segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Benjamin, o bebê do amor - por Jénerson Alves




Quando ele nasceu, houve festa. O primeiro filho. Ela – a mãe – se lembrava de quantas vezes sonhou com aquele momento. Tocar no fruto do seu amor. Olhá-lo. Beijá-lo. Se antes de ele nascer a vida já era bela e já tinha sentido, agora passou a ter muito mais. Um pequenino ser havia saído do seu ser. Milagre da vida. Milagre da criação. Em seu coração, ela já estava disposta a amá-lo, a cuidar dele. Ele é o coração dela que bate fora do seu corpo.

Porém, quando ele estava com dois meses, teve algumas complicações de saúde. Foi conduzido ao médico. De lá, a outro. E a outro. Encaminhado ao Recife. Foi dado o diagnóstico: meningite bacteriana. Ao invés de se abater e chorar pelos cantos, ela decidiu lutar. Mas, como lutar contra isso? 

Ela sabia que há batalhas que não se vencem com armas, mas com fé. Ora, se a fé opera pelo amor, quem mais entende de amar, a não ser uma mãe?

Benjamin passou 66 dias internado no hospital. Só ela sabe a dor que sentiu vendo o pequeno na UTI. Só ela sabe, também, a importância que teve o abraço do marido, a companhia dos pais, as orações da igreja. Toda vez que a Medicina trazia um relatório negativo, ela declarava o relatório da fé: “Meu filho é curado e sarado”. O tamanho da fé impactou os médicos no hospital.

Embora os diagnósticos indicassem uma iminente morte cerebral, a força da fé ia traduzindo vida para o garoto. Mesmo na UTI, ele ia crescendo, aprendendo, se desenvolvendo. Como toda criança, até mesmo praticando das ‘suas’. Ao perceber que a enfermeira estava chegando para aplicar-lhe remédio, ele fingia que estava dormindo, como quem querendo enganá-la. Como quem mostra que a fé zomba da impossibilidade...

A doença não era maior do que o amor. Por isso, no último dia 04, Ben – como o garoto é carinhosamente chamado – voltou para casa. Em um mundo carente de esperança, nada melhor do que exemplos de que a fé e o amor ainda podem fazer milagres. E não é a fé pela fé, mas a fé em Deus, revelado em Jesus Cristo – Aquele que levou sobre Si as nossas dores e nossas enfermidades, o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas chagas somos curados.
Esse texto não é ficção. É o depoimento firme do poder da fé e do amor. Creio que orações mudam circunstâncias. E creio, mais ainda, que uma mãe, quando ora, é o maior ímã de milagre que pode existir na face da terra.

Seja bem-vindo, Benjamin. Agora, a festa é dupla. E não se restringe mais a você, à mamãe Renata, ao papai Caio, nem ao vovô Cid e à vovó Fabiana. Sua cura é motivo de alegria e esperança para todos nós. Vendo você, podemos lembrar que não estamos sozinhos. E que há um Amor Eterno que ainda não desistiu da humanidade.

Texto publicado na coluna 'Dois dedos de prosa', do Jornal Extra de Pernambuco


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O gato vaidoso - poema de Jénerson Alves



Dois felinos residiam
Em uma mesma mansão,
Mas um percorria os quartos;
Outro, somente o porão.
Eram iguaizinhos no pelo,
Contudo, na sorte, não.


Um tinha mimo e ração;
O outro, lixo e perigo.
Um vivia igual um príncipe;
O outro, feito um mendigo
(Que sem cometer delito
Sofre só o seu castigo).


No telhado do abrigo
Certa vez se encontraram.
Ante a tela do contraste,
Os dois bichanos pararam
E a Lua foi testemunha
Do diálogo que travaram.


Quando eles se olharam,
Disse o rico, em tom amargo:
“Tu és mísero vagabundo,
Eu sou do mais alto cargo!
Sou nobre, sou mais que tu!
Portanto, passa de largo!”


O pobre disse: “O teu cargo
Foi a sorte quem te deu!
Nasceste em berço de luxo,
Cresceste no apogeu!
Mias, caças, comes ratos…
Em que és mais do que eu?


Logo, este orgulho teu
Não há razão pra ser forte…
Vieste nu para a vida,
Nu voltarás para a morte!
Não chames, pois, de nobreza
O que é apenas sorte”.



Quem não se importa com o porte,
Não se julga potestade,
Prova do pão da pureza,
Sente o gosto da humildade
E, ternamente, transmite
A luz da fraternidade.

Baseado em fábula narrada por Monteiro Lobato.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

#somostodosdelminha

Foco, força e fé. Esses elementos fazem parte da campanha em prol da estudante Delma Goes, carinhosamente chamada por todos nós de “Delminha”. Com apenas 26 anos, a garota luta contra uma enfermidade rara, chamada ‘Síndrome de Mills’. A doença motora atinge várias partes do corpo, paralisando alguns órgãos. A partir da doença, também surgiram outros problemas, inclusive nas vias respiratórias e no sistema sanguíneo.

Mesmo com tantas dificuldades, Delminha mantém um sorriso no rosto, o qual é uma ‘marca registrada’ dela. Conheci-a durante as aulas de Literatura que ministro em um cursinho pré-vestibular, em Caruaru. Ela tem um grande sonho: tornar-se médica. Eu acredito, do mais profundo da minha alma, que sonhos existem para serem transformados em realidade. Por isso, já consigo vê-la atendendo inúmeros pacientes. Mais do que simplesmente clinicar ou aplicar medicamentos, ela tocará nos corações dos doentes, com a sensibilidade que lhe é peculiar. Mesmo diante de tantas dificuldades, ela sempre transmite alegria por onde passa. Nunca a vi se reclamando da vida, nem falando palavras negativas. É bem verdade que, às vezes, sua alegria pode estar menor do que o de costume – isso é marca de humanidade. Todavia, é uma verdade ainda maior que ela pauta sua vida na fé, nos princípios, na esperança, no amor, e não nos sintomas médicos.

Mesmo a doença sendo irreversível, ela procura fazer um tratamento para impedir que a paralisia – que há 15 anos está em seu braço esquerdo – avance para outros órgãos. O tratamento é caro. E ela precisa de ajuda. Pensando nisso, Delminha decidiu criar uma campanha nas redes sociais. Ela preparou camisas com a frase “Quem acredita sempre alcança”. Mais do que um conjunto de palavras, essa frase sintetiza o estilo de vida dela. A fé faz parte do seu ser. A  partir da aquisição dessas camisas, é possível ajudá-la no tratamento.

Além disso, no próximo dia 11 de setembro, os professores Menelau Júnior e Marcelo Bezerra, referências na cidade, estão promovendo um Aulão Beneficiente, cuja entrada será a aquisição da blusa da campanha em prol de Delminha Goes. A sede do curso fica na Avenida Agamenon Magalhães, 651, 3º andar.



O valor da camisa é R$ 20, podendo ser enviada para todo o Brasil. Quem se interessar em participar da campanha, pode entrar em contato com Delma pelo seu perfil no Facebook, a partir do endereço https://www.facebook.com/delminha.goes?fref=ts .


sábado, 10 de setembro de 2016

A SUA CURA É O OUTRO... - por Caio Fábio


Os caminhos do coração humanos são indecifráveis...

Você vê gente sofrendo de tudo, e vivendo como se tudo fosse normal. Você, por outro lado, vê gente sofrendo de nada como se sofresse de tudo...

Na realidade, cada vez mais, minha experiência vai mostrando que não há escolas psicológicas capazes de atender a cada alma humana.

De fato, cada alma demanda uma psicologia pessoal e particular...

Não dá pra dizer que Freud explica quase nada...

Freud explica a si mesmo..., e olhe lá...

Sua Psicanálise é auto-analise, por mais “cientifico” que ele pretendesse ser, posto que por mais isento que fosse, a “ciência” que ele praticava só poderia ser verificada a partir dele mesmo, não apenas de sua interpretação, mas de sua própria/particular/existencial experiência psicológica.

Há pessoas que me procuram com crises de contornos “freudianos”. Para tais pessoas Freud parece funcionar bem... Outras, porém, nada têm a ver com o que o Freud pressupôs houvesse em todo homem, sem que haja...

Nesses casos, tateio até ver a “porta de entrada” da pessoa, e, frequentemente, verifico que tal “entrada” não existe nas matrizes das linhas psicológicas clássicas ou pedagógicas, e, portanto, demanda uma psicologia singular, tecida entre você e a pessoa, até que o sistema esteja mais ou menos visível e, portanto, discernível.

Em outras palavras: tem que ser como Jesus praticava...

A “psicologia” de Jesus era simples e se servia das metáforas que as pessoas traziam ou compreendiam. Tudo, porém, tinha ver com “aquela” pessoa, e não com uma matriz psicológica universal.

Assim, com Jesus não há padrões... O padrão é o individuo...

Desse modo, cada pessoa demanda uma psicologia singular, por mais que os modelos psicológicos possam ajudar aqui e ali. No entanto, depender exclusivamente deles é pura tolice...

O modelo de Paulo, a confrontação, é o que vejo que melhor ajuda as pessoas, pois, de fato, trata-se de um método não metódico, é que busca discernir a essência da questão, e trata dela cara a cara, sem medo de afirmar, de indagar, de sugerir, de provocar, de perturbar mesmo... — até que a verdade vá aparecendo, e, assim, a pessoa vá se enxergando e tomando as decisões práticas quanto a debelar o vício do sintoma como mal a ser tratado como causa... sem que o seja.

Os pudores psicológicos atrasam em demasia a cura das pessoas...

Vejo pessoas oito, dez, doze anos em um terapeuta, ruminando os mesmos bagaços, pagando caro para serem ouvidos sem que isto deslinde qualquer coisa em seus interiores, até que chegue o dia da verdade...

Então, sem pudor, atendo a tais pessoas; algumas já sabem tudo de tudo, até mais que a maioria dos psicólogos, de tão profissionais como clientes que vieram a se tornar...

A surpresa para elas é que o que durara anos, por vezes em uma, duas, três semanas, ou em poucos meses, cede...; e, então, começa a abrir o espaço interior para que, pela via da confrontação, a pessoa comece a parar de chocar seus quase/dramas; e, assim, sem pena de si mesmo, sem transferências de nada para ninguém, sem auto-piedade ou auto-comiseração, o individuo comece a reagir; e, em não muito tempo, comece a ficar perplexo com os resultados...; sem saber a razão de não ter que ser um processo necessariamente tão longo e demorado no atingimento dos desejados resultados...

Na realidade o que a maioria das pessoas necessita é do encaramento na e da verdade!

Noto o despreparo brutal da maioria dos chamados profissionais de Psicologia. Alguns nada dizem apenas porque não têm mesmo o que dizer... Outros gostam da lentidão... Ela é lucrativa... Há ainda os que são tão doentes que fazem psicologia para se distraírem de si mesmos ouvindo os outros... Mas poucos há com consciência do que seja a ajuda que as pessoas precisam...

Ora... isto sem falar naqueles que são pagos apenas para consentirem com o devaneio do individuo...

São os Psicólogos do “vamos que vamos”...

Sim, você o paga apenas para que ele diga que você tem razão em soltar todas as frangas e todos os bichos do seu zoológico particular...

No meio disso tudo, há alguns profissionais da psicologia que são de fato muito bons, embora poucos.

O que me ressinto mesmo é do fato que se houvesse entendimento do Evangelho, e amor e limpidez de propósitos, todo verdadeiro pastor de almas naturalmente seria um psicólogo.

Mas quase não há tal coisa... A maioria dos pastores está tão perdida que nem mesmo dá conta de sua própria alma, quanto mais da dos outros!...

A receita de cura de Isaías é simples [cap.58]: liberte os oprimidos, quebre cadeias nos outros, franqueia a vida ao próximo, não fuja dele; e mais que isto: abra a sua própria alma com o aflito [deslocando o foco do “si-mesmo” para o outro] — pois, então, se diz: A tua cura brotará sem detença!...

A melhor terapia desta vida sempre será o serviço em amor!

Quem se esquece de si e arranja olhos para a vida, em geral ficará curado enquanto limpa feridas e cuida de angustias alheias...

Aquele, porém, que apenas cuida de si mesmo, de suas supostas dores, e concentra-se exclusivamente em sua angustia como elemento pivotal da existência universal, esse pode contratar o melhor psicólogo para que lhe ande a tira-colo, pois, ainda assim, jamais ficará curado...

Ninguém sabe em que espírito o Samaritano vinha sem seu caminho... Entretanto, pouco importa se ele vinha cantando, alegre, feliz e grato, ou se vinha sofrendo, angustiado e infeliz... Sim, o que importa é que ele olhou para o outro, o outro pior do que ele, o outro sem autodeterminação, caído no caminho... E mais: fez isso sem que importasse quem ele ou o outro fossem um para o outro...

Sem que fosse significativo como o Samaritano estivesse se sentindo, o que valeu foi o ato, foi o feito, foi a parada e o levantar do homem...

Sim, o importante não era a subjetividade, mas a objetividade da decisão...

Digo isto hoje porque vejo que muitos dos que me escrevem jamais ficarão curados enquanto não se esquecerem de si mesmos, e, enquanto não transformarem sua auto-vitimização em ação pró-ativa em favor da vida...

Pense nisto; e pare de lamber adoecidamente as suas próprias feridas...

Nele, que nos cura pela verdade e pela prática do amor voltado para aquele que vemos..., e que carece de graça e cuidado,

Caio

28 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

www.caiofabio.net

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Haja Cruz

No princípio, disse o Pai,
Antes de tudo existir:
“Eu vou criar e dar vida
A quem – sei – vai me trair...”

Disse o Espírito, em seguida:
“Eu aceitarei morar
Em quem não vai querer vida
Pois vai preferir pecar...”

Disse o Filho logo após:
“Vou me entregar e morrer
Para que através de mim
Eles possam reviver...”

Disse a Trindade: “ – Haja Cruz!”
Só depois disse: “haja luz...”

Jénerson Alves


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

1º de agosto - Dia do Poeta da Literatura de Cordel



Hoje (1º de agosto) é o Dia do Poeta da Literatura de Cordel. Este gênero de tanta grandeza cultural predomina no Nordeste brasileiro, mas possui raízes europeias, tendo chegado ao Brasil através dos portugueses, no século XVIII. Ao longo da história, grandes poetas cultivaram essa forma de expressão artística, que possui expoentes ainda hoje. Por isso, nossa equipe preparou um especial, com estrofes memoráveis criadas por cordelistas de todos os tempos. Confira:

Os nossos antepassados
Eram muito prevenidos,
Diziam: “Matos têm olhos
E paredes têm ouvidos.
Os crimes são descobertos,
Por mais que sejam escondidos”.
(Leandro Gomes de Barros)

João Grilo foi um cristão
Que nasceu antes do dia,
Criou-se sem formosura,
Mas tinha sabedoria
E morreu depois da hora,
Pelas artes que fazia.
(João Ferreira de Lima)

Só pune a honra o honrado
Porque é conhecedor,
Pois o honrado conhece
Que a honra tem valor
E quem fere a honra alheia
Fica sendo devedor.
(Caetano Cosme da Silva)

Assim “Quem comeu a carne
Que roa os ossos” também
“Não há rosas sem espinhos”
É preciso pensar bem!
Que “Gostos não se discutem”,
Mas o que deles provém.
(Abdias Campos)

Quando o Brasil quiser mesmo
Que a verdade seja dita
A história de Canudos
Vai ter de ser reescrita
Sem rasuras, sem emendas,
Passando um borrão nas lendas
Dessa tragédia maldita.
(Geraldo Amâncio Pereira)

Eu tenho setenta anos
Nesta vida nua e crua.
As noites eu passo em casa,
Os dias passo na rua
E a morte me convidando
Pra nós dois morar na lua.
(Olegário Fernandes)

Melhor ter pouco, mas ter,
Pior mesmo é quem não tem.
Pelo que estamos vendo,
É preciso entender bem
Que ÁGUA, SABENDO USAR
Por certo, NÃO VAI FALTAR
Na torneira de ninguém.
(Manoel Monteiro)

Voltei pra casa roendo
O pano do desengano
E quando cheguei em casa
Mastigando aquele pano,
Fui ao espelho e me vi,
E, me culpando, senti
Vergonha de ser humano.
(Antônio Francisco)

Temos que colaborar
E usar mais da razão,
Agindo dessa maneira
Melhora a situação,
Pois jogar lixo no lixo
É gesto de educação.
(Espingarda do Cordel)

De todas as descobertas,
Acho que a que mais me agrada
Se chama Abraço, porque
Toda pessoa abraçada
Logo se desembaraça.
Já a pessoa que abraça
É também recompensada.
(Moreira de Acopiara)

Pai Santo e Eterno Deus
Criador do universo
Me conduz pela palavra
Registrada no meu verso
Se houver fraqueza ou falha
Fortalece minha batalha
Pois te peço em oração
Me conduz em pensamento
E aqui neste momento
Tua Palavra é meu sermão
(Nerisvaldo Alves)

Estéril de esperança,
Eu comecei a chorar.
Perguntei feito criança:
“Pode o homem se salvar?”
Indaguei ainda assim:
“Pode o mal chegar ao fim?
Há no mundo ainda fé?”
Mas, neste instante, parei.
Bastante audível escutei:
“O Cordeiro está em pé!”
(Jénerson Alves)




quinta-feira, 21 de julho de 2016

Não sei o que falar...

Lembro-me de te ver pelos corredores da faculdade, com um café e um cigarro. Abraçava-te. Trocávamos algumas palavras. Tu sempre dizias que nós deveríamos construir algum artigo científico juntos. Eu concordava. No entanto, terminava me esquivando dessa missão. Eu te achava tão inteligente, tu articulavas as conversas com tantas bases teóricas, com tantas leituras, tantos fundamentos... confesso que eu não me sentia à altura de produzir algum texto acadêmico contigo. 

No fundo, sou só um cordelista, sabes? Sou só um poeta popular...
Sim. Tu sabias disso. Tanto é que me convidaste para recitar alguns poemas em um colégio particular onde trabalhavas. Na verdade, entregaste meu número para a professora organizadora e ela me chamou. Mas a ideia foi tua. Fiquei honrado pela lembrança. Tu ainda filmaste minha participação. 
Prometeste me entregar. Eu nunca tive coragem de cobrar. Sempre te via tão ocupado, tão cheio de atribuições...

Eu queria ter te dito que gostava de te conhecer. Lembro-me da última vez que te vi. Foi tão rápido. Na rua. Nossos cumprimentos foram comuns. Mas te ver promovia alegria em mim. Sempre que estava contigo, eu sabia que estava ao lado de uma pessoa que veio deixar sua marca no mundo. Gente de pensamentos, de propósitos... tua alegria contagiava...

Na realidade, eu te conhecia desde antes da faculdade. De uma fotografia. De uma visita. De uma publicação. Era assim que eu te conhecia. Não tivemos tempo de estreitar laços. Nem precisava. Saber que no mundo havia pessoas iguais a ti já servia. E eu só esperava te ver brilhando. Eu queria aplaudir. Mesmo de longe.

Ainda não consigo entender tua partida prematura. Tu amavas tanto a vida. Eu nunca pensei que tu poderias, em algum momento, não encontrar vida na vida. Eu nunca pensei que tu poderias entrar em desespero. Eu nunca pensei que tu poderias enxergar a tua imagem no retrato da dor.

Creio que a Trindade te abraça com carinho, amor e misericórdia. Peço que a Trindade conforte tua família. E nos conforte também.


Neste momento, fico me perguntando quantos queridos podem não estar na mesma situação em que tu te encontravas... quantas pessoas podem estar desesperadas? Quantos futuros brilhantes podem estar projetando a auto-escuridão? Quantas vozes podem estar querendo se silenciar? Gostaria de ter te dito palavras que te trouxessem esperança. Gostaria de ter sensibilidade para perceber melhor... Desligo a luz do quarto e dialogo com meu silêncio. Gostaria de falar algo... mas, não sei o que falar.

“Cum dixerint pax...”

Foto copiada do site http://www.rainbowschools.ca/

por Jénerson Alves


Quando disserem: “há paz”, mas os jovens ainda forem extremamente mal-educados, sem significados, sem sonhos, sem altruísmo, o mundo permanecerá sendo um barril de pólvora, pronto para explodir a qualquer momento.

Quando disserem: “há paz”, mas os idosos ainda forem lançados em um calabouço social, de modo que os cabelos brancos deixem de representar respeito e serenidade e passem a ser coisa alguma, esta paz dita será apenas um engodo, uma falácia, uma fantasia.

Quando disserem: “há paz”, mas as crianças ainda forem desorientadas, deseducadas, desestimuladas, o que haverá será apenas um estado de letargia, de esvaziamento, de desesperança.

Quando disserem: “há paz”, mas a alma das pessoas ainda não for o foco das ações dos líderes – de qualquer instância, seja ela municipal, estadual, federal, institucional, sindical, ou qualquer outra –, o que haverá tão-somente será calmaria, massificação, controle.

Quando disserem: “há paz”, mas a categorização das pessoas ainda permanecer, de modo que o ser humano acredite ser capaz de distinguir quem é quem – ou como se as configurações étnicas, estéticas, religiosas, filosóficas, políticas ou familiares fossem conceitos fechados que delimitam os espíritos –, o que haverá não passará de tola tolerância.

Quando disserem: “há paz”, mas os corações ainda estiverem militarizados com ódio, rancor, preconceito, autossuficiência, egoísmo, soberba e ganância, as armas exteriores permanecerão sendo representações materiais de armas interiores, venenos que matam sutilmente, quebrando e rachando relações externas e internas, desumanizando o alvo e o cerne.


Quando disserem: “há paz”, mas essa paz não vir de dentro para fora, não for produto da consciência, não nascer da essência e do espírito, não exceder todo entendimento, todo contexto, toda particularidade da existência, essa paz não será verdadeira. E se precipitará repentina destruição... Ainda muitas águas correrão por muitas pontes, e o que virá ainda não será o que se espera. Só haverá paz quando for possível enxergar além do véu. Mas, há quem queira enxergar?

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Rogério Meneses, Cidadão de Caruaru



Cantor da história e das crenças de um povo
Que vive, que sonha, que luta e persiste.
Por trás dos véus negros, vê um mundo novo
Gerando acalanto em quem vive triste.
A sua viola é harpa dourada
Que em Caruaru é emoldurada,
Sinônimo de graça, exemplo de glória,
Talento inconteste que não há quem tome,
E o livro do tempo registra teu nome,
Rogério Meneses, cravado na história.


Mais que Castro Alves, faz verso engajado
E decanta o amor melhor que Vinicius;
Igual a Flaubert, é mui destacado,
Feito Baudelaire expressa suplícios.
Forjado em ideias de um novo amanhã
De Freire, Guareshi, Betto e Florestan,
Vê nos livros fonte que jorra e produz.
Buscando saberes, formando conjuntos,
Fazendo sinapses de vários assuntos
Vendo no horizonte o Mestre Jesus.

É quase um Parnaso sua moradia.
Na família, o cerne do saber dos sábios.
Guarda nas palavras que o pai lhe dizia
Preciosas pérolas de mil alfarrábios.
Tem nas amizades a sua riqueza.
Passado de luta; presente, grandeza,
Devir de bons frutos, de planta florida.
Doutor da viola, sem ser diplomado.
Formado em liceus, mas melhor formado
Pela faculdade chamada de vida.

Herói do repente, da trova e toada,
Sem nódoa no verso, sem mácula na rima.
Do ventre da terra de Imaculada
Pra terra onde o barro é matéria-prima.
É Deus, Santo Oleiro, cultor dos teus traços,
Autor dos teus sonhos, a luz dos teus passos,
Indelével Guia da Lei que não passa.
Quem tem fé no peito, a benesse atrai.
Teu quadro é luzente, é Deus o teu Pai
E Caruaru, como mãe, te abraça.


Jénerson Alves, 10.06.2016


Poema recitado na Câmara de Vereadores de Caruaru, em 10.06.2016, quando da entrega do título de Cidadão Caruaruense ao repentista paraibano Rogério Meneses, que reside na Capital do Agreste desde 1990.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Foi escrita com sangue no madeiro a maior expressão de amor por mim



Vez em quando, eu padeço um aperreio,
Sem afeto, sem graça, sem amor...
Vejo o mundo, um porão assustador,
Que me enche de trauma e de receio.
Nesta hora, ao lembrar que Cristo veio
E derramou o Seu sangue carmezim,
Meu deserto floresce igual jardim
E o crisântemo do amor traz um bom cheiro.
Foi escrita com sangue no madeiro
A maior expressão de amor por mim.

Escrevi um poema de amor
E entreguei de presente à minha amada.
Ela leu, desdenhou, não disse nada
E eu fiquei lamentando a minha dor.
Mas lembrei que Jesus, o Salvador,
Fez da vida canção. E foi assim
Que a tristeza em meu peito teve fim
E hoje vivo feliz o tempo inteiro.
Foi escrita com sangue no madeiro
A maior expressão de amor por mim.

Jesus Cristo tombou pela poeira
Com o peso da cruz que carregou,
Mas Simão Cireneu O ajudou
A levar a cruz feita de madeira.
Ao chegar na colina da Caveira
Um ladrão zombou dEle com pantim,
Mas o outro, creu firme, e Cristo, enfim,
Deu perdão para aquele desordeiro.
Foi escrita com sangue no madeiro
A maior expressão de amor por mim.

Meio-dia, as sombras preenchiam,
E o povo bramava em várias vozes.
O Senhor deu perdão aos Seus algozes,
Por não terem noção do que faziam.
Sacras luzes da cruz 'inda irradiam
E às trevas da alma põem um fim,
Que a entrega do Filho de Elohim
Alforria quem sofre em cativeiro.
Foi escrita com sangue no madeiro
A maior expressão de amor por mim.

Contemplei o Senhor crucificado
No lugar meu e teu, de Barrabás,
Sobre Ele o castigo deu-me paz
E pelas Suas feridas fui sarado.
Lá na cruz fui remido, perdoado,
Escapei da prisão do 'Coisa Ruim',
Hoje canto do jeito de um vim-vim
Libertado no sangue do Cordeiro.
Foi escrita com sangue no madeiro
A maior expressão de amor por mim.


Jénerson Alves, 04.04.2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

SERIA DIFERENTE?

por Marconi Aurélio e Silva, cientista político e jornalista

Em meio aos sucessivos escândalos políticos observados no Brasil, que se baseiam no desenho institucional "possível" de 1988, damo-nos conta que o modelo do presidencialismo de coalizão está saturado. Hoje percebemos que, apesar de termos uma democracia liberal (se considerarmos apenas a possibilidade da competição eleitoral e da escolha direta dos representantes por parte da população como a grande força motriz desse sistema), a decisão sobre o governo não passa pelo crivo direto do povo, entre outras coisas, porque:
1) Vereadores, Deputados Estaduais e Federais, sendo escolhidos pela proporcionalidade, proporcionam-nos legislativos pouco ou nada representativos, porém legitimados (vota-se em alguém para eleger outrem!!).
2) Os partidos políticos não representam bandeiras coletivas de "percepção de partes" do eleitorado e da população sobre o que é melhor pra todos, mas são continuamente utilizados para servir apenas como estrutura de manutenção de espaços de poder a seus "caciques" e associados, ávidos pelas regalias proporcionadas pelo Estado. Daí porque a grita que os Partidos querem o poder pelo poder, para garantir privilégios e benefícios individuais, custeados pela coletividade, não pra servir a causas coletivas.
3) O lobby ou "advocacy" não foi ainda regulamentado no Brasil, o que dá margem para diferentes tipos de práticas por parte dos grupos econômicos ou organizações e movimentos mais bem articulados que, diferentemente da massa de eleitores (pouco esclarecida e desarticulada), consegue atuar com maestria na efetivação de suas agendas e interesses.
4) Além do mais, financiando as campanhas políticas, empresas e setores econômicos terminam tendo benesses e estímulos próprios dos governos eleitos com seu apoio, a exemplo do que aconteceu na última eleição, quando o agronegócio, a construção civil e o setor financeiro fizeram os maiores aportes financeiros às campanhas de Dilma (PT) e de Aécio (PSDB). O que é pior, os 10 maiores doadores de campanha em ambos os casos, representam algo como 60% da arrecadação, um oligopólio econômico bastante influente...
5) Após eleito, raramente o Executivo possui base política de apoio no Legislativo que garanta a governabilidade. Isso quer dizer que o povo apenas indica quem vai participar das negociações e conchavos políticos entre novembro e dezembro, após as eleições, para montar o governo. E aí entra em jogo negociação de ministério, loteamento de espaços com cargos comissionados etc.
6) Desde 1988, nenhum presidente da República foi eleito com a efetiva maioria dos votos, posto que, historicamente, entre 25% e 30% dos votos são "desperdiçados" como brancos, nulos ou abstenções. 50% + 1 dos votos "válidos" desde a eleição de Collor, chega a representar pouco mais de 1/3 da população de eleitores. Daí termos um Executivo também pouco representativo, mas, legitimamente eleito.
7) Além do mais, sabemos que o Judiciário, a partir de um determinado nível hierárquico não é formado levando em conta apenas o mérito e, sim, indicações e escolhas políticas oriundas de outro Poder Republicano.
Dito isto, é até de se estranhar porque tanta surpresa com o resultado operacional de um sistema político extremamente clientelista, pouco coeso e "permitido" por uma população que, em sua maioria, ainda está excluída, em diferentes níveis, mas que também carrega uma cultura de ilícitos e de práticas contínuas de pequenas ou grandes corrupções.
A crise moral, ética e institucional que vivemos hoje no Brasil é um momento precioso para refletirmos o que queremos de fato. Ser um país sério não vai cair com a chuva, nem vai ser fruto de milagre ou trabalho de messias "salvador da pátria"...
A política somos nós, nossas escolhas e atitudes cotidianas!!! Eleger e não participar politicamente de outra forma, ao menos acompanhando a atuação etc. é tão nocivo quanto vender o voto.
Quando um sistema que, em essência, é para tratar do "bem comum" está permeado pela individualidade e pela cultura do "salve-se quem puder", o que podemos esperar senão crises cíclicas que continuam tendo como único objetivo, infelizmente, tirar quem está para colocar que ainda não chegou, ao invés de ser aperfeiçoar e melhorar o sistema?
A questão é simples: investimos seriamente na educação para a cidadania desde a 1a. infância, julgamos e punimos TODOS os desmandos e grupos que destróem nosso patrimônio coletivo a partir do mau uso do poder e das instituições, aperfeiçoamos os instrumentos de transparência e de controle social do poder, participamos com mais tempo e qualidade democrática e renovamos nossas instituições ... ou continuaremos a ter um sistema que induz à corrupção, que gera assimetrias e que impõe sobre o cidadão que o elegeu e acreditou, todos esses desmandos que já estamos acostumados a ver no Brasil.
A inovação democrática disruptiva é essencial nesse momento! Poderia ser a agenda de fronteira de cientistas sociais e de humanidades pelos próximos anos... Um sistema que empodere o cidadão, mas que também o eduque a entender as razões e perspectivas divergentes dos demais; e que, sobretudo, dê a todos a capacidade de superar estas divergências para construir juntos soluções para todos. Precisamos unir-nos, apesar da diversidade!!
Não vejo escuridão nessa crise, apenas oportunidades. Mas, será que estamos mesmo preparados para realizar esse salto civilizacional?



quinta-feira, 3 de março de 2016

Um Mar que vem do Sertão

por Jénerson Alves
(Texto publicado na coluna Dois Dedos de Prosa, do Jornal Extra de Pernambuco)

Ao contrário do que supostamente profetizava Antônio Conselheiro, o sertão não vai virar mar, tendo em vista que já o é. Isso porque nasceu no Alto Sertão do Pajeú, mais precisamente no município de Tuparetama-PE, uma escritora que, até mesmo pelo nome, é um verdadeiro mar de versos. Estou me referindo a Mariana Teles, poetisa, declamadora e concluinte do curso de Direito na Universidade Católica de Pernambuco. Recentemente, ela lançou o livro 'Um Novo Mar de Poesias'. A obra, de produção independente, reúne cerca de seis dezenas de poemas em 201 páginas.

Filha do exímio cantador Valdir Teles e da professora Maria Elza, a garota – de 20 anos de idade – mescla em sua poética a resistência sertaneja com a sensibilidade feminina. No livro, percebe-se a interação entre universos distintos. A começar pela capa, cujo título destaca a palavra 'mar', seguido por uma ilustração que remete à grande porção de águas, mas também apresenta um cacto, símbolo da seca e das grandes porções de terras nordestinas. No interior do livro, há sonetos, motes, décimas, sextilhas, trovas e comentários sobre os mais diversos temas. Tanto o lirismo quanto a crítica social estão presentes na obra, passando pela fé e pela exaltação à terra. É possível encontrar nessas páginas resquícios da guria sertaneja que cresceu ouvindo cantoria e escrevendo versos, mas também da mulher que se forma em Direito e amplifica sua visão de mundo. É possível captar a essência de uma verdadeira amante das palavras, estejam elas na métrica das poesias ou nos artigos das leis.

Na realidade, o que se vê nos versos de Mariana é o espírito do ser humano, que se manifesta em suas mais variadas formas. São resultados de momentos de sensibilidade, instantes-já, captados com a essência semelhante aos improvisos do pai. Entre os trabalhos, pode-se citar o mote 'Do Batente de Pau do casarão', de Dedé Monteiro, glosado por ela com maestria e maturidade, que podem ser percebidos em estrofes como “No alpendre da casa que eu morava / tinha o gosto do doce da poesia. / Fora o terço, a novena, a cantoria, / outra festa por lá ninguém falava. / Quando o véu do poente desbotava, / que o sol apagava o seu clarão, / minha mãe acendia um lampião / e, pra provar que nasci ouvindo rima, / pai cantava um cordel sentado em cima / do batente de pau do casarão”.

No livro, ainda é possível enxergar novos olhares sobre a realidade social, por meio de motes como 'Sem primeiro cobrar EDUCAÇÃO, ninguém vai reduzir 'maioridade'', o qual ela apresentou em 2013, representando do movimento estudantil durante um ato contra a redução da maioridade penal, na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Na glosa, ela questiona: “Será justo cobrar de um infrator / que não teve direito a ter direito? / e é somente reflexo do efeito / de um sistema covarde e opressor [...]”. O Hino Nacional, o centenário de Luiz Gonzaga, a viuvez, a família, o amor e a infância são outros temas abordados nos versos da jovem poetisa. É impossível, neste artigo, ressaltar por completo a grandiosidade da obra de Mariana, até porque a literatura é carregada de plurissignificação. Portanto, meu desejo é apenas impelir o leitor a procurar beber das doces águas do mar de Mariana, cujo leito é o sertão, mas – como ela mesma afirma – trata-se de “um mar em busca do mundo”.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mínimo Denominador Comum

por Fabrício Cunha dos Santos


De tantas coisas importantes que aprendi no tempo de convivência com o teólogo e filósofo Ed René Kivitz, um mestre por natureza, a principal de todas elas está numa folha, uma lauda só, só frente, datilografada há muitos anos e xerocada por mim...

Ele ainda era estudante universitário quando, numa reunião entre poucos amigos onde moravam, perto da faculdade, colocaram em pauta a seguinte questão: “qual seria a filosofia de uma igreja relevante”. Com a ajuda do grande filósofo Ariovaldo Ramos, escreveram ali uma lauda com uma filosofia do que seria uma boa proposta de comunidade cristã. Era seu mínimo denominador comum.

Ed René tornou-se pastor de uma grande igreja em São Paulo. Ao longo de seu ministério pastoral, procurou, conheceu, testou várias metodologias de igreja para, 20 anos depois, concluir que era aquela folha rabiscada de forma tão sincera e singela, há tantos anos, o resumo mais coerente de tudo o que procurara e vivenciara enquanto sistemas aplicáveis a uma comunidade. Aquela folha datilografada era a síntese de um sonho. Era tão sincera e leve, quanto densa e expressiva. Permitia que navegassem com liberdade por vários mares, sem perder a direção, aquele núcleo central que os manteria na rota, independente das possíveis intempéries.

Dia desses, revi minha caminhada existencial. Reavaliei a minha fé, solo sobre o qual pisei nos últimos muitos anos de minha vida. Repensei sobre minha vida, a vida ao entorno de mim, sobre as amizades, as decisões, as trajetórias possíveis, olhei, pensei, sorri, chorei, silenciei ao encontrar-me com meu passado, o mais longínquo e o mais recente.

Todos nós precisamos de uma lauda que seja, que nos mantenha vivos e caminhando n’alguma direção. Não que não possamos mudar os planos daquilo que escrevemos em algum momento da vida, mas algumas coisas devem ser tão sólidas, algumas poucas, que nos permitam transitar por terremos mais estranhos, ir e vir no diferente e mudar a direção quando necessário, tendo, na solidez desse mínimo, alguma segurança.

Meu mínimo denominador comum permanece o mesmo:

Tenho um mestre maior chamado Jesus de Nazaré e com Ele aprendi que:

o Toda e cada pessoa tem potencial para ser humana. Cada vez mais humana;

o Nossas relações devem se estabelecer sobre três alicerces, a reciprocidade, a alteridade e a incondicionalidade. Os relacionamentos afetivos e fraternais devem ser recíprocos. Nossa relação com a humanidade de ser de alteridade. E nossa paternidade e maternidade devem ser incondicionais em relação aos seres que gerarmos;

o A sociedade pode subverter a ordem na qual está estabelecida, trocando a competitividade pela solidariedade, o poder do dinheiro pela força do amor, a tendência ao acúmulo pela partilha e o juízo e a maldade pela graça e misericórdia.

Tento me alimentar desses três parágrafos, meu mínimo denominador comum, e seguir adiante. Tudo o mais é supérfluo.

Mas como é difícil.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Professor Reginaldo Melo

por Jénerson Alves

Texto publicado na Coluna Dois Dedos de Prosa, do Jornal Extra de Pernambuco - ed. 625

Ao lado de outros poetas de Caruaru, entrei no apartamento onde o professor Reginaldo Melo está internado há três semanas, em um hospital particular. Ele nos recebeu com alegria, apesar da fragilidade física. Com a voz bem cansada, quase inaudível, um dos primeiros assuntos que ele pediu foi: “Ajudem-me a publicar o cordel sobre o Rio Ipojuca, que já está pronto, só falta ser levado à gráfica”. Coincidentemente, ele estava com uma camisa de um Encontro sobre a questão hídrica que participou em Goiás.
Prof. Reginaldo (centro), ao lado de Espingarda do Cordel (e)
e Jénerson Alves (d)


Durante o encontro no quarto do hospital, ocorrido na última semana, quando Olegário Filho, Nelson Lima, Val Tabosa, Dorge Tabosa, Nerisvaldo Alves e eu o visitamos, comprometemo-nos em procurar os meios para imprimir o cordel sobre o Rio Ipojuca, sim. Além disso, vamos realizar – em nome da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel – um recital apenas com poemas do mestre Reginaldo.

O meio ambiente, a cultura e a sociedade estão entre os temas sobre os quais Reginaldo Melo mais se debruçou ao longo da vida. Por meio dos versos dos seus cordéis, muitas pessoas tiveram a consciência despertada para a coletividade. Ele fez da poesia um ofício quase sacerdotal, “por saber da importância / de ser um educador” (afirmou em uma estrofe).

Entre outros trabalhos de Reginaldo Melo que se encontram na “gaveta”, existe um cordel contando a história do Poder Legislativo. O texto foi escrito sob encomenda da Câmara de Caruaru, com ilustrações do jovem xilogravurista Espingarda do Cordel, que desponta como uma referência da nova geração nessa arte. Tudo está pronto desde o ano passado. A ideia é que o folheto seja impresso e distribuído nas escolas do município. Não tive acesso ao conteúdo, mas por conhecer o autor sei que o cordel consiste em uma verdadeira aula de cidadania, provocando a reflexão e conscientizando os jovens acerca da importância do protagonismo na política. Talvez por isso não seja interesse da atual legislatura viabilizar a impressão e distribuição desse folheto…



No meio dos poetas populares, o professor Reginaldo Melo tem a marca de não se curvar diante de dificuldades, mantendo-se fiel aos seus princípios. Atualmente, ele luta contra o carcinoma escamoso (uma doença cancerígena) e complicações no fígado. Sabemos que ele não vai se curvar diante das enfermidades. Recentemente, foi lançada na internet uma campanha para que ele comprasse um remédio nos Estados Unidos no valor de US$ 2.400. Todavia, sei que existe uma Lei Federal que dispõe acerca da obrigação do SUS em atender pacientes com câncer. Quero aqui provocar as autoridades e órgãos competentes para que a obra e a vida do professor Reginaldo Melo permaneçam servindo de inspiração para as novas gerações, a fim de que o sentimento de coletividade não se perca, fazendo raiar uma nova aurora. Para concluir, deixo uma estrofe em martelo agalopado, escrita por ele: Só teremos o estado de direito / Se lutarmos pela democracia / Praticar e defender cidadania / Não nos resta pensar de outro jeito / Se o ato de votar não for perfeito / E o voto for uma mercadoria / Se deixarmos levar por fantasias / Nosso drama jamais terá conserto Quando o nosso eleitor votar direito / Vamos ver o nascer de um novo dia”.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Como será a igreja evangélica brasileira de 2040?

Paul Freston
 
Saiu nos jornais o resultado de uma pesquisa do IBGE com dados interessantes sobre a realidade evangélica no Brasil. O dado que mais nos chamou a atenção é o que diz respeito à categoria evangélica que mais cresce: o “evangélico sem igreja”. A maior parte desse grupo não é de evangélicos “nominais” (os que se autodenominam evangélicos, mas não frequentam uma igreja); antes, é composta pelos que se consideram evangélicos, mas não se identificam com denominação alguma. Longe de ser “nominal” ou “não-praticante”, o evangélico sem igreja talvez frequente várias igrejas sem se definir por uma; ou pode ser que assista a uma igreja durante alguns meses, antes de passar facilmente a outra. Com isso, não chega a se sentir assembleiano ou batista ou presbiteriano ou quadrangular. Existe, então, um setor crescente de pessoas que se identificam como evangélicas, mas não como pertencentes a uma determinada denominação.
 
Há também outra tendência que logo vai aparecer. Ainda não temos os resultados religiosos do Censo de 2010, mas as pesquisas recentes indicam que a porcentagem de evangélicos continua crescendo -- não no ritmo dos anos 90 (que foi inteiramente excepcional), mas voltando ao ritmo de crescimento que caracterizou os anos 50, 60, 70 e 80. Contudo, esse crescimento um dia vai parar. Tal afirmação não é uma questão de “falta de fé”! Mesmo estatisticamente, nenhum processo de crescimento pode durar para sempre. Percebemos, pelas tendências atuais, que o fim do crescimento evangélico no Brasil pode não estar distante. De cada duas pessoas que deixam de se considerar católicas, apenas uma passa a se considerar evangélica. Além disso, evidentemente, a Igreja Católica não está a ponto de desaparecer. Fenômenos como a Canção Nova e outros testemunham disso; ou seja, há formas de catolicismo que arrebanham muita gente. É verdade que o catolicismo continua diminuindo numericamente, mas principalmente entre adeptos nominais ou de vínculo fraco. Existe um núcleo sólido que não está desaparecendo e que constitui, provavelmente, em torno de 25 a 30% da população. Pelas tendências atuais, será difícil que os evangélicos, que hoje são em torno de 20%, passem de 35% da população.
 
Tudo isso significa que logo vivenciaremos uma nova fase da religião evangélica no Brasil. Estamos desde os anos 50 na fase do crescimento rápido. (Antes dos anos 50 as igrejas não cresciam tanto.) Crescimento rápido significa que a igreja média tem poucas pessoas que nasceram evangélicas, mas muitas que se converteram, inclusive que acabaram de se converter. Essa situação é privilegiada sob muitos aspectos, mas também tem certas implicações. Quando terminar a fase do crescimento rápido -- provavelmente nas próximas duas ou três décadas --, haverá outro perfil em uma igreja média: mais pessoas que “nasceram na igreja” e menos que se converteram ou que acabaram de se converter. Com isso,  muitas coisas mudarão. O perfil de liderança eclesiástica exigida mudará. O crescimento rápido privilegia certo tipo de líder: o que tem um ministério capaz de atrair novos membros. Isso, claro, é muito importante, e sempre haverá espaço para esse tipo de líder. Porém, com a estabilização da igreja, haverá mais espaço para outras modalidades de liderança. E, como sabemos pelo Novo Testamento, os ministérios na igreja são múltiplos e variados. Não devemos ter uma linha de montagem de líderes cristãos com todos exatamente iguais. Temos de abraçar a variedade de ministérios e de tipos de líder evangélico. 
 
Por que no futuro uma variedade de tipos de líder será ainda mais importante? Quando as igrejas crescem muito, a exigência é fazer bem o bê-á-bá, pois há sempre pessoas novas chegando. Entretanto, quando há uma comunidade estabilizada numericamente, com mais pessoas com muito tempo de vivência evangélica, outras exigências ganham força. “Entre a conversão e a morte, o que tenho de fazer? Como desenvolvo a minha fé? Como devo crescer nas mais variadas áreas? O que significa ser discípulo de Cristo em todas as dimensões da vida? O que a fé evangélica tem a dizer sobre as questões que agitam a sociedade?” Haverá, então, mais exigência por um ensino variado e por pessoas que saibam falar para a sociedade em nome da fé evangélica. Precisaremos de pessoas preparadas nas mais diversas áreas de interface com a sociedade; portanto, precisaremos de ministérios cada vez mais diversificados. Esse tipo de líder não aparece da noite para o dia, pois a formação leva tempo. O carisma e o autodidatismo não bastam nesses casos.
 
Além disso, será cada vez mais importante a questão da transparência: primeiro, porque é uma demanda do próprio evangelho e, segundo, porque (queira Deus!) o Brasil de 2040 terá uma democracia mais limpa e transparente. Os líderes evangélicos do futuro precisarão ter vida pessoal capaz de ser examinada. Haverá menos tolerância para o líder inacessível e opaco, que vive atrás das máscaras. Em vez disso, uma liderança mais exposta e vulnerável será exigida. E as técnicas não ajudam nisso. O que produz esse tipo de líder é um profundo processo de formação pessoal, que leva tempo. 
 
Se não houver pessoas à altura, é possível que, quando terminar o crescimento rápido, em vez de uma comunidade evangélica estabilizada em torno de 35% durante gerações e com um efeito benéfico profundo na vida do país, haja um decréscimo na porcentagem de evangélicos. A curva numérica que agora ascende rapidamente pode cair de forma igualmente rápida. O evangélico ingênuo, que acha que isso nunca poderá acontecer, desconhece a história da igreja cristã, pois isso aconteceu algumas vezes em outros países. Se não tivermos um olhar para o futuro, para perceber os desafios de amanhã e nos preparar hoje para eles, a probabilidade é que esse declínio aconteça. 
 
Portanto, o primeiro desafio de hoje em função do futuro é formar um leque de tipos de líder, com ministérios variados, mas sempre humildes e com vidas transparentes. E o segundo desafio é a recuperação da Bíblia. A identidade evangélica não deve estar ligada meramente a uma tradição que se chama evangélica. Antes, ser evangélico significa a vontade de ser verdadeiramente bíblico, em todas as dimensões da vida com Cristo. E a Bíblia é um grande país, um terreno vasto, que precisamos conhecer por inteiro. Todavia, perdemos muito o sentido de ser bíblico. É raro hoje ouvir sermões verdadeiramente embasados na Bíblia. São mais comuns aqueles que nem sequer partem da Bíblia, ou aqueles em que o pregador lê um texto bíblico para depois falar de outro assunto. É incomum a interação séria com o texto bíblico, em que se deixa o texto falar para depois se fazer as aplicações para a vida pessoal, comunitária e social. É raro porque é difícil. Esse tipo de mensagem requer formação, preparo, pensamento, meditação. Via de regra, na fase atual do crescimento rápido, é mais fácil não fazer tudo isso, se preocupar apenas em ter uma igreja cheia.
 
Em um futuro próximo, porém, esse enfoque será cada vez mais necessário. Se não recuperarmos a capacidade de interagir com o texto bíblico, de deixá-lo falar a nós e, a partir disso, tirar as implicações individuais, eclesiásticas e nacionais, nos mostraremos irrelevantes. Assim, é possível que a curva decline logo após a estabilização, pois a capacidade de estudar e ensinar a Bíblia é algo que não se constrói da noite para o dia. É necessário exigirmos de nossos líderes que ensinem a Palavra, que interajam profundamente com o texto bíblico, que não fujam! Contudo, o bom ensino na igreja precisa também ser complementado pela leitura individual. É fundamental adquirir menos livros água com açúcar ou triunfalistas e mais leituras que nos embasem biblicamente. 
 
O processo, portanto, tem de começar com os membros comuns exigindo uma melhor qualidade de ensino e de literatura. A nova liderança para fazer frente aos desafios de 2030 e 2040 só vai surgir se houver uma demanda articulada a partir dos membros das igrejas. 
Dentro do tema da recuperação da Bíblia, insisto na centralidade dos Evangelhos. Comenta-se que a fé evangélica se tornou prisioneira da cultura religiosa da barganha. Ora, uma das maneiras de superar a cultura da barganha é incentivar a dedicação a uma causa (como fazem os movimentos políticos mais ideológicos). O problema, neste caso, é a persistência ao longo do tempo, a capacidade de continuar dedicado a ela durante décadas e apesar dos contratempos. Porém, existe uma outra maneira de combatermos a cultura religiosa da barganha: encantando-nos com a figura de Cristo, com a humildade amorosa de sua figura humana retratada nos quatro Evangelhos. O melhor antídoto para a cultura da barganha é o fascínio por Cristo, que advém do estudo sério dos Evangelhos.
 
A igreja evangélica brasileira de 2040 precisará, portanto, de líderes mais diversos nos seus dons, profundos no seu conhecimento e sabedoria e transparentes nas suas vidas; e precisará ter redescoberto o verdadeiro sentido de ser evangélico, que é a vontade de ser profundamente bíblico em toda a nossa existência. Esses dois requisitos existirão se a igreja de hoje tomar as medidas necessárias.
 
• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá.

Fonte: site da Ultimato

Shaolin e o absurdo

por Jénerson Alves (texto publicado na coluna Dois Dedos de Prosa, no Jornal Extra de Pernambuco)

Talvez dizer que Josenilton Veloso faleceu não gerasse tanta comoção. Ele era muito mais conhecido pelo seu codinome artístico: Shaolin. O paraibano sempre honrou o chão onde nasceu. Iniciou seus trabalhos na antiga Rádio Borborema, em Campina Grande. O jornalista Astier Basílio acentua que, algum tempo depois, já na TV Borborema, Shaolin chamava a atenção porque, em vez de imitar personalidades nacionais, como Sílvio Santos e Paulo Maluf, ele dedicou-se aos personagens locais, a exemplo de Pedro Chulé, Doutor Damião e Ronaldo Cunha Lima. Foi com essa essência que o humorista ganhou o Brasil. No SBT, na Record ou na Globo, ele levou a alegria nordestina para milhões de brasileiros.
Humorista Shaolin. Foto: PBAgora/Reprodução

Encontrar motivos para sorrir diante de uma existência tão absurda é um grande feito. Ter um olhar para os detalhes, enxergando a beleza da vida, é um milagre que apenas os artistas conseguem fazer. Seus personagens, suas imitações, suas composições, sua voz inigualável e seu sorriso indelével ficarão marcados na nossa memória e no nosso coração.

Absurdo também foi o acidente que ele sofreu na BR-230, em Campina Grande, no dia 18 de janeiro de 2011. Depois disso, foram praticamente cinco anos de batalha. Operação, internamento, coma. O baixinho que fez o Brasil sorrir também deixou a população apreensiva. Recentemente, havia voltado a se comunicar com a família, através do olhar e de expressões faciais. No dia 14, veio a triste notícia, o Brasil ficou menos alegre e o humor entrou de luto.

Nestes tempos de crise no que é chamado de humor em nosso país, artistas como Shaolin fazem muita falta. Ainda bem que permanece a semente no seu filho, Lucas Veloso, o qual já testificou no Facebook que deseja “honrar a alegria” do pai “todos os dias”. A esperança dá sinais que haverá mais motivos para sorrir.

Entre várias homenagens póstumas prestadas a ele, destaco a do poeta Oliveira de Panelas, que fez um jogo sonoro e visual entre o nome do humorista e o sentimento de saudade:

Tchau SHAOLIN, tchau tchau!
Tchau SHAOLIN, tchau,
Tchau SHAOLIN,
SHAOLIN,
Tchau!”


Em tempo: afirmo que não conheci Shaolin pessoalmente. Mas isso é desnecessário. Ele era daquele tipo de artista que parecia que ia sentar conosco no quintal e tomar um refrigerante, conversando como quem se conhece há muito tempo. Eu gostaria de falar para a viúva, Laudiceia, e para a família que, apesar da dor, é necessário lembrar que o Shaolin (aliás, que o Josenilton) atualmente está em um camarim, aguardando para o maior espetáculo da humanidade, quando esse “tchau” se transformará em um sorriso eterno.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Por que você deve investir no mandarim em 2016?

Por Sumara Lorusso

Você já pensou em incluir a língua chinesa no seu currículo? Se sua resposta for negativa, então comece a pensar nessa possibilidade agora mesmo. A cada dia que passa, o Mandarim se torna mais importante e popular, sendo o idioma mais ensinado em todo o mundo. Apesar de parecer impossível de aprender, ele tem gramática muito simples e o curso completo dura cerca de três anos. Se ainda assim, não consegui te convencer, confira a seguir cinco excelentes motivos para você incluir o Mandarim nas suas metas de ano novo!
1) A China é uma potência mundial, não há como negar: O país emergiu de um longo período de estagnação e, atualmente, é uma das grandes potências mundiais. Sua economia só perde para os Estados Unidos e o país não para de crescer. Diariamente, o mercado internacional volta sua atenção para a China. Isso ocorre porque tudo que acontece por lá reflete diretamente na economia de outros países. Faça um teste para notar essa influência e assista ou leia alguns noticiários, sempre haverá matérias referentes ao país. No mundo dos negócios não é diferente e uma coisa é certa: se você nunca negociou com chineses, ainda irá negociar. Ter o Mandarim na manga certamente vai te ajudar. 
2) Os chineses estão de olho no Brasil e vice-versa: Há quem diga que a China acredita no Brasil mais do que nós mesmos. Dessa forma, não há dúvidas quanto ao mar de oportunidades que essa relação oferece. O país é um dos maiores compradores e vendedores de produtos para o Brasil. Mas a relação vai muito além do comércio, a China busca unir seu abundante capital com a nossa necessidade de promover melhorias de infraestrutura. Diretamente relacionada a esse aumento do intercâmbio comercial, surge a demanda por profissionais que atendam os chineses no Brasil. Leva vantagem, é claro, quem sabe falar a língua. Por questões culturais, esse fator estreita os laços de confiança. Ainda que falem inglês, os chineses preferem fechar negócios falando a língua materna.
3) Diferencial competitivo e ganhos exponenciais: Que o inglês é essencial, ninguém discute. Mas, o Mandarim é um diferencial competitivo. Pra se ter uma ideia, entre os americanos o chinês já é a segunda língua que mais desperta interesse, vindo logo após o espanhol. A concorrência por bons empregos, estágios e trainees está altíssima, para conseguir um diferencial competitivo, nada melhor do que enriquecer seu currículo acrescentando conhecimentos pouco convencionais, como o Mandarim. Além disso, de acordo com empresários e agências de recrutamento, saber o idioma chinês pode até mesmo aumentar seus ganhos. No caso de um engenheiro, por exemplo, o salário base chega a dobrar caso o profissional tenha domínio dessa língua. 
4) Imersão em uma cultura rica e diferenciada: Com mais de cinco mil anos de idade, a cultura chinesa possui uma diversidade encantadora com suas tradições e peculiaridades. O próprio Mandarim, que representa um dos diversos dialetos presentes no país, possui uma grande representatividade cultural. Além disso, uma das principais maneiras de otimizar o aprendizado de uma língua estrangeira é pensando como seu povo, imergindo em sua cultura. Por isso, é essencial dedicar-se um pouco mais para adquirir esse conhecimento. Uma ideia é começar pelos ensinamentos de grandes filósofos chineses, como Confúcio, por exemplo. Normalmente, quando uma poesia chinesa é traduzida para o Português muita coisa se perde pelo caminho, mas ao saber o idioma você poderá captar a verdadeira essência do que foi escrito. Isso sem contar a medicina, as lutas, as festas, as novelas, as superstições, etc. Um verdadeiro universo dentro dessa cultura milenar e que você terá ao alcance de suas mãos.
5) Oportunidade de vivenciar uma experiência única no exterior: Para quem gosta de se aventurar em diferentes partes do mundo, a China é uma das melhores opções. O país, de proporções continentais, tem opções para todos os gostos e estilos. Depois de conhecer um pouco sobre a cultura, será inevitável que você desenvolva um desejo enorme de vivenciar isso na pele. Embora grandes empresários falem inglês, a grande maioria da população só fala Mandarim. Assim, para você conseguir se comunicar bem, será mais do que necessário saber, ao menos um pouquinho, do idioma. Além disso, é muito mais prazeroso conhecer uma cultura com seus habitantes nativos do que com turistas ou estrangeiros.
Estes são apenas alguns motivos que demonstram o quanto aprender chinês pode ser uma excelente escolha para sua vida profissional e pessoal. Com toda certeza, a China ainda tem muito que nos ensinar e o idioma é apenas uma pequena contribuição frente a riqueza imaterial desse país. Agora, se aprender essa língua não estava nos seus planos de ano novo, sugiro que reveja essa decisão com carinho, você não irá se arrepender! Jiérì kuàilè! (boa sorte).
Sumara Lorusso é formada em letras e tradução pela Unibero e tem fluência em mais de cinco idiomas, incluindo o Mandarim. É presidente da Nin Hao, escola referência no ensino do idioma, há dez anos no mercado.

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