domingo, 15 de novembro de 2015

Os dez mandamentos

por Jénerson Alves (texto publicado na coluna Dois Dedos de Prosa, do Jornal Extra de Pernambuco)



Não assisto a novelas. Aliás, pouco assisto televisão. Toda vez que alguém liga o aparelho lá em casa, eu entro no quarto e leio um livro. Porém, pelas redes sociais foi que descobri que existe uma novela com o mesmo título do capítulo 20 do livro bíblico de Êxodo. E que, durante a semana, houve a exibição da clássica cena da passagem pelo Mar Vermelho. A produção chegou a alcançar o primeiro lugar no Ibope, com 31 pontos de audiência em São Paulo – em Recife, teve média de 32,5 pontos.
Na realidade, eu me recordava do filme 'Os dez mandamentos', dirigido por Cecil B. DeMille e estrelado por Charlton Heston e Anne Baxter. A obra, dos anos 50, é considerada um dos melhores filmes de todos os tempos. O enredo, claro, é a vida de Moisés, personagem bíblico que foi colocado nas águas em um cesto, mas foi adotado por uma princesa egípcia e depois tornou-se o libertador dos hebreus.
Porém, Moisés não é somente um protagonista de cinema e de TV. Durante muito tempo, céticos discordavam da possibilidade da existência de Moisés, dizendo que a história do Êxodo teria sido uma adaptação do mito de Sargão I, rei que governou a Babilônia na segunda metade do 3º milênio a.C. Atualmente, há diversos estudiosos que acreditam na veracidade do personagem e da narrativa. Segundo esses intelectuais, o Êxodo teria ocorrido por volta de 147 a.C. e Moisés teria sido contemporâneo de Tutmés II, o qual seria meio irmão e marido da princesa Hatshepsut (que o teria adotado).
As contribuições de Moisés para os dias de hoje ainda são fascinantes e adentram no ambiente político. Ao contrário da ideia de que a Grécia foi o berço da democracia, historiadores da estirpe de Vishal Mangawaldi apontam que foi a partir da Bíblia que os Estados Unidos consolidou sua base democrática. Foi com Moisés, que instituiu um governo baseado na Lei, contando com a ajuda de líderes escolhidos pelo povo. Esse relato está no capítulo 18 do Êxodo. Perceba que é uma ótica bastante distinta da grega – defendida por Platão –, que entendia o governo do filósofo rei como o mais eficiente.

Mais do que mote para efeitos especiais, por intermédio da vida de Moisés é possível encontrar inspiração para a vida. As influências deste personagem vão além dos efeitos especiais que espetacularizam as novelas e filmes. Meditar nesta narrativa pode gerar como efeito a adoção de um projeto de vida especial e fascinante. Afinal de contas, segundo a Bíblia, foi Moisés quem recebeu de Deus os tabletes com os Dez Mandamentos, como símbolo de um concerto eterno entre a Trindade e o Seu Povo. Aquelas tábuas não são apenas artefatos antigos, nem correspondem a uma série de normas instituídas. São princípios que oferecem soluções para a vida de cada um de nós. Acredito que em nenhuma outra fase da história da humanidade foi tão necessário ouvir expressões como “Não matarás; honrarás teu pai e tua mãe; não adulterarás; não dirás falso testemunho; lembra-te do Sábado (dia do descanso)” e, principalmente, “Não terás outros deuses diante de Mim”. Mais do que ouvi-las, é necessário refletir sobre elas, até que elas entrem no coração e tomem conta da existência. Isso não ocorre por meio de concepções cinematográficas, mas da decisão particular. Essa Lei que libertou os hebreus dos grilhões egípcios consiste em princípios que podem libertar o ser humano das algemas líquidas do tempo presente.  

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Da Reforma à Bancada Evangélica

por Jénerson Alves

Dificilmente o dia 31 de outubro é lembrado por causa da Reforma Protestante. Boa parte da população, inclusive evangélica, associa a data à celebração do Halloween. Esse fato não causa espanto, uma vez que as doutrinas bíblicas levantadas pelos reformadores estão cada vez mais distanciadas dos púlpitos, dos lábios e do coração do povo que se autodenomina “de Deus”. O movimento liderado por Martinho Lutero em 1517 era contrário às indulgências, mas atualmente o lobby político, o suborno do dízimo e a fixação fetichista por poder secular têm sido as características preponderantes de uma Igreja que abandonou os passos de Jesus.
Atualmente, assim como no século XVI, as divergências entre a prática dos cristãos e a fé professada são gritantes. Se, no famoso texto da Carta a Diogneto (considerada “a maior joia da literatura cristã primitiva”), os cristãos são comparados à alma do mundo, que, “mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, (...) testemunham um modo de vida admirável”, infelizmente não é assim que são tratados aqueles que se apresentam como cristãos atualmente, principalmente os que se encontram sob os holofotes da mídia. Basta dar uma olhada na chamada ‘bancada evangélica’ do Congresso Nacional.
Na realidade, a bancada é uma representação de um sem-número de evangélicos cujas práticas são completamente opostas à mensagem de Jesus. Com discursos de ódio, disparam contra todos os que pensam de modo diferente. Para se ter uma ideia, as agressões a membros de comunidades de terreiro estão se proliferando tanto no país que lideranças reivindicaram no Senado a criação de uma CPI para combater a intolerância religiosa. Pasmem. A maioria dos intolerantes é oriunda de igrejas evangélicas, principalmente de linha pentecostal. Não precisa ir muito longe para constatar isso. Grande exemplo de intolerância neste sentido é um vídeo do pastor Lucinho Barreto, que circula na internet, no qual ele narra efusivamente uma ‘aventura’ com adolescentes da igreja que lidera, atrapalhando manifestações dos religiosos de matriz africana. Mesmo sendo um senhor de meia-idade, Lucinho fala como um adolescente de 15 anos e é considerado no meio gospel como uma “referência para a juventude”. Some-se a isso o ódio contra os homossexuais, o fetichismo pelo dinheiro nos cultos da prosperidade, a negação da cultura e o mundanismo da ‘pureza’ sexual. O resultado não poderia ser outro: uma grande massa de alienados que não sabe viver em comunidade.
Historicamente, evangélicos como Robert Kalley lutaram pela laicidade do Estado brasileiro. Mais recentemente, o pastor Lisâneas Maciel, enquanto deputado, lutou pelo fim da ditadura. Atualmente, a ‘bancada evangélica’ segue na contramão do legado histórico e teológico dos evangélicos. É hora de rever o papel da igreja por meio das ciências sociais e buscar um avivamento através da Bíblia, trazendo à tona os cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria.

Segundo a Bíblia, quem foi remido pelo Sangue do Cordeiro passa a andar em “novidade de vida”. Assim sendo, o padrão de vida seguido pelo cristão deve glorificar a Deus. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5:17). A Igreja precisa reafirmar seu compromisso de restauradora de veredas. Assim como João Batista, a Igreja precisa preparar a sociedade para a vinda do Messias. Do ponto de vista da participação política, ela tem de engajar-se com os ideais de justiça, paz e amor do Reino de Deus. Quanto ao entendimento, necessita estar cingida do conhecimento de Cristo. Quanto à prática, deve ser amorosa. Afinal de contas, faz-se necessário seguir o exemplo dAquele que não veio julgar o mundo, mas salvar (Jo 12:47). Que Ele nos ilumine.


Requiem


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Entrevista com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF)

Ainda trabalhando no Jornal Extra de Pernambuco, tive a oportunidade de entrevistar o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), quando da sua passagem por Caruaru, em 25 de setembro de 2015. A entrevista foi publicada no seminário e agora eu a reproduzo aqui. Confiram:



JORNAL EXTRA – Senador, ontem (24 de setembro), o senhor esteve no Teatro Santa Isabel, em Recife, assistindo ao espetáculo ‘Auto das Sete Luas de Barro’ e sendo homenageado. Que avaliação faz daquele momento?
Crédito da foto: Arnaldo Felix/Divulgação
CRISTOVAM BUARQUE – Para mim, foi muito emocionante, porque o Teatro Santa Isabel é muito marcante em minha vida. Eu cresci indo para o Teatro Santa Isabel. Lembro-me que foi lá a primeira vez que fui a um concerto de música. Era um concerto de piano. Eu tinha 15 anos. Marcou-me muito porque eu fui sozinho, eu estava aprendendo a andar sozinho à noite no centro do Recife. Depois, fui muitas vezes ao Teatro Santa Isabel, quando estudante. O que me tocou muito ontem (dia 24.09) foi que eu recebi um diploma e uma medalha, dados pela deputada estadual Raquel Lyra (PSB). Eu lembrei que 49 anos atrás eu recebi ali o diploma de engenheiro. Minha formatura foi no Teatro Santa Isabel. Porém, naquele momento, não me deixaram levar o diploma, pois eu era o orador da turma e fui muito duro. Era o regime militar. Então, a maneira de me punir foi não me dar o diploma. Só consegui me formar 10 dias depois, entrando na Justiça.
Além disso, o que foi formidável foi assistir à peça de teatro sobre o Vitalino. Foi uma das peças mais belas que assisti em muitos anos. Gostei demais. Grandes atores, uma bela história, uma iluminação perfeita, música bonita e um personagem dos mais expressivos da história do Brasil, sobretudo na cultura, que foi Vitalino.

JORNAL EXTRA – E hoje (25.09) o senhor esteve em Toritama. O que o motivou a fazer essa viagem?
CRISTOVAM BUARQUE – Para mim, hoje foi especial. Eu vim a Toritama pela segunda vez. Há exatamente 10 anos eu estive aqui. Em 2005, no começo do ano, o presidente Lula veio a Toritama e, quando ele desceu do helicóptero, um grupo de garotos veio para falar com ele. O jornal Folha de S. Paulo tirou uma foto do presidente agachado, conversando com esses meninos, sem camisa, pobres. Naquela época, eu vim ver quem eram aqueles meninos. Conversei com eles, com os pais, com a professora, visitei a escola. Escrevi uma carta ao Lula, dizendo quem eram aqueles meninos – que pela foto ninguém sabe quem é. Eu disse, na carta, que a situação desses meninos era trágica, mas ele não era culpado, pois havia chegado agora na presidência, mas se em dez anos isso não mudasse, a culpa seria dele. Eu fui vê-los.

JORNAL EXTRA – O senhor consegui identificá-los?
CRISTOVAM BUARQUE – Todos eles.  Só não encontrei um, pois estava ‘fazendo um bico’ fora. Novamente, conversei com os pais, com a professora, visitei a escola.
JORNAL EXTRA – E como eles estão?
CRISTOVAM BUARQUE – Nada mudou. Nenhum desses meninos teve um rumo na vida. Todos abandonaram a escola antes do final do Ensino Fundamental. Nenhum deles tem um emprego satisfatório. A menina, hoje com 16 anos, já tem filho. Eu estive com ela, carreguei o filho dela nos braços. Vou escrever uma carta, mostrando que estes dez anos, para esta geração, foram dez anos perdidos.

JORNAL EXTRA – Mas este ano surgiu o slogan ‘Brasil, Pátria Educadora’...
CRISTOVAM BUARQUE – O que eu vi, desmoraliza completamente o slogan ‘Pátria Educadora’. Totalmente. Então, fico pensando: “este menininho que carreguei no braço, filho da menina: qual o futuro dele?” Se nós não tomarmos algumas decisões muito rápidas, o futuro dele vai ser igual ao da mãe. Ou seja, sem futuro.
Eles trabalham em confecções, ganhando uma ninharia, a mãe recebe Bolsa Família, que não dá quase para nada. É trágica a situação. Não foi feito praticamente nada nesses últimos dez anos.

JORNAL EXTRA – O senhor mencionou a questão da confecção. Os políticos jactam-se do Polo Têxtil, por ser positivo economicamente. Porém, o senhor concorda que há um custo social por trás dele?
CRISTOVAM BUARQUE – É tão positivo, do ponto de vista econômico, quanto o Bolsa Família. Ou seja, é um positivo ‘desse tamanhinho’ (fazendo sinal com os dedos, simbolizando ‘pouca coisa’). Lamentavelmente, nós nos satisfazemos com pouco. O Brasil é melhor com o Bolsa Família do que sem ele, mas, se daqui a dez anos ainda precisarmos do Bolsa Família, é uma tragédia histórica. O Brasil não tem conseguido fazer que as pessoas sobrevivam com dignidade. A casa que visitei dessa menina, cuja mãe recebe Bolsa Família, é de absoluta penúria.  E como não ser penúria, com R$ 200 por mês?
Mesma coisa é o programa das confecções. É claro que é melhor com elas do que sem elas. Eles estariam passando fome e não estão. Porém, é um trabalho manual, sem a menor qualificação, que dá um salário um pouco maior do que um salário mínimo, mas com uma vulnerabilidade muito grande. Basta amanhã os chineses conseguirem exportar jeans barato para cá, que acaba tudo aquilo. Não tem como sobreviver. Não é um emprego permanente. Eles não têm carteira profissional assinada, não têm 13º salário ou férias.
Aí você me diz: “e vai fazer o quê?” Se aqueles garotos da foto, e tantos outros, tivessem recebido uma boa educação, eles estariam muito melhores do que no trabalho das facções. Podiam estar fazendo moda, podiam estar criando.

JORNAL EXTRA – O memorável educador Rubem Alves dizia que as escolas, muitas vezes, são verdadeiras gaiolas. É o tipo de Educação implementado que não responde às demandas da sociedade?
CRISTOVAM BUARQUE – Veja bem. O Rubem Alves é correto na crítica que faz, mas é a crítica do educador, aquele que pensa a sala de aula. Mas a minha crítica é do educacionista, o que pensa todas as salas de aula. Eu estou de acordo com ele, que a sala de aula como é hoje termina sendo uma gaiola. Mas, sem a sala de aula, a gente tem o Mediterrâneo afogando as pessoas, como está afogando os sírios agora. Uma escola-gaiola é melhor do que nenhuma. Na escola-gaiola, é possível abrir a porta e deixar o pássaro voar. A não-escola é uma gaiola sem porta, uma prisão definitiva.

JORNAL EXTRA – Então, universalizar o acesso ainda é um desafio no Brasil?

CRISTOVAM BUARQUE – O acesso à matrícula, hoje, é quase 100%. Mas tem de ser o acesso não só à matrícula, mas também à frequência (uns se matriculam, mas não frequentam), à assistência (outros frequentam, mas ficam ali brincando, ou ‘fazendo bagunça’, como chamam), e à permanência. Só 40% dos alunos chegam ao final do Ensino Médio. E essa permanência tem de ser com aprendizado (aí não chega a 20% dos adolescentes brasileiros). O Brasil diz que universalizou a Educação, mas apenas universalizou o acesso à matrícula.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Quando eu digo ‘amo você’

por Jénerson Alves 

Eu possuo um vocabulário particular. As palavras, quando ditas por mim, dificilmente estão revestidas do mesmo significado atribuído a elas por outras pessoas. Acho que é por isso que sou tão incompreendido. Você sabe que tenho um modo de falar um tanto grosseiro, um tanto pesado, um tanto desconexo... Desconverso, me verso, sou o inverso do sucesso.

Portanto, pelo menos com relação ao ‘amor’, eu gostaria de ser entendido. Não que eu necessite ser entendido por todo mundo. Basta que você me entenda. Afinal de contas, você é o meu mundo.

Eu quero que você saiba que quando eu digo ‘amo você’ não estou dizendo que lhe darei a lua, as estrelas, o céu ou a terra. Quando eu digo ‘amo você’, não estou lhe prometendo noites tresloucadas de prazer nem aventuras eróticas em praias desertas (ou povoadas). Não estou dizendo que me subjugo ao seu modo de pensar nem de agir. Não estou decretando que minha presença será certeza em todos os momentos. Não estou garantindo que quero ser seu namorado, noivo ou marido. Não estou declarando que serei cego para a beleza de outras mulheres, nem prometendo que terei mãos suficientemente fiéis perante possíveis aventuras.



Por favor, não se assuste com essas afirmações. Quando confesso tudo isso, não estou ‘lavando as mãos’ acerca de comportamentos que eu possa ter, aparentemente, de caráter um tanto duvidoso. Não estou assinando um atestado de engodo nem de mentira. Por incrível que pareça, sou sincero toda vez que digo que amo você.

É que, quando eu digo ‘amo você’, estou garantindo que, no que depender de mim, vou fazer o possível para me manter em harmonia com você. Quero cultivar a unidade com você. Quero ficar em plena sintonia com seus sentimentos, compreender seus pensamentos, perceber suas ações. Quero sentir a sinergia do seu presente – da sua presença –, entender seu passado, sonhar e construir um futuro com você. Quando eu digo ‘amo você’, estou dizendo que não quero lhe pôr algemas, mas que respeito profundamente a sua liberdade (porém, desejo fazer parte dela).


Quando eu digo ‘amo você’, estou dizendo que sinto saudade, que quero o seu bem, que sonho com você, que você é especial para mim. Estou dizendo que tudo o que faço com relação a você é com intenção positiva. Cada palavra, cada gesto, cada pensamento que tenho para com você é com o coração revestido de coisas boas. Se eu digo ‘sim’ ou ‘não’; se eu me faço presente ou ausente; se eu concordo ou discordo; se eu falo ou silencio; se eu abraço ou me afasto; não importa qual seja a alternativa tomada, ela sempre esteve, está e estará calcada no amor. E eu não quero me portar inconvenientemente diante de você. Não quero procurar meus próprios interesses. É esse o tipo de amor que sinto, que busco, que semeio. É esse o tipo de amor que tudo suporta, tudo espera, tudo crê. É sobre isso que falo quando digo ‘amo você’.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Não transformem o Evangelho em má-notícia!

por Jénerson Alves

Pastores, presbíteros, diáconos, pregadores, evangélicos, enfim... Ouçam o meu clamor: não transformem o Evangelho em má-notícia!

Clamo por isso, embora sabendo que o Evangelho, em essência, é Jesus, por isso jamais poderá ser má-notícia, mas apenas a boa-notícia da reconciliação do mundo com Deus, através de Cristo.

Mas, quando não se vê Jesus como Emanuel, como Deus Conosco, o Evangelho deixa de ser Evangelho e passa a ser má-notícia. Quando a compreensão de um Jesus Bom Pastor dá lugar à de um Jesus déspota, controlador, medidor de detalhes, castrador da vida, o Evangelho deixa de ser Evangelho e passa a ser notícia do inferno, preâmbulo do abismo, sinônimo de trauma e dor.

O verdadeiro Evangelho liberta. Mas a libertação só vem por causa do Amor. Somente quem é imerso no Oceano do Amor de Cristo consegue se entregar no rumo da obediência.

Não utilizem os púlpitos para disseminarem doenças, nem maldições, nem perversões. Não ensinem os pais a se colocarem contra seus filhos, por causa dos conflitos de gerações. Não ensinem os seus adolescentes e jovens a desrespeitarem os professores em sala, por causa de uma “fé” que não é a fé pela qual o justo vive. Não ponham grilos na cabeça dos seus jovens por causa da sexualidade. Não condenem os que estão de fora. Não chutem quem está sofrendo. Não propaguem o ódio. Não falem mais do Satanás do que em Jesus nos seus sermões. Não castrem as artes, a beleza, o afeto, a família, a literatura, o cinema, a música, a dança, aquilo que embeleza e colore a existência.

Se lembrem que Cristo veio trazer vida e vida abundante. Não deturpem a mensagem da Graça!
Não mandem ninguém para o inferno. Deixem que quem quiser ir para lá, o vá com suas próprias pernas. Antes, exponham o caminho para o Céu e palmilhem nesse caminho com quem quiser percorrê-lo.

Precisamos de pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos, pregadores, evangélicos, enfim... que entendam que o Evangelho é boa notícia. Que amem. E amem. E amem até quem não os ama. E amem o próximo como a si mesmos. E amem a Deus mais do que tudo (e se lembrem que Ele ama a todos nós de tal maneira que não houve palavras para expressar este amor, e Ele próprio se encarnou para poder exprimir o que isso é). Então, amem. E lembrem que amor não é palavras, mas é ação, é vida, é encarn-ação.


Peço em nome das crianças, dos órfãos, dos que choram de madrugada, dos que foram expulsos das igrejas, dos filhos que foram rejeitados pelos pais, dos fiéis que não se sentem abraçados pelo Amor do Altíssimo (pois não viram nenhuma faísca dEle nos líderes), enfim, por todos aqueles que, de alguma forma, receberam veneno em um frasco que se propunha a ser remédio: Não transformem o Evangelho em má-notícia.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Eu escolhi escolher (e prepara que eu escolhi fazer textão mesmo!!!)

por Bela Barbosa

Recentemente, numa rodinha de amigas da escola, vi que uma das meninas usava duas ou três pulseiras do movimento Eu Escolhi Esperar. Não simpatizo muito com esse tipo de manifestação, mas fiquei na minha. O direito que ela tem de ser adepta, eu tenho de não ser. Foi então que as outras se dispersaram e ficamos apenas eu e ela, no que a mesma tirou uma das pulseiras e me ofereceu, dizendo “Bela, toma uma dessas!”. Eu agradeci, no entanto, recusei. “Mas você não é cristã? Tem que casar virgem, menina!”, replicou, no que teve como resposta uma feição minha meio debochada, “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, falei, “Casar virgem, ser cristão e ser adepto do Eu Escolhi Esperar são coisas bem distintas”.
Ainda ontem, estava na casa do meu namorado conversando com ele sobre sexo (nota para o meu pai, José Barbosa Junior: estávamos conversando sobre, não fazendo, relaxa) quando tocamos no assunto do famoso EEE. Ambos concordamos que o movimento, além de desnecessário, é cheio de furos e falhas que apenas fomentam grandes males da atualidade, como a religiosidade, o machismo intransigência, uso de textos bíblicos sem levar em conta o contexto da época e alguns mais. Fiz, então, algumas observações e listei alguns motivos pelos quais eu, Isabela Barbosa, não escolhi esperar e acredito que muitas outras pessoas (especialmente meninas) deveriam optar pela mesma escolha.
Primeira observação, inclusive, na qual explicarei por que citei especialmente as meninas no primeiro parágrafo acima: Eles se alimentam da insegurança feminina para nos empurrar goela abaixo suas ideologias furadas sobre o sexo e o casamento.
Assistindo aos vídeos do EEE, notei que a esmagadora maioria das cartas recebidas são escritas por mulheres, e mulheres inseguras, com medo do “pecado sexual”. Claro que não é errado ter dúvidas, e ainda ressalto a importância do questionamento, porém, convenhamos, quando a Bíblia te diz que você não precisa de nenhum sumo sacerdote ou mediador para chegar a Deus porque seu elo com Jesus já é direto e se dá através da Palavra, acredito que você pode sim se basear nas suas próprias interpretações bíblicas para guiar sua vida. Afinal, os idealizadores do EEE que respondem às perguntas não se baseiam nas deles? Você tem um cérebro igualzinho e é movido pelo mesmo Espírito. Saiba usar isso. Você não necessita de um líder religioso para te dizer o que é errado. Em Romanos 14:22-23, Paulo diz: “... Bem aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se o pratica, está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado”. Parafraseando, aquilo que você considera errado, não faça, mas se achar certo, não estará pecando. Estaria em pecado apenas caso você estivesse indo contra sua própria fé ou sua própria verdade, mas se sua verdade diz que aquilo é certo: sinal verde. É como comer carne, por exemplo. Se você acha certo comer carne e acredita que nisso não há pecado, mas deixa de comer porque seu líder te diz que é errado, é como estar pecando contra si mesmo e contra o que você acredita. Se você acha que algo é errado ou tem dúvidas, fique na sua. Mas, se acha correto, o que há de errado em fazê-lo? Nenhum cristão deve ser inseguro; temos um manual de como levar a vida em nossas mãos, devemos apenas aprender a interpretá-lo.

Em segundo lugar, ainda explicitando a relação entre as mulheres e o movimento Eu Escolhi Esperar, tenho a dizer apenas que o conteúdo dos seus vídeos e textos é indubitavelmente machista. E machista com M maiúsculo! Achei várias, mas várias MESMO, situações em que o machismo foi latente nos conteúdos do EEE, contudo, o que mais me chamou a atenção foi o vídeo do “A inciativa pode partir de uma mulher?” obtendo a óbvia e machista resposta: não. Logo depois da negativa, Nelson Jr., o idealizador, diz que isso não é machismo, é “papo cristão”. Seria uma pena se ele descobrisse que Jesus foi o maior dos feministas até hoje. Nelson afirma que em todos os romances da Bíblia, a iniciativa partiu de um homem e por isso, essa é a forma correta de ocorrência dos fatos. Alguém diz para ele que a Bíblia foi escrita por homens, focando em homens, sob pontos de vista de homens e numa sociedade regida culturalmente por homens? Agradecida. Nem em Maria Madalena acreditaram quando ela disse que tinha visto o Cristo ressuscitado, por que dariam trela para a fulaninha de 1.200 a.C. que disse que achou Jonas um gato? Ninguém queria saber o que elas achavam, e se elas dissessem, eram silenciadas por mal ou por mal, simples assim. Ainda nesse vídeo, Nelson Jr. deixa bem claro que nas moças de hoje em dia falta paciência para esperar a iniciativa masculina. Amigo, paciência? Minhas antecessoras brasileiras puderam votar apenas em 1932, estudar apenas em 1827, foram votar pela primeira vez em todo o mundo no ano de 1893, foram queimadas por pedirem menos horas de trabalho e licença à maternidade no ano de 1857 e você me pede para ter calma? Se Jesus veio ao mundo para me dar voz, não é nenhum homem que vai conseguir me calar. Estou muito bem, obrigada, com meu namoro e compartilho com naturalidade que quem o chamou para o primeiro encontro fui eu, sendo que somos os dois cristãos. Não há erro ou pecado nenhum nisso. Mas há em ser machista e fazer distinção entre as pessoas. E nem me venha com os textos de Paulo que dizem que a mulher deve ficar calada no culto, esse mesmo Paulo, em Gálatas 3:28, disse que não há mais homem nem mulher porque todos são um em Cristo. Isso se assemelha muito mais a Jesus do que as cartas que mandam a mulher ficar calada, lembrando aqui que são cartas instrutivas, não normativas. Querer aplicar essa regra e esse machismo a todos os contextos sociais e históricos é, no mínimo, falta de conhecimento interpretativo e até bíblico.
“Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”, Mateus 5:28. É com essa premissa que defendo, em minha terceira observação, que o EEE é uma grande falácia. Vejam bem como o próprio Jesus explicita que o simples querer dentro do coração é tão pecaminoso quanto a prática, coisa para a qual o Eu Escolhi Esperar parece não estar nem aí. Num vídeo em que falam sobre beijar antes do casamento (o que eles, obviamente, recomendam que não seja feito), o idealizador da campanha diz que o beijo é a primeira forma de penetração e atiça os órgãos sexuais, por isso deve ser evitado. Sim, isso mesmo que você leu. Adianta de alguma coisa uma das partes do namoro ficar subindo pelas paredes com o desejo de fazer sexo ou de simplesmente beijar e não fazer nem uma coisa nem outra porque dizem que é pecado, sendo que é o que ele/ela mais quer? Quer dizer, se ele deseja isso no coração dele, já é como se tivesse praticado aquilo. Pecado ou não, o querer vale pelo praticar. O EEE trata a situação como se apenas o fazer sexo fosse pecado, não o deseja-lo. E leva a mesma lógica para o beijo, que dizem que te fará desejar o sexo. Lamento informa-los que os cristãos possuem o mesmo código genético dos outros seres humanos e não estão imune aos desejos “da carne”. É uma imensa hipocrisia achar que casar virgem é algo lindo mesmo quando o casal desejou mais que tudo o sexo em todo o tempo de namoro. É uma questão de aparência, não de consciência. É uma falácia sem medidas. Se segurar até o casamento só é válido quando você em momento algum desejou fazer aquilo com a outra pessoa, mas caso tenha sentido esse desejo, sua ida ao altar se sacrificando para não transar antes daquele dia não tem diferença nenhuma daquele casal que não escolheu esperar.
Além de tudo isso, ainda há o tópico que poderia ser abordado com mais extensão e calma nesse texto, mas acredito que ele mereça um espaço solo daqui a algumas semanas: a fé cega em líderes religiosos, dogmas e doutrinas de certa denominação. Isso já está na cara. Mas admito que ficou mais óbvio quando vi um vídeo deles sobre sexo oral DENTRO do casamento. Isso mesmo, eles querem reger sua vida sexual até mesmo depois que você casar. Segundo Nelson Jr., você precisa consultar seus líderes e seu livro de doutrinas para saber se pode ou não fazer sexo oral depois que casar. Minha gente, que tanta vontade é essa de querer ser (com o perdão da palavra) fiscal de foda alheia? Por que a igreja, enquanto instituição, busca controlar tão freneticamente a vida sexual dos fiéis? Não há a mínima necessidade. Quero que me digam uma única passagem bíblica em que Jesus fica de olho no furico dos outros. É uma demagogia sem limites! Inclusive recomendo a vocês um texto de José Barbosa Junior sobre o assunto, o porquê de a igreja querer controlar tanto a vida sexual dos que a seguem. Resumindo aqui, é porque os instintos sexuais, nos seres humanos, são o que há de mais primitivo. Se conseguem controlar até o desejo sexual, aquele que é o mais frenético de todos, o mais convulso, mais intrínseco e animal, é porque conseguem controlar todo o resto. Tudo se dá por causa de uma relação de poder, gerando uma “crentaiada” frustrada sexualmente por só poder fazer o abençoado papai e mamãe, já que o resto, a denominação não permite. Isso é jogar a própria liberdade fora por submeter-se àquilo que nosso Senhor veio para abolir: a religiosidade. É necessário sim dar vazão aos instintos, isso é biológico, mas só porque na nossa espécie, essa vazão está relacionada ao prazer, deve ser tão duramente abordada nas igrejas? Sujeitar-se a isso é negar praticamente todo o evangelho, deixar de lado a liberdade que Cristo precisou morrer para conquistar para seguir veementemente líderes que visam nada mais que o poderio próprio sobre os fiéis. Quem submete até sua vida sexual ao aval de um pastor, tem mesmo mentalidade de ovelha.
É por isso, meus caros, que eu escolhi escolher. Escolhi escolher por mim mesma, sem demagogias. Escolhi escolher o que acho que Jesus escolheria. Escolhi escolher porque um nazareno morreu para que eu tivesse essa liberdade há quase dois mil anos atrás. Escolhi escolher o que me faz feliz e me liberta. Escolhi escolher porque não quero ser hipócrita quanto às minhas próprias opções. Eu escolhi escolher.


BELA BARBOSA (Isabela) tem 16 anos. É estudante, filha do músico e pregador José Barbosa Júnior (Caminho da Graça-SP), o qual é coordenador do movimento Jesus Cura a Homofobia

domingo, 14 de junho de 2015

Dia do Pastor



Sim, é verdade que atualmente vê-se pseudo pastores que distanciam as pessoas de Deus e só querem sugá-las, ganhar dinheiro alienando-as, que deturpam as Sagradas Escrituras e não se importam com o bem mais precioso do Universo: a vida humana.
Sim, é verdade também que ainda há pastores sérios, que valorizam o chamado ministerial e que, literalmente, entregam-se para expandir as consciências de suas ovelhas, ministrando a Palavra e expressando com ações a mensagem do Evangelho. A esses, minha homenagem e agradecimento:



14 de junho é
Uma data especial
Com aspecto divinal,
Pois é Dia do Pastor.
Esse homem consagrado
Que vive sempre cuidando,
Ensinando, apascentando
As ovelhas do Senhor.

Que ora de madrugada
Pelas ovelhas que tem.
Mesmo assim, acorda bem
Cedo, cumprindo a missão
De pregar o Evangelho,
De procurar os perdidos,
Batizar os convertidos
E zelar pela comunhão.

O mundo é sua paróquia,
A semente, o grão que lavra,
Vai proclamando a Palavra
Do Deus que não fica velho,
Em todo lugar que vai
Preenche o seu coração
Ao fazer explanação
Das alvíssaras do Evangelho.

Articulando os princípios
Que a Teologia ensina,
Ensinando a sã doutrina,
Suando a própria camisa,
Na obra santa imbuído
Noutra obra não labora,
Ora, prega, canta e ora,
Lê, escreve e profetiza.

Tem os valores do Reino:
Não busca fama ou milhão,
Rádio nem televisão,
Nem jatinho pra voar,
Voa nas asas da Graça,
Fonte Eterna de Saber,
E a sua riqueza é ver
Um pecador se salvar.

Pastor, homem de virtude,
Que exorta, mas dá carinhos,
Prega flores e espinhos,
Explanando as Santas Leis,
Que um dia disse Sim
À vocação, favorável
Ao chamado irrevogável
Feito pelo Rei dos reis.



Jénerson Alves, 14-06-2015



Crédito da foto: Divulgação

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cordel reconta a história da Igreja Batista no Brasil

Estudar a história da Igreja é de grande relevância para melhor conhecer a caminhada da fé. Sob essa premissa, o poeta cordelista pernambucano Jénerson Alves, também jornalista, escreveu o folheto intitulado ‘A História da Igreja Batista no Brasil em Versos de Cordel’. A obra, de 20 páginas, utiliza a estrutura da literatura nordestina como uma ferramenta de registro histórico da vida e das ações de homens e mulheres que foram usados por Deus na transmissão da mensagem do Evangelho, implantando comunidades batistas por todo o território brasileiro.

De acordo com o autor, a inspiração para escrever o cordel partiu de uma análise do tempo presente. “Vivenciamos um momento de grande expansão de igrejas evangélicas, sobretudo de linha pentecostal e neopentecostal. Nesse cenário, acho que é pertinente conhecermos a nossa história, pois apenas com uma memória vívida podemos adquirir identidade e compreendermos melhor o nosso papel enquanto no mundo”, analisa Jénerson Alves, que é membro da Igreja Batista Emanuel em Caruaru-PE.

O livreto é prefaciado pelo administrador de empresas Estevão Soares, o qual é vice-presidente da Juventude Batista do Agreste de Pernambuco (Jubagre). Ele atesta que a linguagem de cordel apresenta uma ludicidade que prende a atenção do leitor, garantindo uma maior compreensão da obra, bem como estimula um caráter mnemônico no que concerne ao entendimento das informações. Soares ainda salienta a importância de trazer essa temática à tona no período hodierno, tendo em vista o contexto de velozes mudanças pelas quais o planeta está passando, mas que a mensagem do evangelho eterno precisa ser ainda mais evidenciada. “Atualmente, os Batistas estão presentes, em cerca de 200 países, representam uma população de perto de 40 milhões de membros e atingem cerca de 100 milhões de pessoas no mundo inteiro. Não é apenas uma denominação, não é apenas uma história, é a visão de uma obra missionária que a cada dia, de maneiras diversas, expande o Reino de Deus, aqui e agora”, declara.

Os interessados em adquirir a obra devem entrar em contato através do e-mail jenersonalves22@gmail.com. O autor disponibiliza gratuitamente o arquivo digital do cordel.



TRECHOS DO CORDEL
(...)
É bom salientar, pois,
Pra não haver confusão:
Os batistas no Brasil
Se inseriram em dupla ação;
Uma pelos imigrantes
E a outra pela missão.

(...)
Mas, voltemos à missão.
Deus, com ação altaneira,
Integrou ao Seu trabalho
O ex-padre Antônio Teixeira
(Primeiro pastor batista
Desta terra brasileira).

O ex-padre Antônio Teixeira
Teve vida abençoada.
Foi sacerdote católico,
Porém mudou de estrada
E se converteu sozinho
Ao ler a Bíblia Sagrada.

Nesta missão empenhada
Na relação se inclua
O casal William Buck
E Anne Luther, que atua
Mais Zacharias Clay Taylor
E Kate, a esposa sua.
(...)


SOBRE O AUTOR
Jénerson Alves nasceu em Palmares-PE, no dia 20 de junho de 1987. Escreve cordéis desde adolescente. Nesta área, já ganhou prêmios de reconhecimento nacional. Inclusive, seu talento chegou a romper as barreiras do Brasil, tendo em vista que seu folheto ‘Israel e Palestina: razão do conflito’ consta no acervo da Princeton University Library. Ademais, Jénerson é um dos fundadores da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel. Além de poeta, é jornalista e estudante de Letras. Integra a Igreja Batista Emanuel em Caruaru, atuando como professor da Escola Bíblica Dominical.


SOBRE A LITERATURA DE CORDEL

A literatura de cordel tem raízes europeias e maior destaque no Nordeste brasileiro. O nome ‘cordel’ advém do fato de, inicialmente, os folhetos serem comercializados pelas feiras expostos em cordões. Entre os ícones da área, destacam-se Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde e, mais recentemente, Manoel Monteiro, Luciano Dionísio e Moreira de Acopiara.

sexta-feira, 20 de março de 2015

“O Sublime se veste de simplicidade”

Aprendemos a entender Deus como um Ser etéreo, que paira nos mais altos céus. Ora com uma mão de ferro, para nos julgar, ora totalmente desinteressado com nossas angústias e inquietações. Na Bíblia, vemos a revelação de um Deus que sempre fez de tudo para se relacionar com o ser humano. No Antigo Testamento, Ele próprio estabeleceu uma tenda para que pudesse estar com Israel no deserto. No Evangelho, Ele se fez carne e habitou entre nós. Atualmente, Ele mora dentro de quem O invoca. A manifestação dEle não se traduz em pirotecnia, em grandes milagres, em eventos gigantescos, nem em pressões políticas. Pelo contrário. O Eterno habita na senda do transitório, do efêmero. O Sublime se veste de simplicidade. Seu aroma é percebido nas mais puras expressões de amor. No carinho de um filho para os pais (e dos pais para os filhos), na mão que ajuda o necessitado, na lágrima que rola por causa da dor alheia, no riso sincero pelo bem comum, no brilho do olhar que revela esperança. 

domingo, 15 de março de 2015

Em trevas

Às vezes, nos sentimos envoltos em densas trevas, sem a mínima condição de enxergar um palmo à nossa frente. Estamos sentados à beira do caminho, ouvindo barulhos e sussurros que nem sempre compreendemos. Somos ignorados por uma multidão que passa apressadamente.
Nessas situações, cabe a nós agir como o cego Bartimeu. Ao perceber que Jesus passava, ele tão-somente pôs-se a gritar: "Filho de Davi, tem misericórdia de mim!".
Bartimeu sabia que Jesus é a Fonte da Luz, que clareia o caminho de nossa existência. Com possibilidade de enxergar, podemos percorrer a estrada, ao invés de ficarmos sentados. Conseguimos uma compreensão além dos barulhos e sussurros que nos circundam. Não nos preocupamos mais com a multidão. Preferimos o Caminho Estreito, no qual o Rei está conosco.

(Jénerson Alves)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Nuances...

Somos acostumados a condicionar nossas mentes. Ideologias, idílios, padrões que nos impelem a enxergar um mundo imaginário. Queremos que a realidade se adéque à nossa vontade. Mas não é assim.
Não temos domínio. Nada sabemos sobre o amanhã. Não sabemos definir qual a melhor estratégia hoje, nem os impactos dela para o devir. Não temos como traçar a rota.
Há coisas que dão errado. Há casamentos que são desfeitos (muitos destes, antes mesmo de serem feitos). Há erros que simplesmente 'acontecem'. Há crenças que deixam de fazer sentido. Há amores que vão embora. Há feridas que sangram e sangram... E não páram.
O melhor que podemos fazer é sentir o nosso espírito em consonância com a fluidez da vida. É pedir que o Autor se apresente, de alguma forma, também como personagem (pois só assim é possível que aconteça relação).
Dúvidas, incertezas, inquietações. Isso tudo faz parte da existência. A única certeza de tudo é que um dia seremos nada. Porém, acima desta certeza, há uma esperança: Naquele Dia, seremos um com o Todo.

(Jénerson Alves, 13.03.2015)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Tremores de terra em Caruaru viram mote de cordel



Os famosos 'estrondos' sempre deram o que falar em Caruaru. O fenômeno acontece de maneira cíclica e voltou à pauta no início do mês, quando novos tremores foram sentidos pela população. Esse assunto se tornou 'mote' para o poeta Jénerson Alves, que também é jornalista, desenvolver uma literatura de cordel. Com o título 'Tremores em Caruaru', a obra retrata, com bom humor, as diversas reações da população e o clima de 'mistério' gerado pelos fenômenos naturais.

De acordo com o autor, o livreto busca cumprir o papel da literatura popular de registrar o imaginário do povo sobre fatos que o rodeiam. "As brincadeiras sobre o tema nas redes sociais e as várias versões populares sobre as causas dos abalos - como a clássica versão que o monte é um vulcão - fazem parte da abordagem do cordel", explana. Contudo, o cordelista acentua que o livreto também traz elementos científicos e históricos, servindo de material educativo.

Os livretos estão à venda no Museu do Cordel (Parque 18 de Maio), na Livraria Estudantil e na Banca Terceiro Mundo. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail jenersonalves@hotmail.com .

Postagens relacionadas:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...