Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de abril, 2011

Deus não nos livre de um Brasil evangélico

Por Robinson Cavalcanti, bispo da Diocese Anglicana do Recife Uma primeira constatação   é que estamos ainda distantes de ser um   “país evangélico” : quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de   Igreja . Uma grande distância da ética e da   “vida abundante”   apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho. Percebemos sinais do   sagrado cristã

Deus nos livre de um Brasil evangélico

Por Ricardo Gondim, pastor da Igreja Betesda Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”. Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico. Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz cresci

Eu sou herege

Sinceramente, me sinto cada vez mais deslocado no ambiente evangélico hodierno. Cada vez mais, percebo que não me encaixo nos padrões religiosos, que minha visão é dissonante e que meus pensamentos não são iguais aos da maioria. Um dia desses, conversei com uma grande amiga, e compartilhei que me sentia um herege. Na verdade, ela se escandalizou um pouco com a minha declaração. No fundo, no fundo, eu acho que gostaria de voltar a um passado não tão distante, no qual eu cria que os pregadores falavam “usados pelo Espírito Santo”, que as orações resolviam problemas pessoais e que as questiúnculas protestantes (piercings, tatuagem, roupas, músicas “mundanas” e tal) eram temas da mais alta relevância social, pois traduziam verdades espirituais. Mas não consigo. Não me enquadro nos parâmetros ortodoxos da igreja evangélica contemporânea. Sou um herege. Todavia, vale lembrar que a palavra ‘heresia’ vem do grego, ‘haíresis’, cujo significado literal é 'escolha'. Herege, portanto, é

Mensagem de Páscoa de um ateu

Texto de Ricky Gervais publicado originalmente no   The Wall Street Journal No último Natal escrevi um texto chamado “Uma mensagem de festas de Ricky Gervais: porque eu sou ateu”. O Wall Street Journal o reproduziu e isso causou um certo rebuliço. Pediram-me até para responder a alguns dos comentários. Nesta Páscoa pensei em fazer outro texto. Aqui está: Mensagem de Páscoa de Rick Gervais: porque sou um bom cristão O título deste texto pode parecer um pouco enganoso, ou pelo menos enigmático. Naturalmente, não sou um bom cristão como os que dizem acreditar que Jesus era metade homem e metade Deus. Mas certamente acredito que sou um bom cristão comparado com um monte de cristãos que conheço. Não que acredite que os ensinamentos de Jesus, se fossem seguidos, não fariam desse um mundo melhor. É que eles raramente são seguidos. Gandhi conseguiu resumir bem isso. Ele disse: “Gosto do seu Cristo, mas não gosto de seus cristãos. Seus cristãos são tão diferentes de seu Cristo”. Sempre me senti

Perdi a fé

Por  Ricardo Gondim, pastor da Igreja Betesda Sentado na quarta fileira  de um auditório superlotado, eu ouvia um renomado orador cativar mais de mil pessoas com sua oratória carismática. Na contramão do frenesi provocado por ele eu repetia para mim mesmo: “Não, não posso negar, já não comungo com os mesmos pressupostos deste senhor”. Aliás, parece que ultimamente vivo em controvérsias, tanto pelo que escuto quanto pelo que falo. Algumas pessoas me perguntam se provoco polêmica para fazer tipo. Outros querem saber se sei aonde quero chegar. Respondo: “Estou mais certo dos caminhos que não quero trilhar”. Muito de minhas controvérsias  surgiram porque eu me recuso a escamotear dúvidas com cinismo. Fujo de tornar-me inconseqüente nas declarações que possa fazer a respeito de Deus e da fé. Receio perpetuar uma espiritualidade desconectada da vida. Reconheço, algumas intuições sobre teologia ainda estão verdes. Mas, nem sei se quero que elas amadureçam. O pouco de sentido que me fazem ba

Uma Igreja Chamada Vertigo

Por Carlos Bezerra Júnior , médico e deputado estadual pelo PSDB-SP “Hello, hello! I’m at a place called vertigo…” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso. Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de com

Não abandono a Cristo nem a sua Igreja, mas ficarei extremamente aborrecido com a minha igreja se...

Por Elben M. Lenz César, editor da Revista Ultimato • Os cristãos ortodoxos demais não colocarem no mesmo nível os pecados sexuais e os pecados sociais. • Os cristãos fundamentalistas demais aprovarem a guerra e condenarem a guerrilha. • Os cristãos pentecostais demais não colocarem no mesmo nível de importância os dons do Espírito e o fruto do Espírito. • Os cristãos ecumênicos demais chamarem de irmãos na fé aqueles que colocam Jesus no mesmo nível de Buda e Maomé. • Os cristãos liberais demais disserem que Jesus é só Filho do homem e não Filho do homem e Filho de Deus ao mesmo tempo. • Os cristãos reformados demais não enfatizarem tanto a eleição como a Grande Comissão. • Os cristãos espirituais demais derem um espaço muito grande para a oração e um espaço muito pequeno para a ação. • Os cristãos hipócritas demais continuarem a limpar o exterior do copo e não o interior primeiro e o exterior depois. • Os cristãos esbravejadores demais falarem muito da condenação e pouco da

Repórter do Extra lança cordel com distribuição nacional

O repórter do Jornal Extra e também cordelista, Jénerson Alves (foto), acaba de concluir o mais novo trabalho, intitulado “Carta a uma amiga suicida”, lançado pela editora Luzeiro, da Capital Paulista, com distribuição para todo o País. No folheto, o defensor da cultura popular trata, através dos versos, valores como a importância da vida. Vale lembrar que esse não é o primeiro trabalho do poeta, que também assina vários outros cordéis, um livro, além de dois CDs de declamação. A relação do artista com as letras nasceu desde cedo, quando, aos quatro anos de idade, aprendeu a ler sozinho. Os primeiro versos foram escritos aos 13 anos, tendo no currículo participação em vários festivais, entre eles um nacional, quando, em 2005, conseguiu o 3º lugar com o prêmio melhor cordel, da Biblioteca Belmonte, de São Paulo. Fonte: http://www.jornalextra.com.br/portal/culturaemdia/ Em tempo, Jénerson Alves colabora também com o Programa Espaço Livre da 107 FM e com a Presentia.