sábado, 29 de outubro de 2011

A Escravidão

Vieram ao Brasil os negros
Nos torpes navios tumbeiros
Massacrados pelas mãos
De burgueses fazendeiros
Num capítulo que envergonha
A todos os brasileiros.

Trabalhando nos celeiros
Pra cruéis usurpadores
Na história apelidados
De “pés e mãos dos senhores”,
Receptáculos de chagas,
De injustiças e dores.

Mesmo assim, lançaram flores
Nos lugares que estavam,
Que as mães brancas que pariam
Dos seus filhos não cuidavam
E nos seios das amas negras
Os bebês brancos mamavam.

Quando eles se revoltavam
Para os quilombos fugiam
Mas algozes capatazes
Num instante lhes seguiam
E a brisa da liberdade
Por pouco tempo sentiam.

Todo o trabalho faziam
Na mais triste exploração
Lhes eram negadas chances,
Padeciam feito cão,
E o chicote deixou marcas
No corpo e no coração.

Porém na nossa nação
Tem a data registrada
No dia 13 de Maio
Foi a Lei Áurea assinada
Libertando no papel
Essa gente escravizada.

Entretanto, não fez nada
Do que o papel propala,
Só mudaram de cenários,
De chicote para bala,
E hoje mora na favela
Quem morava na senzala.

Está o negro sem fala
Padecendo cruelmente
Quem diz que não racismo
No Brasil atualmente
Não mostra um negro que seja
Cardeal nem presidente.

Escravidão é presente
Não é mancha do passado
O racismo ainda impera
E é o negro explorado
A Justiça não é cega
Mas tem o olho vendado.

O negro é discriminado
Na tradição e na fé
O cristão rejeita os mitos
Da umbanda e candomblé
E diz que a crença do negro
Coisa do Diabo é.

Tem um negro igual Pelé,
Rei dos Campos, que controla.
Porque pra branco racista
O negro só desenrola
Correndo de um lado a outro
Como jogador de bola.

O negro que se atola
Nessa terra brasileira
Se é mulher, dizem que serve
Pra ser uma cozinheira,
E homem, pra ser pagodeiro
Ou pra jogar capoeira.

Padecendo na fileira
Dos menos favorecidos,
Os negros não são trocados,
Nem comprados e vendidos,
Mas sofrem do mesmo tanto
E ninguém ouve seus gemidos.

Muitos estão esquecidos
De não julgar pela cor,
De não tratar o seu próximo
Como ser inferior,
E de plantar no coração
Uma semente de amor.

Lá em São Paulo quem for
Recorda o caso da Zara
Uma empresa escravocrata
Que a mídia não escancara
Pois onde sobra jabá
Falta vergonha na cara.

No Maranhão se depara
Gilson Freire de Santana,
(De Açailândia foi prefeito),
Criatura desumana,
Tinha quase vinte escravos
Na sua terra tirana.

A nossa nação se irmana
Na lembrança tristemente
Na Fazenda Caraiba
Em um passado recente
Foi denunciado um caso
De escravidão cruelmente.

Ali naquele ambiente
Não praticavam ações boas,
No Estado Maranhão
Com maltratos e achoas
Foi mostrada a exploração
De 53 pessoas.

Ameaças e achoas,
Existiam no ambiente,
O MP bateu forte
O juiz tomou a frente
E Inocêncio Oliveira
Nada possui de inocente.

No Pernambuco da gente
Houve um fato nada bom
Trabalho escravo inconteste
(Ficou abafado o som),
Cabo de Santo Agostinho,
Metalúrgica Tecalmon.

Precisa mudar o tom
Dessa inércia que ainda há
Mobilizar as pessoas
Pra não ficar como está,
Gritemos, pois, em uníssono,
“Fim da Escravidão já!”

Jénerson Alves, 25-10-2011

(Atendendo a pedido de minha amiga Ennek)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ex-prefeito mantém trabalhadores em curral com animais

Médico e dono de hospital, Gilson Freire de Santana, que foi prefeito de Açailândia (MA) entre 1997 a 2000, é dono da Fazenda Santa Maria, de onde 19 pessoas foram libertadas. A maioria dormia no curral, junto com animais

Por Bianca Pyl


Operação do grupo móvel de fiscalização encontrou 19 trabalhadores, um deles com 17 anos de idade, em condições análogas à escravidão em propriedade rural pertencente ao médico Gilson Freire de Santana, que foi prefeito de Açailândia (MA) entre 1997 e 2000 e é dono do Hospital Santa Luzia. Do total de libertados da Fazenda Santa Maria, 15 dormiam no curral, ao lado de animais e de agrotóxicos. As outras quatro pessoas resgatadas estavam em uma casa precária de madeira, com o teto prestes a desabar.

"O empregador igualou os trabalhadores aos animais que possui", comparou Márcia Albernaz, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que coordenou a operação. Os empregados dormiam em redes, trazidas por eles mesmos de suas casas, e enfrentavam dificuldades para descansar por causa do barulho dos animais. "Quando dava 3h da manhã, ninguém conseguia dormir mais. Nosso horário [para acordar] era 6h30, mas o vaqueiro chegava gritando com os bichos e aí era uma barulheira danada a madrugada toda", contou João*, que trabalhou por quatro meses no local, foi libertado durante a ação e conversou por telefone com a Repórter Brasil.

Não havia instalação sanitária adequada e nem chuveiros. O banho era tomado a céu aberto. Quando chegaram ao local, os empregados tiveram que construir  um "abrigo" de lona, por conta própria e sem ter receibido pelo serviço, para tomar banho de caneca. "Como a gente não tinha material [suficiente], só dava para cobrir da cintura pra baixo. A água vinha lá da casa do vaqueiro e ficava armazenada em um tambor", explicou a vítima.

A atividade principal desenvolvida na Fazenda Santa Maria é a criação de gado bovino para corte e para produção de leite. De acordo com a fiscalização, o rebanho criado no local soma mais de 1 mil cabeças. Os libertados eram responsáveis pelo "roço de juquira" ("limpeza" para formação de pastagem), bem como pela ampliação e manutenção de cercas. Parte do grupo trabalhava na construção de uma casa próxima à sede.

Os alimentos não eram armazenados de forma adequada e o lixo também não era retirado com regularidade, o que fazia com que o local estivesse infestado de ratos. Os trabalhadores construíram uma cozinha improvisada com tábuas de madeira. A comida era comprada pelos próprios empregados, que juntavam dinheiro e compravam os mantimentos todo mês.

"Cada um dava R$ 50. Aí a gente comprava a comida do mês todo", relatou João. Os trabalhadores faziam um rodízio para cozinhar: a cada dia, um deles ficava responsável pelo preparo da comida. A água usava para beber também vinha de um poço localizado na sede da fazenda. "A gente pegava água lá da casa do vaqueiro [alojado na sede] e colocava em dois tambores, um para banhar e outra para beber e fazer comida. Esse [último] a gente cobria com um pano", completou João. Não havia local para as refeições.

Os libertados não utilizavam nenhum equipamento de proteção individual (EPI); nem mesmo aqueles que se dedicavam à aplicação dos agrotóxicos. Além disso, as roupas dos aplicadores eram lavadas por eles mesmos junto com as outras, o que ampliava o risco de contaminação.
Nenhum dos empregados tinha registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) e o empregador não pagava o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Moradores da região de Açailândia (MA), eles estavam no local há meses; alguns trabalhavam desde maio de 2010.

Com apenas 21 anos, João declarou sentir os efeitos dos anos de trabalho sem a proteção adequada. "Eu sempre bati veneno [aplicação de agrotóxico], né. Só que nunca usei máscara nem nada", contou. Ele reclama de dores, tem acordado enjoado e vem sentindo vontade de vomitar com freqüência.

O libertado declarou ter conhecido "doutor" Gilson quando este último estivera em outra de suas terras para efetuar o pagamento dos empregados. O médico possui outras duas fazendas próximas à Santa Maria: a Berro D´Água, com mais 1 mil cabeças de gado, e a Paraíso. "A gente dormia em outra fazenda dele e ele foi lá ver o trabalho. Depois, fomos para a Santa Maria, onde ainda nem tinha alojamento. E ele nunca foi ver a nossa situação".

O MTE lavrou 31 autos de infração contra o ex-prefeito de Açailândia (MA) por conta das irregularidades encontradas. A ação foi realizada no início de setembro. Contudo, as verbas rescisórias e o valor por dano moral aos trabalhadores só foram efetivamente pagos pelo empregador em 27 de setembro, após a intervenção do Ministério Público do Trabalho (MPT). A procuradora Andrea Tertuliano de Oliveira, que participou do grupo móvel, entrou com uma ação específica para bloquear os bens do fazendeiro. Logo após a fiscalização, Gilson havia se recusado a efetuar o pagamento dos direitos trabalhistas e das indenizações, que somaram R$ 69 mil.
Por conta do risco que corriam, os trabalhadores foram imediatamente retirados do local e aguardaram o encerramento da fiscalização em um hotel na cidade. Gilson também chegou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não cumpriu o acordo de pagar os trabalhadores. O empregador não foi localizado pela reportagem para comentar o caso.
Operação Mauritia
A equipe do grupo móvel que libertou trabalhadores da fazenda do ex-prefeito também participou da Operação Maurítia (nome científico do buriti), que teve como objetivo averiguar o funcionamento de serrarias que fazem extração ilegal de madeira da Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi e das Terras Indígenas (TIs) Arariboia, Alto Turiaçu, Caru e Awá. A blitz, que contou com o envolvimento de mais de 180 agentes públicos, foi composta pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Força Nacional, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além do MPT e do MTE.
De acordo com a auditora fiscal Márcia, diversos problemas trabalhistas foram encontrados nos pontos inspecionados, mas não houve flagrantes de trabalho escravo. "Enviamos à chefia da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) três proposições de interdição de serrarias que colocavam em risco a segurança dos trabalhadores".

*nome fictício para proteger a identidade da vítima

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Deputado propõe lei para banir empresa que usar escravos



O deputado estadual Carlos Bezerra Júnior (PSDB, foto) protocolou, nesta sexta (21), projeto de lei para cassar a inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS (Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de empresas que façam uso direto ou indireto de trabalho escravo no Estado de São Paulo. Na prática, as empresas que comprovadamente utilizarem essa forma de exploração da mão-de-obra, perderão seus registros e deixarão de existir para transações formais. Além disso, os responsáveis por elas ficarão impedidos de exercerem o mesmo ramo de atividade por dez anos.
Em sua página na internet, Bezerra – que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa – afirmou que “o projeto de lei apresentado põe São Paulo na vanguarda da defesa dos direitos humanos no Brasil”.
Hoje, há três formas principais de punição a quem usa trabalho escravo no Brasil: a) as multas do Ministério do Trabalho e Emprego que, apesar do baixo valor, são porta de entrada para a “lista suja” do trabalho escravo, cadastro interministerial utilizado por bancos e empresas, públicas e privadas, e por alguns estados, para restrição de crédito e boicote comercial; b) ações civis, condenações e propostos pelo Ministério Público do Trabalho e decididos ou confirmados pela Justiça do Trabalho – alguns deles tendo chegado a R$ 5 milhões; c) ações e julgamentos criminais, principalmente na dobradinha Ministério Público Federal/Justiça Federal. O artigo 149 do Código Penal, que trata do tema, prevê de dois a oito anos de cadeia para esses casos. Infelizmente, apesar da situação ter melhorados, ainda há poucas condenações (algumas dezenas de casos frente aos milhares de fazendas com libertações), dependendo do comprometimento de alguns juízes para com o tema.
Há projetos tramitando no Congresso Nacional, em Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais para endurecer o tratamento dado aos infratores – da mesma forma que há iniciativas para facilitar a vida deles. O projeto mais importante é a proposta de emenda constitucional 438/2001, conhecida como a “PEC do Trabalho Escravo”, que prevê o confisco de terras em que esse crime for encontrado. Aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara, ela aguarda a segunda votação desde 2004 para depois voltar para análise dos senadores por conta de alterações realizadas pelos deputados.
Bezerra foi responsável por protocolar um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar crimes de trabalho escravo em São Paulo, após o caso envolvendo as roupas produzidas para a rede Zara vir a público. O pedido teve o número suficiente de assinaturas, mas como só cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo, ela não pode ser implantada ainda. Ele também organizou sessões para discutir o caso com os demais deputados e a sociedade civil.

A importância de ler os clássicos


Publicado originalmente no Portal Vermelho
Muita gente já profetizou sobre o fim dos livros e até da literatura, acossados por cada nova iParafernália anunciada pela Apple. Poucos, porém, o fizeram com tanta autoridade e com tanta ênfase quanto o mítico escritor norte-americano Philip Roth, em entrevista publicada na última edição da revista Época.
“A cultura literária como conhecemos vai acabar em 20 anos. Ela já está agonizando. Obras de ficção não despertam mais interesse dos jovens, e tenho a impressão de que não são mais lidas. Hoje, a atenção é voltada para o mais novo celular, o mais novo tablet. Daqui a poucas décadas, a relação do público e do escritor com a cultura será muito diferente. Não sei como será, mas os livros em papel vão acabar. Surgirá outro tipo de literatura, com recursos audiovisuais e o que mais inventarem”, disse à Época um desiludido Roth, que há não muito chegou a anunciar que não escreveria mais.
A sentença do fim da cultura literária anunciada por Philip Roth vem na sequência de um ronrom no meio literário sobre o mesmo assunto envolvendo o nome de um outro escritor não menos célebre, Umberto Eco. Correu a notícia de que Eco estaria reescrevendo sua obra-prima, “O Nome da Rosa”, em uma linguagem mais simplificada, para a geração internet, uma espécie de “O Nome da Rosa para Leigos”.
Elementar demais, meu caro Watson
O novo “O Nome da Rosa” teria menos referências eruditas e seria mais “amigável” para a leitura em tela. O escritor italiano correu para desmentir os boatos, dizendo que está fazendo apenas uma revisão do livro, corrigindo erros para uma nova edição. Mas a notícia de que as aventuras de William de Baskerville e Adso de Melk ganhariam uma linguagem mais moderna já tinha saído nas páginas de alguns dos maiores jornais da Europa, como o francês Le Monde, o espanhol El País e o italiano La Repubblica.
Os boatos sobre Umberto Eco colocaram lenha em uma fogueira que arde e estala com altas labaredas há pelo menos dois anos, desde que a tradicionalíssima editora britânica Penguin causou alvoroço no mundo literário ao anunciar o lançamento de uma coletânea um tanto herética: a reunião de 60 clássicos da história da literatura recriados no Twitter.
Neste livro, Sherlock Holmes informa sobre suas investigações em tempo real, economizando artigos e pronomes: “Investigação continua. Deduzi coisas brilhantes a partir de poucas evidências. Percebeu restos de sal nos sapatos do dono da fábrica?”. Estaria Conan Doyle dando cambalhotas na sepultura?
Werther em 140 caracteres de sofrimento
E Goethe, que diria do seu jovem Werther resumindo os males da alma assim, em 140 caracteres: “Já disse o quanto estou chateado? Estou muito chateado. #pain #angst #suffering #sexdep”?
Diferentemente da adaptação de obras célebres para os quadrinhos, por exemplo, o incômodo com iniciativas como a da Penguin ou com rumores sobre um upgrade, por assim dizer, em “O Nome da Rosa” é a sensação de que se está sendo arrastado por uma torrente irrefreável. Mas há escritores que estão nesta torrente de bom grado. Cerca de um ano após o anúncio do “Twitterature” da Penguin, a Companhia das Letras organizou a série “Clássicos no Twitter”, na qual escritores como Milton Hatoum aceitaram reduzir clássicos da literatura inteiros a 140 caracteres para serem publicados no serviço de microblogging.
É interessante constatar como a discussão sobre literatura e tecnologia se dá mais ou menos nos termos em que o próprio Umberto Eco, em sua célebre definição de apocalípticos e integrados, classificou as diferentes atitudes diante da cultura de massa na era tecnológica: de um lado, aqueles que, como Philip Roth, acham que a literatura tal como a conhecemos sucumbirá aos tablets, smartphones e passarinhos azuis; do outro, os que até se entusiasmam com o imperativo digital se sobrepondo ao papel, e ao papel que o papel até hoje desempenhou. Estes últimos dirão, em sua defesa: o que é a literatura senão, literalmente, uma mensagem de texto?

Copiado de: Livros e Pessoas

A PSICOPATOLOGIA DO RELIGIOSO CENTRADA NA IMAGO DEI

Por Paulo Crespolini


Todas as pessoas podem conter estruturas psicóticas e neuróticas que, talvez, nunca se manifestem ao longo da vida. Se a razão confere a normalidade ao indivíduo, a ausência dela designa aquilo que a psicopatologia chama de transtorno mental ou sofrimento psíquico grave . Cabe ao processo de individuação ampliar a consciência, norteando-a pelo fio condutor da normalidade. Alguns teóricos chegam a defender que a resistência a esse “princípio de estabilidade” faz suscitar a loucura.
O mundo do doente mental é assinalado por uma profunda ruptura com o significado de sua existência. Trata-se de uma experiência assustadora, pois junto à doença está à marca indelével da perda da identidade, da integração, do sentido e por fim da própria realidade. Há o encontro de um espaço sem limite e sem forma. Nesse quadro, a pessoa é afligida por uma anormalidade mental “provocada” e “instalada”. Em determinados casos, o sofrimento traumático pode ser um dos responsáveis pelo seu aparecimento.
Assim sendo, surge a psicopatologia como uma ferramenta científica, utilizada para compreender a linguagem representacional da loucura. Sua função está centrada no estudo da natureza da doença mental, entre causas, manifestações e estruturas. A empiria, a elucidação, a sistemática, a desmistificação e a análise personalizada dos casos e fatos são características que marcam o trabalho do psicopatologista.
Junto ao cenário do sofrimento psíquico também está aquela profunda consonância com a atividade religiosa. O estudo empírico reconhece, na religião, não o seu legado apologético, mas, sobretudo, a necessidade de enfocá-la de modo analítico e crítico. Não se trata de defendê-la ou acusá-la, todavia, de examiná-la como um fenômeno semiótico da loucura. Talvez, porque a religião venha operando no mesmo campo da razão, a saber: no comportamento, na afetividade, na linguagem e no pensamento.
Muito mais que articuladora de uma linguagem espiritual, a religião recorre a um discurso antropomórfico de projeção para construir a imagem de Deus no consciente do religioso. Dessa forma, inúmeros comportamentos humanos são vinculados à imagem Divina, como forma de justificar-se moralmente.
A partir do conceito de “pecado original” nasce uma antropologia depreciativa, cujo objetivo é ressaltar a hereditariedade pecaminosa do humano, recaída e inclinada para a prática do mal. A mutação ontológica, da beatitude ao maléfico, provocada pelo pecado, só pode ser salva pela religião. Eis o retorno ao mito paradisíaco perdido no Éden. Nesse contexto, a linguagem do pecado é idealizada como ausência de algo. Uma ideia que se aproxima da loucura, enquanto carência de razão. Quem sabe não haveria uma íntima relação de símbolos na esfera do religioso e do louco, pois nem todo religioso é acometido pela loucura, mas muitos loucos são religiosos.
De qualquer forma, se faz necessário retomar, etimologicamente, aquilo que é genuíno a uma prática saudável de fé. O termo “religião” é proveniente do latim religare, que significa “ligar outra vez”. Portanto, cabe à religião ser doadora de sentido, de consciência ética, de formação humana e de gênese intelectual.  A religião tem um papel social de suma importância, ainda mais se tratando de uma instituição que acompanha todas as etapas da vida do indivíduo: do nascimento à morte.  Por isso, é impossível estudar o transtorno mental do religioso fora daquele cenário que o suscitou.
Vale ainda ressaltar que a religião também possui um viés de alienação e de controle da consciência nos seus partícipes. Mesmo assim, precisamos ir fundo à questão sabendo que o sofrimento psíquico do religioso não está na fachada da religião.
Pelo contrário, consequente à religião está o discurso religioso e por trás do discurso religioso vem a “imagem de Deus” e aqui reside as mais variadas formas da loucura humana. Eis que se apresenta um amontoado de culpas reforçadas, de remorsos continuados e de acusações intermináveis. Não se trata de depressão, mas de uma paranoia em que o religioso se torna vítima de um Deus castigador. Por Ele, é constantemente perseguida, vigiada, ameaçada e punida. Aqui, há a necessidade do sangue derramado para aplacar a tirania do Divino em detrimento ao humano miserável. Sem generalizações, podemos afirmar que em algumas realidades a imagem de Deus foi utilizada no intuito de “torturar” a consciência religiosa do sujeito.
Toda interpretação de religião “como restritiva da realização humana ou como carga externa heterônoma sobre a existência acaba sendo, por isso mesmo, falsa” (Queiruga). Por isso, a religião tem o bonito caminho de não conduzir o indivíduo para fora de si, porém, ao mais profundo encontro consigo e com o sentido da vida!

PAULO CRESPOLINI
Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2004), atuando nos seguintes temas: história da filosofia moderna, movimento iluminista, crise eclesiológica e racionalismo. Tem pesquisado sobre a filosofia da alteridade a partir da inter-relação entre o pensamento de Emmanuel Lévinas, Jacques Derrida e Martin Buber. Nos últimos anos tem obtido resultados significativos no estudo da filosofia da religião em Queiruga, na experiência do Sagrado e na instituição metafísica e psicológica da atividade religiosa. Na Teologia (2009), a pesquisa está centrada em duas áreas, a saber: sistemática e bíblica; de um modo especial na cristologia, com o Jesus Histórico e o Cristo da Fé e na evolução histórica das Sagradas Escrituras.



Fonte: Recanto das Letras

domingo, 23 de outubro de 2011

Suicidas já foram crianças


Por Patrícia Ortiz




Os pais de João o chamaram estranhando que ainda não havia acordado. A mãe abriu a porta, e sem voz, chorou ao ver o corpo sem vida. O pai ligou para a emergência.
O rapaz não deixou carta. Não demonstrou seus problemas. Não aos seus pais.
O pai chegava em casa toda noite com um doce. Um suborno que inutilmente servia para compensar sua falta de atenção.
A mãe nunca olhou o filho por quem ele era. Sofria demais fugindo do próprio reflexo do espelho. E procurava compensar com toda a atenção e carinho que pudesse dar. Inutilmente.
Pois o menino cresceu sentindo-se isolado do mundo.
A criança se convenceu que era um fardo para os pais. Acreditava que o mundo ficaria melhor sem ele. E por isso fez por merecer.
Nascer e crescer em um mundo que os pais não têm tempo. Todos trabalham, estudam, e lutam em busca de uma vida melhor. Todos sonham em dar o melhor para os filhos. Dão dinheiro, roupas, casa, carro, brinquedos.
João era o que mais ganhava presentes. Possuía todos os brinquedos de seu super-heroi favorito. Aquele relógio com vídeo-game, vídeo, câmera, gravador de voz, diversos botões. O tênis mais divertido da escola. A mochila que todos invejavam.
Disfarçava-se de Batman, homem-aranha, super-homem. Porque não acreditava que sua existência era importante. Os heróis, sim, faziam a diferença.
Não tomava banho, esperando que seus pais gritassem com ele.
De manhã, sua mãe o acordava com um beijo. Seu pai gritava que ele era inútil e fedido. Não servia para nada. E que se vestisse logo, ou atrapalharia o trabalho também.
Ele ia para a escola e gritava com as professoras, os colegas, batia nos amigos. E os professores, colegas, e agora inimigos, gritavam com ele, batiam nele e chamavam os pais. Que iam, e gritavam, batiam, e o colocavam de castigo.
Seu pai não sabia o que fazer com ele. A mãe o abraçava.
E ao ficar sozinho no quarto, chorava escondido. Seus pais o odiavam. Os amigos tornaram-se inimigos. Os professores somente gritavam.
Ele não merecia existir. Ele atrapalhava a vida de todos.
E assim se sentiu durante toda a vida. Ocupou todo o tempo sofrendo, que esqueceu de brincar. não fez amizades. Não aprendeu a se divertir com os colegas. Agredia sem motivos os colegas de escola. Não se apaixonou.
Quem em sã consciência amaria alguém como ele? Que era um problema na vida de todos, impedindo qualquer pessoa de se aproximar.
Quando seu pai dizia que chegaria mais tarde, ele quebrava um vaso em casa. Quando sua mãe ficava presa no serviço, ele batia em um colega.
Quando ficava sozinho em casa, não olhava no espelho. Seu reflexo mostrava o que não queria ver. Uma criança que ao invés de brincar e se divertir. Aprendeu a odiar a própria vida.
Sua mãe, que se sentia mal consigo mesma, agredia quem se aproximasse. Ela também sentia-se feia e julgada, sem mesmo saber o que o outro estava pensando. Reflexo do que ela sentia ao olhar no espelho. A lembrança de quem um dia foi bonita. Comparada ao que via, os anos não foram gentis. O tempo que passa, trazendo com ele grandes rugas que a deprimiam. Sentia-se cada vez mais feia e odiada pelo destino. Buscando pela formula da juventude eterna, que no fundo sabia não existir. Por isso odiava a vida. E sem querer, ensinou seu pequeno filho o mesmo caminho.
O menino não aprendeu a ter forças para lutar, ir atrás do que queria. Nem que as pessoas gostam de quem as trata bem. Que os amigos são amigos por se apoiarem. Que bater e brigar nem sempre é a solução.
Ele não aprendeu que amar é um sentimento de duas vias. Que para ser amado, é necessário merecer o amor. Que a vida trás coisas boas a quem as procura.
E que o ódio é um sentimento que corrói.
Não aguentou o aniversario de dezoito anos. Em que não possuía um amigo para comemorar e o arrastar para uma festa. Uma namorada para trocar um primeiro beijo. Um colega que oferecesse a primeira bebida. Alguém que o levasse para viajar. Não possuía ninguém que mandasse uma mensagem no celular desejando feliz aniversário. Ninguém que se importasse se ele vivia ou não. Nem ele.


Política e Boatos


Na política que tanto se expande
o boato é quem entra mais em cena,
tem político com mente tão pequena
que somente o nariz se torna grande.
Pois não sabe ser sábio como Gandhi,
como Buda não é iluminado,
com o Messias não é entronizado,
mas é Cão, porque vive a ‘lançar setas’,
parecendo peleja de poetas
quando cantam martelo agalopado.

O boato é conversa de quem mente
ou quem tem uma mente sem ser sã,
dar ouvidos a ele é coisa vã
mas tem quem dê ouvidos totalmente.
Ao invés de fazer andar pra frente,
o boato só leva para trás.
Eu me lembro do que falam meus pais:
“As palavras depois que são faladas,
mais parecem com flechas atiradas:
quando soltas, não há quem prenda mais”.

Isso é uma coisa tão medonha
tem boatos demais se espalhando
os idílios sutis proliferando
não constroem o lugar que a gente sonha.
É preciso que alguém venha e proponha
uma forma melhor de proceder,
com pureza, com classe, com saber,
mas eu vejo o contrário do sonhado,
vejo gente por tudo quanto é lado
falar muito sem ter o que dizer.

Essa fraca política é tão nojenta
que transforma o poder em um lixeiro,
faz o carro do mau andar ligeiro
e o progresso ficar na marcha lenta.
Quem dá vez, dá ouvidos e comenta,
é bom que não dê vez e nem comente,
que adote postura diferente
cure a alma usando santos cromos,
pra colher no porvir os doces pomos
das sementes plantadas no presente.

Texto publicado na Revista Hélio Júnior (Ed. II)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A modernidade e as amplas prateleiras do mercado religioso



Por Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista de Água Branca

Apavorado ante o mistério da imensidão do cosmos e perdido em termos de sentido para a existência, o ser humano buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante do “mysterium tremendum”.
O aspecto mais relevante do novo cenário religioso no Brasil, revelado por pesquisas recentes, é o surgimento de uma nova personagem: o religioso não institucionalizado, que busca uma experiência de espiritualidade não tutelada pelas hierarquias das religiões formalmente organizadas em termos de dogmas, rituais e códigos morais. Vivemos os dias da religião sob medida, montada por consciências individuais que misturam os ingredientes disponíveis nas prateleiras do mercado religioso.
O sociólogo Otto Maduro define religião como “conjunto de discursos e práticas referentes a seres superiores e anteriores ao ambiente natural e social, com os quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação”. As ciências da religião sugerem que as religiões se estruturam com base em dogmas, rituais e tabus, isto é, crenças adotadas como verdades inquestionáveis, celebrações litúrgicas em homenagem e devoção às divindades, e regras de comportamento moral que acarretam benesses ou maldições.
A modernidade não conseguiu acabar com a relação de dependência e obrigações, pois o ser humano é atormentado por sua finitude, encurvado pelo peso de uma culpa ancestral, apavorado ante o mistério da imensidão do cosmos, e perdido em termos de sentido para a existência. Por essa razão, buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante disso que Rudolf Otto chamou de “mysterium tremendum”, a que damos o nome de Deus.
Mas a modernidade destruiu, sim, a religião como sistema de dogmas, rituais e tabus. O conceito de modernidade nos remete à segunda metade do século XVIII, com a revolução industrial – capitalismo, ciência e técnica, urbanismo, desenvolvimento ilimitado, a revolução democrática sensível aos direitos humanos, e principalmente ao conceito de indivíduo e ao descobrimento da subjetividade, que afirma a consciência individual acima de qualquer autoridade e liberta o indivíduo de sua dependência das instituições sociais, inclusive e principalmente religiosas.
Esse ideário moderno exige dois outros aspectos da individualidade: a autonomia e a racionalidade. Autonomia, a lei em si mesma, fala da capacidade que o indivíduo tem de agir movido e orientado por sua própria consciência, assumindo, portanto, a responsabilidade por seus atos.
Implica todo poder normativo subordinado à consciência individual e, consequentemente, a rejeição de todo poder arbitrário e dogmático, representado por um Estado ou um governo, uma ideologia ou religião, uma divindade ou, em última instância, Deus. O princípio cartesiano “penso, logo existo” explica o Iluminismo como esclarecimento racional, em oposição ao dogmatismo fundamentalista e obscurantista.
O resultado desse processo é que a modernidade, apesar de avanços significativos – o pluralismo ideológico, a abrangência da educação, a superação da superstição e a emancipação da ciência – também significou racionalismo, individualismo, humanismo e secularismo. Ou seja, a religião fora do espaço público e o universo vazio do divino e do sagrado. A modernidade deu origem a “ismos” tão opressivos e escravizadores das consciências e das massas quanto os “ismos” religiosos contra os quais se levantou.
A verdade é que os avanços da ciência, da técnica e da razão, que, em tese, deveriam construir um mundo melhor, promover a justiça e a paz, e apontar caminhos para a felicidade e a realização existencial do ser humano, de fato fizeram água. O saldo da modernidade é o rompimento com as instituições sociais religiosas e o abandono da pessoa humana à sua própria consciência e à mercê de sua liberdade. Mas ainda carregando no peito as mesmas questões que afligiam nossos antepassados.
O vazio do universo implicou também um vazio de sentido (niilismo) e um vazio de critérios morais para ordenação da vida. Essa é uma das compreensões possíveis da denúncia de Fiódor Dostoiévski: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Eis porque a experiência religiosa tutelada pelas religiões institucionalizadas se esvaziou, mas a busca pelas dimensões da espiritualidade cresce a olhos vistos.
O rebote da modernidade é a chamada pós modernidade – ou hipermodernidade, alta modernidade, modernidade tardia, modernidade radicalizada, modernidade líquida, seja lá como se queira chamar. O tempo se encarregou de desmascarar as pretensões da razão humana e fez as vezes dos profetas e sábios místicos, que sempre insistiram em afirmar que a realidade é distante e profunda, e que o universo esconde mais mistérios do que é capaz de discernir a “vã filosofia”.
O mundo atual se explica mais pelo recrudescimento dos fundamentalismos religiosos do que pela ausência de religião. Em resposta ao relativismo e ao niilismo moderno, a religião ressurge na pós-modernidade com uma força avassaladora.
Ainda que afetado por interesses geopolíticos e econômicos, o conflito entre Ocidente e Oriente não pode ser entendido nem terá solução sem uma clara comprensão das forças e implicações do embate entre o cristianismo e o islamismo como matrizes de sentido para as civilizações que sustentam.
Alguns dos mais relevantes debates contemporâneos, sejam científicos, éticos, políticos ou econômicos, são travados na arena religiosa: criacionismo versus evolucionismo como teoria a ser ensinada nas escolas, o aborto como questão moral ou de saúde pública, os direitos civis dos homossexuais e as controvérsias ao redor das leis contra a homofobia são exemplos recentes de conflitos entre os que acreditam na prosperidade social atrelada ao retorno aos valores religiosos da tradição judaico-cristã contra aqueles que defendem um estado laico e secular.
Assim como em muitos de seus intentos, a modernidade fracassou também em acabar com a religião. A racionalidade científica e o secularismo obviamente não conseguiram provar que Deus não existe, pois Deus não é variável epistemológica, isto é, não é passível de verificação em testes de laboratório. Mas a modernidade conseguiu, ainda que temporariamente, desferir um duro golpe nos representantes de Deus, notadamente as instituições religiosas e seu clero.
A experiência religiosa já não se resume à obediência cega aos dogmas e à hierarquia institucional. A sociedade moderna não abandonou Deus, mas colocou seus intérpretes e seus representantes coletivos sub judice. Deixou de lado as tradições e seus necessários hábitos, costumes e crenças. E partiu para uma viagem pessoal e particular rumo à religião privatizada e a uma experiência de fé à la carte.
As massas decepcionadas com a modernidade e suas promessas voltam a correr para as categorias do sagrado, do transcendente e do divino. Nos países do chamado Terceiro Mundo, a religião nunca saiu de moda. Conceitos como modernidade e pós- modernidade passam longe dos dilemas de quem vive na pobreza e na miséria extrema. Os resultados das últimas pesquisas a respeito do cenário religioso no Brasil indicam que, com sua mensagem que enfatiza o poder do Espírito Santo e a interferência de Deus no cotidiano das pessoas, as igrejas evangélicas crescem sem parar.
Motivados pela busca de solução para seus problemas pessoais e dificuldades de inserção na sociedade, as massas se convertem à esperança prometida pela religião. As pessoas trocam de religião ou de credo em virtude de questões como desemprego, doenças na família, problemas conjugais, perdas significativas e sofrimento intenso, e também e principalmente por solidão e a necessidade de sentido existencial.
Quem não tem para onde correr, corre para Deus. Os que sabem disso e não têm escrúpulos em se aproveitar da fragilidade de quem sofre são protagonistas de um processo nefasto que mantém acesa a fogueira da religião entendida no pior de seus sentidos.
O atual retrato da fé permite a afirmação de que, se é verdade que as instituições religiosas estão abaladas, Deus continua vivo como sempre, e adorado – ou idolatrado – como nunca.
Fonte: Valor Econômico

Paulo Nailson desfilia-se do PT

Depois de pouco mais de dez anos filiado e militando quero explicar melhor essa opção, em respeito a quem compartilhou a atividade política comigo no PT, e a quem por três vezes nos acompanhou nas eleições internas do partido.

Saio do PT, onde conquistei grandes amigos e ainda mantenho um profundo respeito e gratidão, para afirmar a possibilidade de outro tipo de atuação política.
O que sempre aprendi sobre o PT, e sempre busquei viver estando nele, foi sua identificação e atuação junto aos movimentos sociais. Ajudando na formação e organização do povo para fazer valer seus direitos e, conseqüentemente levar esse povo a uma atuação mais ativa nas questões políticas.
Os anos se passaram e dei minha parcela de contribuição ao partido da melhor forma possível, seja na organização interna, nas campanhas eleitorais, na relação com os demais partidos do campo de esquerda, na militância e nas diversas frentes de luta social.
Aos companheiros e companheiras que ficam e que continuam pretendendo lutar contra as políticas neoliberais e pela transformação socialista da sociedade, deixo minha expectativa de sucesso e de mantermos laços fraternais.
Quero continuar dando minha contribuição através dos artigos que escrevo, da relação com militantes de movimentos sociais, dirigentes políticos e num trabalho junto à sociedade civil, rumo a essa nova cultura política. Hoje vejo isso mais necessário e, nas circunstâncias atuais, eu não estava conseguindo no partido.
É um tempo também necessário para reorganizar minha vida e agenda pessoal, mas não abro mão de permanecer apoiando a organização popular e a formação da consciência de cidadania, conquistando ao lado de quem interessar novos e mais eficazes instrumentos para fazer valer a vontade popular.
Firme n’Aquele que direciona minha existência,
Deixo meu caloroso abraço
Paulo Nailson

Observação:
Enquanto estive no PT militei no coletivo da tendência interna Articulação de Esquerda, participei alguns anos do Diretório Estadual e durante 8 anos do Diretório Municipal, parte destes na Comissão Executiva Municipal como Secretário Geral.
Edito Presentia, revista de caráter evangélico e permaneço membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana de Pernambuco (FERU-PE) militando também na FASE - Organização não-governamental voltada para a promoção dos direitos humanos, da gestão democrática e da economia solidária.
Estou funcionário público atuando na Fundação de Cultura e Turismo.

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