segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Entrevista - Pastor Celio, eleito presidente da Associação Agrestina das Igrejas Batista de Pernambuco

Nesta Semana o COISAS DA VIDA traz entrevista com o pastor Célio Correia, que é o novo presidente da Associação Agrestina das Igrejas Batista de Pernambuco. A decisão ocorreu na tarde do último sábado (23), durante a reunião da Associação, que ocorreu na Primeira Igreja Batista de Caruaru e contou com representantes de diversas igrejas e congregações, espalhadas por toda a microrregião agreste de Pernambuco. O líder religioso afirma que o principal objetivo da Associação será aprimorar e desenvolver a proclamação do Evangelho nessa região, no intuito de cumprir o “Ide” de Jesus, o qual é o principal objetivo da Igreja. Presentia fez a cobertura de todo o processo de votação e entrevistou o pastor Célio Correia com exclusividade. Confira:
Como o senhor avalia o processo de votação?
Historicamente, nós, batistas, somos democráticos em nosso processo de votação. Levamos, realmente, o sentido da democracia a pleno. E esse sentimento foi concretizado na tarde deste sábado, na Primeira Igreja Batista de Caruaru. Dessa forma, nós trabalhamos democraticamente, ouvindo a voz do povo batista.
Célio Correia
Quais são suas principais propostas para esses próximos dois anos de mandato?
Basicamente, buscar cada vez mais a unificação das igrejas batistas. Essa é uma necessidade, além de proclamar o Evangelho nos municípios que a nossa associação abrange. Há uma necessidade muito grande do crescimento batista nos municípios. Queremos trabalhar em conjunto com os pastores que atuam nesses municípios.
Entretanto, percebe-se, na nossa região, um déficit considerável na quantidade de pastores. A Associação poderá interferir, ou auxiliar, de alguma forma, nesse sentido?
Veja só. Basicamente, nós estamos com cinco igrejas e duas congregações, da nossa Associação, sem pastores. Então, o nosso trabalho, será, realmente, procurar trazer pastores, ou mesmo seminaristas, para atuar nessa região do nosso estado. Isso vai ser resolvido em parceria com a nossa Convenção, e com a Cevam, que é a Junta de Missões do nosso estado. A ideia é, em conjunto, trazer pastores e seminaristas para atuarem no Agreste.
Quais são os entraves que provocam esse déficit pastoral? O Seminário Teológico Batista do Norte (STBN) não tem formado pastores?
Todos os anos, realmente, são formados vários bacharéis em Teologia. O ponto é a disposição das pessoas. Ninguém pode ser obrigado a trabalhar em determinado lugar. As dificuldades, tanto do Sertão como do Agreste, não são poucas. Isso faz com que as pessoas prefiram a Capital. Isso é notório de se observar, mas é algo a ser trabalhado, inclusive no que diz respeito à convocação e à vocação, realmente, de quem vai ao Seminário, se foi chamado realmente pelo Senhor Jesus Cristo para o ministério, para a Sua santa obra.
Atualmente, a imagem dos evangélicos na sociedade está maculada por causa da má atuação de certos personagens. O senhor acha que os setores tradicionais devem adotar medidas no intuito de limpar essa chamuscada imagem dos religiosos em frente à sociedade?
Uma das coisas que podemos observar é que a denominação batista, da Convenção Batista Brasileira, ainda é muito respeitada na sociedade. Nós temos um papel muito importante, que é pregar o Evangelho de Cristo, que nos foi deixado na Bíblia Sagrada. O nosso princípio é este. E isto faz com que as outras pessoas respeitem o Evangelho. Isso eu digo não por ser pastor batista, mas a história exibe nossa importância e seriedade no trabalho religioso, na ação social, e na vocação ministerial. Nós temos um seminário próprio, nós temos formação para líderes, temos congregações e igrejas espalhadas pelos municípios, onde pastores e irmãos se empenham em proclamar o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Há seriedade no trabalho, sim. Nosso principal trabalho é pregar o Evangelho, que a única esperança para o ser humano é Jesus Cristo. Foi essa a ordem que Ele mesmo nos deixou.
 
Fonte: Presentia

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O São João Gospel e o Show de Irrelevância


Em um site de notícias gospel, lê-se, em tom de celebração, a aprovação do requerimento 114/2013, na Câmara de Caruaru, na sessão do dia 7 de fevereiro. O documento, de autoria do vereador Sivaldo Oliveira (PP), trata sobre a criação do Polo Gospel durante os festejos juninos da Capital do Agreste.
De acordo com a home page, “O Polo Gospel sera mais um Atrativo durante o Festejos Juninos em Caruaru sendo que voltado para o Publico Religioso, Durante o Mês de Junho Caruaru sempre foi carente de Eventos voltados Principalmente para o Publico Evangélico e agora com essa Vitoria na Câmera Municipal o Polo Gospel vem para suprir um Necessidade do Publico Evangélico durante o período junino”.
Antes de tudo, quero deixar claro que nada tenho contra o referido edil, tampouco desejo incitar ódio nos meus amados irmãos do segmento evangélico. Entretanto, quero fazer observações sobre o tema.
Inicialmente, é bom frisar que o fato de um requerimento ter sido aprovado na Câmara não significa que ele será, fatalmente, colocado em prática. O que a Casa aprovou foi que a solicitação chegue ao Poder Executivo, o qual analisará a viabilidade de implementação do mesmo. Portanto, tal tópico deverá render ainda maior debate.
Também quero afirmar que não é papel de vereador ficar organizando evento. Segundo trecho de definição do papel do vereador no site Brasil Escola, “eles devem trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população, elaborando leis, recebendo o povo, atendendo às reivindicações, desempenhando a função de mediador entre os habitantes e o prefeito”.
Acredito que é necessário elaborar normas que viabilizem a implementação de políticas públicas transformadoras. Os políticos – principalmente os vereadores – não são eleitos para representar determinada classe social (seja determinada crença, bairro, profissão, orientação sexual), mas sim para garantir o bem estar da coletividade.
No entanto, para alcançar esse entendimento é necessária uma profunda mudança da consciência. Enquanto isso, vão chover nas sessões ‘ordinárias’ da Câmara enxurradas de requerimentos irrelevantes. E não são apenas como esse do vereador supracitado, tampouco o grotesco pedido de criação do Parque Municipal Gospel (conforme solicitado pelo edil Demóstenes Veras, na última legislatura). Isso vale também para os incontáveis requerimentos de calçamentos de ruas, mudanças de nomes de vias, ou coisas desse tipo. Nesses últimos casos, porque tais solicitações não são acompanhadas de um olhar mais abrangente para a infraestrutura da cidade, mas servem apenas como uma forma de fazer uma média com tais comunidades. Vou tentar ser mais claro. Ao invés de ficar fazendo requerimento para calçar rua A ou B, deveria-se estudar mecanismos de urbanização da cidade como um todo, de maneira planejada e estratégica.
Semelhantemente, ao invés de propor um polo gospel no São João, poderia se propor uma mudança na perspectiva da festa. Em vez de os festejos juninos caruaruenses se limitarem a parte musical em si, poderia-se sugerir que oficinas, seminários, e outros instrumentos de formação cultural aconteçam paralelamente à festa, sobretudo no período diurno. Ora, é tão perceptível no mês de junho avistar, por exemplo, estudantes cabulando aulas para participarem das comemorações no Pátio de Eventos (até porque, às vezes, principalmente nas escolas mais próximas àquele lugar, torna-se uma odisseia conseguir dar aula). Em vez disso, porque não criar possibilidades de que a juventude tenha um acesso mais aprofundado à cultura popular? Isso estaria, evidentemente, atrelado a um projeto de fomento à cultura, que permeasse também outras áreas e outros períodos, no intuito de promover uma nova postura da sociedade diante da vida, enfocando a identidade cultural – o que resulta em uma consciência cidadã.
E eu acredito que esse tipo de cosmovisão deva partir dos políticos com formação cristã, principalmente evangelical. Além disso, outras pautas, como a questão da exploração infantil e sexual, os problemas ambientais, a opressão contra as classes menos favorecidas, devem ser o alvo dos que estão representando o povo, principalmente aqueles que têm como objetivo de vida manifestar o Reino de D-us entre os homens.
Os olhos do cristão vocacionado para a política devem estar voltados para o contexto geral e não para satisfazer micro-interesses da igreja. Vale lembrar que o Memorial Evangélico de 1932 propõe, entre outros itens, “completa laicidade do Estado e [...] do ensino oficial”; “justiça popular, rápida e gratuita”; “absoluta liberdade de pensamento e da manifestação do pensamento”.
Desta feita, ressalto a observação do sociólogo Paul Freston, quando afirma que “como cristãos, somos chamados a ver a realidade brasileira, à medida do possível, na perspectiva de Deus, a pensar ‘o que precisa se mudado para que o Brasil se pareça mais com o plano de Deus para toda a humanidade’”. Uma nova cultura deve ser implementada. Ela começa aqui e agora e termina na cidade que desce do Céu, onde “não haverá luto, nem pranto, nem dor”.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

“Não há Educação sem amor”

Há uma máxima do educador Paulo Freire fixada em minha cabeça: “Não há educação sem amor”. Ele entendia que o ser humano é inacabado, e que mantém-se em processo de formação através da partilha de conhecimentos, o que só acontece mediante o respeito, o diálogo, a integração e a comunicação. Isso implica em reconhecer o próximo como sujeito, como indivíduo, enfim, como ser humano. Isso implica em despojar-se de qualquer sentimento de superioridade e entender o próximo como semelhante.
Palavras iguais a essas já foram ditas por diversas vezes na história da humanidade, mas elas são perigosas. Vale lembrar o momento em que foram prender o Nazareno. O Evangelho assim registra essa passagem: “Naquele momento, disse Jesus às multidões: (...) ‘Todos os dias, no templo, eu me assentava convosco ensinando e não me prendeste’.” Ora, sinto é como se Ele estivesse questionando: “O que há de tão perigoso no que Eu ensino? – Amar ao próximo, amar os inimigos?”
Imaginemos como seria, por exemplo, uma cidade na qual todos amassem os semelhantes. Haveria um empenho tanto do poder público quanto da sociedade civil em urbanizar as favelas, moralizar o serviço de saúde, construir uma educação eficiente e prazerosa, minimizar a mendicância, enfim, a dignidade, a paz e a justiça social seriam o alvo das pessoas. A mídia teria como objetivo a formação humana e não o lucro. As empresas enxergariam os funcionários como seres e não como ferramenta de produção. Os serviços e produtos seriam oferecidos com foco no bem estar dos seres humanos. As relações sentimentais não seriam enxergadas como método de obtenção de status nem moeda de troca. As ações relacionadas ao meio ambiente seriam acentuadas, no sentido de promover uma integração entre todos os seres vivos.
Esse sonho é motivo de alerta para aqueles que se beneficiam com o modelo social que predomina na atualidade. Os que sobem os degraus da pirâmide social através das carências nas favelas, do lobby com os serviços, educação e segurança, enxergam na estratificação das camadas sociais o melhor dos mundos, no qual pessoas são troços sem valor e os troços são valorizados.
Ir de encontro a essa lógica é valorizar a vida. E a escola necessita vislumbrar o horizonte de que a vida humana é o que há de mais precioso no Universo. Essa é a tal da “educação com amor” que Paulo Freire nos dizia. As mais variadas disciplinas – Português, Matemática, Geografia, Química, História, Literatura etc. – nada mais são do que caminhos para a compreensão do ser humano e suas relações com o espaço e com o próximo. Não se deve estudar para ‘passar de ano’ ou, pior, para ‘passar no Vestibular’. Devemos estudar para nos conhecermos melhor – nossas atitudes, nossos sentimentos – e conhecermos melhor o nosso próximo e o ambiente no qual estamos inseridos. Após conhecermos (e conhecermo-nos), nos transformamos em co-autores e artesãos de um novo amanhã, mais justo, mais digno, enfim, mais belo.

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