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sábado, 26 de fevereiro de 2022

“Estou prestes lançar um projeto chamado Riacho de Cantoria”, anuncia Luciano Leonel

 

Uma das maiores referências do Repente na atualidade, o cantador Luciano Leonel faz uma análise do atual cenário da cantoria e antecipa seus projetos profissionais. Confira:





Há algumas décadas, muitos ‘previam’ que a cantoria de viola estava prestes a acabar. Essas ‘previsões’ foram corretas?
A cantoria que é uma arte de mais de 200 anos de existência, vem ao longo do tempo sofrendo algumas modificações, na forma de ser exposta e na sua própria execução. No entanto, nunca perdeu a sua verdadeira essência e por esse motivo se mantém firme e evidente até os dias atuais, mantendo um ciclo de inovações de repentistas e ouvintes de cantoria, os famosos apologistas. Dito isso, tenho plena convicção que a arte da cantoria só seria extinta se não surgissem novos cantadores, mas por outros motivos acho difícil que acabe, até porque enquanto houver cantadores haverá ouvintes.


O advento da internet ajudou a divulgação da cantoria?

A cantoria poderia estar em um patamar bem mais alto se as grandes mídias tivessem dado a atenção que a cantoria merece. Apesar de hoje ter o reconhecimento como profissão e o repente como patrimônio, a meu ver, a cantoria ainda sofre muita discriminação. A chegada da internet abriu uma janela para cantoria, na qual podemos divulgar e defender nossa arte com mais afinco. Tem sido de suma importância para nossos trabalhos e na pandemia foi uma forma de continuarmos trabalhando mesmo longe do público.

Além do repente, as canções de viola têm alcançando um bom espaço entre o público. Você acha que isso pode, de alguma forma, diminuir a força do repente?

As canções fazem parte de um pacote de gêneros que pertencem à cantoria, mas de forma alguma teria como diminuir a força do repente, até porque sem repente não existe cantoria. Um show só de canções pode ser chamado de qualquer outra coisa, menos de cantoria - algo que só se destaca pelo encanto do improviso.

Quais são seus projetos profissionais?

Atualmente, estou prestes lançar um projeto chamado ‘Riacho de Cantoria’. O nome do projeto faz alusão à cidade de Riacho das Almas-PE, onde moro atualmente e tocarei o projeto. Trata-se de cantorias bimestrais em um local já definido e com transmissão pelo Facebook na nossa página. O projeto contará com sócios colaboradores e amigos apoiadores da cantoria. A estreia está prevista para o dia 19 de maio deste ano.

Há alguma estrofe que você improvisou e marcou sua carreira? Qual?

Foram muitas estrofes, durante esses 24 anos de carreira. Porém, uma que muito se destaca é a que fiz em Campina Grande-PB em 2010, quando me solicitaram o mote ‘Pulei da porta da morte / pela janela da vida’:

A vida não é mesquinha,
Mas tem surpresa de monte.
Vai ser preciso que eu conte
Parte da história minha:
Quando num transporte eu vinha,
Fui vítima de uma batida
E a mão de Deus estendida
Me retirou do transporte.
Pulei da porta da morte
Pela janela da vida.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

‘Clube do Repente’ completa 15 anos em Campina Grande-PB

Uma vez por mês, poetas e amantes da cantoria de viola têm um destino certo em Campina Grande-PB: o Restaurante Urca Grill (que fica na Rua 13 de Maio, 164), onde acontece o projeto ‘Clube do Repente’. Sempre com uma dupla de cantadores diferente, o projeto completa 15 anos de atividades nesta quinta-feira (02). A festa será regada a muita poesia: um show de canções com Antônio Silva e apresentações das duplas Ivanildo Vila Nova & Luciano Leonel e André Santos & João Lourenço. A noitada de viola também será transmitida pelo canal do YouTube (Iponax Vila Nova).

O coordenador do projeto, Iponax Vila Nova, conversou com o nosso blog sobre a história e os rumos do Clube do Repente. Confira:




Como surgiu a ideia de criar o Clube do Repente?
Em 2005, eu comecei a apresentar um programa de rádio. Já vivia profissionalmente da declamação desde 2000. Então, tudo é uma questão de querer se consolidar na profissão. Eu percebi que, além do programa de rádio, teria de promover eventos mensalmente. Naquela época, eu também apresentava um programa de TV voltado para o forró, mas eu também declamava alguns poemas. Então, passei a investir em meu nome, como apresentador, declamador e promovente.

Eu já havia escutado falar que algo parecido com o Clube do Repente já havia sido promovido em Pau dos Ferros-RN, mas durou apenas seis meses, pois os promoventes colocavam apenas a mesma dupla e isso desestimulou a participação do público. Então, defini que teria de ser uma dupla diferente todo mês, para que durasse, mas eu nunca imaginaria que fosse durar tanto!


Quais os principais desafios encontrados na promoção de eventos sistemáticos como este?

É preciso estar o tempo todo motivando o povo. Sócios saem, outros entram. Há alguns que estão desde o começo e formam uma base. O desafio de hoje é manter o número de sócios pagantes para garantir o cachê dos cantadores.

Com o formato híbrido, via YouTube, a gente tem de motivar os amigos que estão acompanhando on-line a colaborarem pagando também. Agora, temos de pagar uma equipe técnica, algo que não tínhamos até o ano passado. Então, a despesa aumentou, mas a arrecadação também aumentou. O desafio é se manter motivado, manter o gostar sempre aceso – e isso eu tenho mantido, de diversas formas, além de buscar que novos sócios apareçam.


Ao longo desses 15 anos, de que forma o Clube contribuiu para os artistas – novos e veteranos?

Eu acho que o Clube do Repente virou uma marca. No tempo da pandemia, durante dois meses conseguimos 60 apoios de R$ 300 – nós chamamos de ‘voucher repente’. A família do Clube do Repente deixou de ser só no espaço físico da cantoria, mas também grupo no WhatsApp. Alguns sócios moram fora de Campina Grande-PB.

Através da força do Clube do Repente, vieram o Fenoger (Festival de Repentistas da Nova Geração), o Femi (Festival Mulheres do Improviso), o Estado contra Estado. Também é um espaço para os cantadores aumentarem sua visibilidade e condições de convites e parcerias. Temos projetos bimestrais em outras cidades, com o Clube do Repente à frente.



Quais os projetos para o Clube? O que podemos esperar nos próximos 15 anos?

Vou tentar manter este projeto por muito tempo. Quem chega em 15, chega em25, quem sabe em 30 também. Continuar promovendo festivais como o Estado contra Estado, o Fenoger… produzir novas ideias, como a noite das canções, ou um circuito com a marca do Clube do Repente. E nunca tirei da cabeça o projeto de criar o programa Clube do Repente na TV. Espero que a gente consiga.

Praia ao luar

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