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sábado, 19 de fevereiro de 2022

"A literatura serve como um espelho que reflete a vida", afirma a professora Sabryna Thais

 



Conversamos com a professora Sabryna Thais, que também é mestranda em Estudos Literários pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela analisou a importância da Semana de Arte Moderna na historiografia literária brasileira e comentou sobre o papel da literatura na formação humana. Confira:


Estamos no centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, um tema que ainda gera polêmica. Qual sua visão sobre o assunto?

A Semana de Arte Moderna, sem dúvida, foi um marco na nossa história literária e das artes em geral, e teve sua importância, apesar das críticas e das polêmicas. Os artistas e escritores que participaram desta Semana tinham o intuito de trazer uma nova ‘cara’ para a literatura e para as outras artes. É importante essa renovação das artes, embora isso não implique dizer que devemos nos esquecer do que tínhamos até então. Devemos ter como base tudo de bom que recebemos dos grandes que vieram antes de nós. Porém, essa renovação – que fazia parte do momento histórico vivenciado principalmente em São Paulo – precisava ser demonstrado nas artes, e foi isso o que eles fizeram.

A qualidade dos quadros, das pinturas, da literatura produzida na Semana de Arte Moderna pode ser questionada, mas a intenção da mudança é necessária, de épocas em épocas. Então, nós devemos, sim, reconhecer a importância do movimento. Não somos presos à Semana de Arte Moderna, podemos criticá-la, mas hoje nós nos apoiamos naquilo que eles fizeram, tanto quanto com o que foi feito por aqueles que vieram antes, antes e antes.



Os autores da Semana de 1922 eram realmente talentosos ou foram ‘massificados’ midiaticamente e pela universidade?

Bom, os autores da Semana de Arte Moderna eram, sim, talentosos. Por exemplo, Oswald e Mário de Andrade têm seus talentos reconhecidos pelos críticos e pelo público. Porém, talvez, pela ânsia da ruptura, entraram um pouco por uma questão midiática, revolucionária, a vontade de agradar um grupo. Isso não quer dizer que não devam ser apreciados.



Do ponto de vista literário, a Geração de 1930 ‘sepultou’ a de 1922?

Na literatura, principalmente, nós nos apoiamos nos grandes escritores do passado. Então, mesmo os autores de 1930 buscando uma certa ruptura com os autores de 1922, eles dão continuidade ao Modernismo, dentro de bases e colunas. Então, não acho que a Geração de 1930 ‘sepultou’ a de 1922: ela se uniu e trouxe uma nova face, inaugurando uma nova fase, em nossa literatura.



Como você enxerga a importância do ensino de Literatura na Educação Básica?

O ensino de Literatura na Educação Básica é de extrema importância. Primeiro porque quem não lê bem não consegue desenvolver o que tanto se fala na educação brasileira, que é o pensamento crítico. Aplicar a Literatura desde cedo pode mudar todo um cenário futuro da Educação, com implicação nas outras áreas – Ciências, Matemática, Química, etc. Isso porque, através da Literatura, os estudantes vão saber interpretar o que estão lendo. Hoje, vemos que muitas vezes os alunos erram porque leem, mas não conseguem decodificar o que está escrito. Então, acredito, sim, que a Literatura deve ser trabalhada desde cedo nas escolas, e trabalhada bem.



Em que a literatura (sobretudo a clássica) contribui para a formação do ser humano?

A literatura contribui na formação do ser humano no sentido de que ela nos ajuda a observar. Ela serve como um espelho que reflete nossa própria vida e a vida dos nossos pares. Ela contribui para que possamos nos entender e entender nosso próximo e, assim, convivermos melhor. Passamos a ter consciência de que outras pessoas passaram e outras passarão pelas tristezas, angústias e sentimentos que eu passo hoje. Os personagens nos trazem tipos humanos, que são os mesmos desde os primórdios da antiguidade até hoje – e sempre serão. A literatura trata dos assuntos universais, que Aristóteles fala, que não vão mudar. As sociedades mudam, a cultura muda, mas o ser humano muda muito pouco. Então, a partir da literatura a gente consegue buscar um processo de individuação e sermos pessoas mais empáticas e compreensivas quanto ao outro e ao mundo. Sem dúvida, isso também nos ajuda a pensar, raciocinar, falar e contribuir melhor no convívio em sociedade.


quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Aleir Galvão, um legado de conhecimento

 


Éramos estudantes do 1º período de Letras na Fafica, em Caruaru. A aula era de Fundamentos da Educação. A professora, Maria Aleir Ribeiro Galvão – uma das maiores referências na região. Durante a aula, ela fez um comentário sobre a importância da interação entre família e escola:


- É muito triste ver o olhar de uma criança, em uma apresentação escolar, procurando o pai ou a mãe na plateia e não os encontrando…


Lembro-me que, de um por um, alguns alunos foram saindo da sala. Ao contrário do que alguns podem pensar, os estudantes não deixaram o local por indignação ou desprezo. O motivo foi outro: a sensibilidade para com o fazer educacional, de forma holística.


- Ela fala sobre Educação de um jeito que faz a gente chorar… - foi o comentário de uma colega que ficou gravado no meu coração.


Acho que essa frase sintetiza um pouco do trabalho dessa admirável educadora. Contudo, não era apenas o jeito de ela falar sobre Educação. Ela respirava Educação; ensinava até mesmo com o silêncio, com um olhar, com um sorriso. Aleir Galvão deixou um legado de conhecimento por onde passou. Além da Fafica, lecionou no Colégio Sagrado Coração – instituição de ensino que completou 101 anos de fundação recentemente. Foi secretária de Educação em Agrestina, município onde também foi diretora do Colégio Estadual Professor José Constantino. No Colégio Diocesano de Caruaru, Aleir atuava desde 1993. Na direção pedagógica, conduziu a escola aos elevados padrões onde ela se encontra atualmente. Ela contribuiu na educação de várias gerações da nossa região.


Na manhã de quinta-feira (09.09), recebi a triste notícia que Aleir nos deixou, aos 71 anos de idade. Ela estava há 12 dias internada em um hospital particular e teve falência múltipla dos órgãos.


Redijo essas frases com o coração em prantos. A educação perdeu uma das suas mais relevantes guerreiras. Aleir descobriu a vocação para o lecionato quando ainda era bem jovem. Nunca se furtou ao dever; sempre honrou seu labor e seus alunos. Havia lastro em suas palavras, fortaleza em seus ensinamentos, verdade em suas aulas. Um exemplo que nos arrasta à essência da Educação. As novas gerações de educadores têm muito a aprender, seguindo os passos dessa genial professora.



Jénerson Alves




Praia ao luar

  Certamente Caspar David Friedrich é o nome mais famoso do romantismo alemão. Nascido no dia 05 de setembro de 1774 na cidade de Greifswald...