segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Confissão de amigo


Eu vi os teus olhos tristes
E fiquei preocupado,
Porque sou acostumado
A vê-los com alegria.
E apenas gaguejei,
Sem saber o que dizer...
Eu queria converter
Tua noite em novo dia.

Posso não ser muito bom
Pra falar palavras belas
(E, assim, por meio delas
Confortar a tua alma...)
Mas, dentro de mim, existe
Algo que nem sei dizer...
É vontade de fazer
Que recuperes a calma.

Olha, eu não posso falar
Como deves proceder
Pra semear o prazer,
Alterar tua emoção,
Nem deletar os percalços
Que te fazem lamentar,
Mas eu te dou meu olhar,
Meu ombro, meu coração...


Se quiseres, podes bem
Contar o que estás sentindo,
Que ficarei te ouvindo
E não vou interferir.
Bem sei que não sou perfeito,
Pouco tenho a ajudar.
Eu sou péssimo pra falar,
Mas estou pronto a ouvir.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Cruz, o Arco-Íris e a Voz

No País do futebol, o sentimento de ‘torcida’ espraia-se por diversas dimensões do ser. Inclusive para a religião. Quando o religioso é tomado por este sentimento, o caso é sério, pois perde a capacidade de discernir, de dialogar, de praticar a reflexão. Ao invés de conversas, aparece um vociferar de múltiplas tonalidades, no meio da qual nenhum discurso pode ser inteligível.

Infelizmente, tem sido esse o cenário, no meio evangélico brasileiro, quando se trata da questão da homoafetividade. Historicamente, o assunto é espinhoso e motivo de celeumas e discussões. Aliás, a forma como a religião lida com a sexualidade de um modo geral (inclusive a hetero) é, via de regra, baseada em tabus. Com o avanço das lutas sociais de minorias como o movimento LGBT, que começa a alcançar espaços, os religiosos necessitam demarcar, também, espaço no debate público. O terreno fica fértil para excessos. De ambos os lados. Vale lembrar que esta temática constituiu-se uma das tônicas das eleições de 2010, nas quais discussões sobre economia, políticas sociais e ideologia foram silenciadas. Quando o foco da discussão é distorcido, aparece de tudo. Personalismo, propostas nonsense, enfim, excessos.

Nesse cenário, uma ‘voz’ surge e, com meiguice e doçura, faz um convite para que todos se percebam como seres humanos. Sem megafones, programas televisivos, nem marchas, essa ‘voz’ aparece nas letras do livro ‘Entre a Cruz e o Arco-Íris, a complexa relação dos cristãos com a homoafetividade’ (Gutenberg, 2013). Na obra, a jornalista Marília de Camargo César aborda a complexidade desses dois aspectos. A proposta é demonstrar o lado humano das pessoas inseridas nesse contexto. É uma forma de sair do foco dos bufões que – dos dois lados – expõem discursos inflamados, na busca por um olhar sóbrio acerca dessa questão.

Em entrevista concedida a mim, através do Jornal Extra de Pernambuco, Marília compartilhou um pouco da experiência de produzir esse trabalho. “Começaram a surgir em minha mente perguntas como: como será que é ser homossexual e evangélico? Será que existem muitos evangélicos-gays ou esta é uma contradição em termos? Por que, afinal, as pessoas são gays? A princípio, fui movida por curiosidade. Depois, ao contrário do que parece, percebi que se tratava de um ambiente humano onde havia muita dor, anonimato, pessoas feridas, abandono e abuso. Isso foi me motivando a continuar a pesquisa”, declarou.

Em outras palavras, no caminho de procurar compreender um determinado ‘fenômeno’, a jornalista deparou-se com vidas. Vidas que sonham, que choram, que riem, que pensam, que têm carências, que têm esperança... enfim, vidas. Vidas como eu e você. E, ao ficar diante de vidas, não há como olvidar dAquele que disse: “Eu venho dar vida e vida em abundância”.
Diante dEle, não há como não se render ao Amor. Aliás, Ele é Amor. E a jornalista comentou, ainda, na entrevista: “Existe um jargão evangélico muito conhecido: temos que amar o pecador, mas odiar o pecado. O que significa isso na prática? Na verdade, quase nada. É um discurso meio vazio, uma vez que você afirma que ama, porém luta contra os direitos civis dessas minorias, não aceita que eles tenham plenos direitos de cidadania, ergue faixas nas ruas conclamando guerra contra os gays e anunciando que o inferno os aguarda com chamas ardentes”.

Acredito que essa é uma temática que ainda vai render bastante, tanto nos púlpitos quanto nas praças, nas ruas, nas casas. Mas, principalmente, no âmago daqueles que enfrentam problemas na área da sexualidade. Além das vozes que gritam nos microfones, há vozes que gritam no interior das pessoas. E isso gera confusão, insegurança, desespero. Assim sendo, a voz da jornalista vem como um pedido para que seja feito silêncio, até que se ouça Outra voz. A voz dAquele que dá vida. A voz dAquele que diz: “Venham a Mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e Eu lhes darei descanso. Sejam Meus seguidores e aprendam Comigo porque Sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso”.

O chamado à salvação é para todos. Homos, heteros, ricos, pobres, negros, brancos, homens, mulheres, ateus e evangélicos(!). Todos somos pecadores, pois a nossa natureza é pecaminosa. Isso não tem relação, necessariamente, pelo que fazemos, mas pelo que somos: pecadores. E apenas o amor dEle, que foi materializado no sangue que jorrou no madeiro, modifica essa natureza. Precisamos, portanto, guiar-nos pela voz de Jesus, o Bom Pastor, até o dia em que ouviremos dEle próprio o chamado: “Vinde, filhos benditos”.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Fagulhas de esperança na Educação

Apresentação de estudantes na X Expo
Recentemente, vivenciei dois momentos que me marcaram. Em ambos, surgiram luzes em minha consciência acerca do futuro da Educação. Percebi que é possível, sim, construir um novo devir, com novos significados e novos horizontes. O primeiro deles foi no domingo (24.11). No Parque Ambientalista Severino Montenegro, aconteceu a 10ª Exposição de Conhecimentos do Colégio Criativo, de Caruaru.

O dia inteiro foi marcado por atrações artísticas, espetáculos promovidos pelos próprios estudantes, bem como apresentações em stands com temáticas enfocando o meio ambiente. Diferentemente do que normalmente acontece quanto a esse tópico, as propostas apresentadas conectavam-se com a realidade, traduzindo-se em atitudes simples que podem ser incorporadas ao cotidiano das pessoas para a consolidação de uma nova cultura, a qual traduz a sustentabilidade como uma práxis comum.

Além disso, a mostra homenageou nomes com reconhecida luta pela causa ambiental em Caruaru. Reginaldo Melo, Jorge Quintino, Valter Fábio, João Domingos, Luís Aleixo, Luís Torres Neto, Marcelo Rodrigues, Regeane Papaléo, Severino Montenegro, Aldo Arruda e Flávio Martins foram os homenageados.
Sem dúvida, essa foi uma das maiores (se não a maior) Expo de todos os tempos. O contato com a natureza re-significou inclusive o conceito de aprendizado, mostrando que o conhecimento é partejado pelo dia-a-dia, em todos os momentos e lugares, não é algo estanque e acessado apenas em livros ou alfarrábios.
Valter Fábio, coordenador do Ensino Médio do Colégio Criativo

Outro momento que vivenciei foi na sexta-feira (29.11). O local foi a Escola Estadual Professora Maria Ana, no município de Bezerros. Na ocasião, aconteceu o Ciência Show V, o qual pode ser definido como uma forma de aprender Química e Física brincando. Durante o evento, os estudantes fizeram apresentações de experimentos nas áreas supracitadas, sob a coordenação dos professores das disciplinas, além de contarem com o apoio de estudantes do curso de licenciatura em Química do Campus Acadêmico do Agreste da UFPE (Caruaru).

Cheguei, inclusive, a recitar alguns poemas na abertura do Ciência Show. Mas, sem dúvida, o maior show estava no olhar e nos trabalhos de cada estudante e de cada professor, cujo empenho, dedicação e carinho ao serviço estavam impregnados em cada ação.


Quero, portanto, deixar registrado meu agradecimento a todos os que participaram de ambas as programações. Deixo os nomes dos professores Valter Fábio e Marsivaldo Silva (do Colégio Criativo e da Escola Maria Ana, respectivamente), como referência. Em suma, tais situações apenas testificam na prática uma máxima de Paulo Freire: “Não há Educação sem amor”. Continuem assim, mestres, amando o conhecimento, firmes no propósito sacrossanto de estimular o próximo a elevar o uso da razão aos mais altos degraus. 

Professor Marsivaldo Silva e alunos da Escola Maria Ana

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