a Literatura de Cordel...
Jénerson, o primeiro contato com a poesia foi ainda na infância, mas eu não imaginava que se tratava de literatura de cordel, acreditava sim, que fosse apenas uma poesia contada por algum poeta, que foi justamente quando meu pai comprou uma fita cassete do poeta e cantor Amazan declamando essas poesias engraçadas, então acabei memorizando rapidamente e assim declamava para os amigos, eu me sentia bem fazendo aquilo mas, foi no ano de 2017 através do poeta Nelson Lima que eu tive esse interesse para ter o conhecimento do que era literatura de cordel e vi que era algo bem mais do que imaginava, uma literatura com regra, praticamente com matemática devido
à sua metrificação, suas rimas, todo esse conjunto de regras. Então, foi justamente nesse ano que eu acabei mergulhando mais a fundo nessa Literatura e a cada dia estou pesquisando, procurando mais informações, aprendendo com grandes poetas, com os repentistas, pessoas ligadas a literatura de cordel e já são 5 anos declamando, escrevendo as minhas poesias e continuo me sentindo bem fazendo isso.



Na sua opinião, ser poeta é um dom ou uma habilidade adquirida com estudo?
Quando se olha as trajetórias dos poetas Patativa do Assaré e Leonardo Bastião como exemplo, você observa poesias magníficas de poetas que não tiveram estudos, que não frequentaram escolas ou se frequentaram foram por pouco tempo em sua infância, então esse é um grande exemplo de Dom, eles receberam o dom de poeta, mas sim pode se adquirir essa verve poética com estudos, com pesquisas, com leitura, que é o que estou fazendo. Na realidade, nem me considero poeta; sou apenas um brincante e misturador das palavras.


Você também é ator. O conhecimento no teatro favorece sua performance poética?
Apesar de estar sentindo falta de atuar no teatro apresentando alguma peça, esquete, sim ajuda bastante na performance poética pois o teatro deixa você mais "sem vergonha", assim posso dizer, e sabemos que muitas pessoas têm dificuldade de falar em público, lidar com a plateia, na verdade nunca tive essa dificuldade, sempre fui muito amostrado, no sentido bom da palavra, era o palhaço da turma, enfim.
Mas tem me ajudado sim a transmitir o sentimento que a escrita quer passar ao público.


A internet favoreceu a valorização do Cordel?
Falaram que o Cordel iria desaparecer com a chegada do rádio e o Cordel foi inserido no rádio, como falaram com a chegada da televisão e o Cordel foi parar nas novelas, filmes e minisséries e com a internet a mesma coisa. Lembro Jénerson, que fizemos uma peleja virtual, publicamos na rede social... Eita, até rimou...
Anunciamos o nosso CD versos diversos todo no formato de cordel também na internet, como também publicamos o nosso cordel em homenagem aos cem anos do time do Central de Caruaru, então a internet tem sim ajudado a valorizar nossa Literatura como tem facilitado na pesquisa de sua história e também dos poetas.


Praia ao luar

  Certamente Caspar David Friedrich é o nome mais famoso do romantismo alemão. Nascido no dia 05 de setembro de 1774 na cidade de Greifswald...