sábado, 31 de janeiro de 2026

A mensagem esquecida em ‘Nefarious’ - por Jénerson Alves

 


Já faz algum tempo que o filme ‘Nefarious’ virou uma espécie de febre na internet. A obra é um terror racional, praticamente sem violência, e conta a história de um psiquiatra norteamericano que vai determinar a sanidade mental de um criminoso e constata que ele está possuído por um demônio.


Se, biblicamente, o diabo é o pai da mentira, no filme ele apregoa verdades – algumas, porém, sob a versão do inferno. O ente trevoso conta as etapas da possessão, que nasce com pensamentos aparentemente simples e manifesta-se após a normalização do mal.


A obra deixa clara a existência dos demônios. Inclusive, até um padre moderninho – que enxerga o demônio sob um prisma meramente psicológico – é ridicularizado. Ao contrário da visão hodierna de que os ‘demônios’ são como ‘formas-pensamento’ ou somente expressões emocionais, o filme pontua que esses são seres sobrenaturais, com experiência, força e inteligência superiores às dos homens.


Interessante é o filme abordar a realidade do conflito cósmico, mas uma parte da história parece ser esquecida. Se uma pessoa atormentada pelas hostes infernais pode causar impactante horror, aquele em quem habita o Espírito Santo pode saber até as coisas mais profundas de Deus.


Embora certas temáticas atuais, abordadas no filme, tenham nítida origem satânica, não é a simples oposição a elas capaz de transformar o ser humano. Isso só é possível pela fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.


Que sempre possamos nos lembrar da mensagem esquecida em ‘Nefarious’ – a qual seria assim sintetizada por S. Paulo: “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Ef 6:10-11)



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

IA: das telas de Hollywood à realidade que nos espera - por Jénerson Alves

 Recentemente, o ator Ben Affleck emitiu uma opinião contundente, afirmando que a Inteligência Artificial está distante de desempenhar um papel relevante na indústria cinematográfica. “Não acho muito provável que [a Inteligência Artificial generativa] consiga escrever algo significativo ou que faça filmes de raiz”, declarou Affleck, que é um dos protagonista do mais recente filme da Netflix, intitulado "The Rip - Ponto de Ruptura". 


Entre outras coisas, essa declaração nos leva a refletir sobre a forma como a IA tem sido utilizada, seja por Hollywood, seja pelo cidadão médio. Da personagem ficcional HAL 9000 (de "2001, Uma Odisseia no Espaço") a enredos como o de "A. I. - Inteligência Artificial" (2001) ou "Ex Machina: Instinto Artificial" (2014), vemos como os algoritmos inteligentes têm sido cada vez apresentados de forma positiva para a população.


Possivelmente, em alguns anos, veremos uma enxurrada de filmes criados basicamente por ferramentas de IA, sem a coloração e expressividade que somente a mente humana seria capaz de criar. Os catálogos ficarão repletos de filmes medíocres (já o são, aliás), mas de produção muito mais barata do que a atual - sem a necessidade de pagar roteiristas, atores, diretores e outros profissionais da produção.


Neste futuro distópico, o contraponto será o que hoje já serve como ponto de equilíbrio: não deixar que a Inteligência Artificial suplante a inteligência humana. Lembremo-nos de que os entusiastas da IA supervalorizam os benefícios desta para a humanidade. Sam Altman, criador do ChatGPT, apregoa que a tecnologia poderá encontrar a cura do câncer ou aumentar a longevidade das pessoas. Entretanto, o que se vê no cotidiano é a IA sendo usada pela população para criar memes e espalhar notícias falsas. Venderam a pílula da saúde, entregaram uma foto bonitinha com o Chapolin Colorado.


Acredito que aprenderemos, enquanto sociedade, como lidar com a IA, beneficiando a vida humana e melhorando o bem-estar coletivo. Para isso, convém nutrirmos nossas inteligências - intelectual, emocional e espiritual. Essas qualidade brotam, naturalmente, onde há talento, cultura e liberdade.



sábado, 17 de janeiro de 2026

Ikki de Fênix e a nossa decisão - por Jénerson Alves

 


Desde criança, Ikki de Fênix era o mais forte entre os garotos que treinavam para ser cavaleiro de Atena. O irmão mais velho de Shun tinha um ar sério e, não raramente, rude.


Durante o traumático treinamento na Ilha da Rainha da Morte, perdeu Esmeralda, seu amor. Após esse fato, passou a liderar os Cavaleiros Negros, antagônicos a Saori Kido.


Ikki, depois, tomou uma decisão: arrependeu-se e passou a integrar os Cavaleiros de Bronze.


De certa forma, Ikki parece S. Paulo Apóstolo: o perseguidor muda de rumo. Ikki teve o coração purificado pelo irmão; Paulo teve a visão espiritual aberta após ser iluminado no caminho de Damasco.


Ambos os casos podem evocar-nos perguntas introspectivas: de que lado estamos? Para onde estamos indo? Devemos mudar de lado?


Talvez hoje mesmo seja o dia de a Fênix renascer do fogo, deixando perecer uma versão anterior e abraçando uma nova identidade.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Shiryu de Dragão e o nosso sofrimento – por Jénerson Alves

 


Dentre as personagens do anime ‘Cavaleiros do Zodíaco’, Shiryu de Dragão é muito admirado. Sério, calmo, justo, honrado e leal, foi treinado pelo Mestre Ancião, na China.


Uma das suas marcas é a resiliência ao enfrentar o sofrimento, chegando a realizar grandes sacrifícios para proteger os outros. Ao longo da série, ele chega a perder a visão em um duelo, para bloquear o escudo petrificante do oponente e, assim, eliminá-lo, por amor à sua missão de vida.


Shiryu mostra que a dor pode ser uma etapa para o crescimento ético, altruísta e humano. Desta forma, mostrando-nos que é possível lidar com o drama do sofrimento de forma honrada e elevada: não é um padecimento inócuo, é uma doação por algo maior.


Afinal, o sofrimento é universal. Tema recorrente nas artes – presente de Homero a Carlos Drummond, de Graciliano Ramos a Marcelino Freire; está na Pietà de Michelangelo ao Velho Triste de Van Gogh; está na música de Beethoven ao sertanejo universitário.


Também o sofrimento está na Bíblia, desde os tempos de Adão, passando por Jó, chegando até Cristo. O autor de Hebreus testifica: “E na verdade sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (5:8). Crer em um Deus que conhece a dor nos ajuda a ressignificar as agruras.


É claro que a dor divina é distinta da humana, como S. Bernardo de Claraval declarou: “impassibilis est Deus sed non incompassibilis” (Deus mesmo não pode sofrer, mas Ele pode ter compaixão). Nosso sofrimento advém da carência; o dEle advém do amor (que tudo sofre).


É o escândalo da cruz, incompreensível para os gregos, estoicos e gnósticos, mas assim sintetizado pelo teólogo luterano Jürgen Moltmann: “Se Deus é capaz de amar outras coisas, então ele mesmo se abre ao sofrimento, que lhe confere o amor em relação aos outros, e mesmo assim permanece acima do sofrimento graças ao poder de seu amor”.







‘O show de Truman’ e a lição que podemos aprender – por Jénerson Alves

 


No filme ‘O show de Truman – o show da vida’, Jim Carrey interpreta Truman Burbank, um pacato cidadão que vive em Seahaven. Com emprego estável e uma adorável esposa, Truman, aparentemente, leva uma vida feliz.


Entretanto, ele não sabe que tudo ao seu redor é um estúdio de TV, e que, desde recém-nascido, protagoniza um reality show criado por Cristof (Ed Harris) e acompanhado por milhares de pessoas.


Truman começa a desconfiar que algo está errado ao perceber alguns ‘sinais’, como uma iluminação que cai do céu ou uma emissora de rádio que parece narrar todos os seus passos.


A personagem Sylvia (Natascha McElhon), uma figurante por quem Truman se apaixona, tenta alertá-lo da farsa que o rodeia. Ela parece com uma “missionária”, alguém que indica para uma realidade superior à vivida pelo protagonista.


‘O Show de Truman’ é um filme de quase 30 anos que parece apontar para o tempo atual. Com tantas redes sociais, produções de conteúdos e espetacularização da vida, muitas pessoas tornam-se personagens, como se a existência obedecesse a roteiros humanos.


Truman – cujo nome indica, é um “true man”, homem verdadeiro – vai na contramão do engano e procura a verdade. Talvez possamos fazer o mesmo. No filme, a voz de Sylvia foi fundamental neste despertar. Na nossa vida, é fundamental ouvir a voz dAquele que disse: “Ego veni, ut vitam habeant et abundantius habeant” (Jo 10:10).

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Do cinema à realidade

 



Sempre gostei da temática de máquinas dominando seres humanos, narrativa comum em filmes de ficção científica que marcaram minha geração. Hoje percebi que o futuro distópico deixou os roteiros de cinema e veio para a vida real. E a realidade é mais aterradora do que a ficção.


Não precisou nenhuma revolução das máquinas. HAL não precisou se contrapor às ordens. Também não foi necessário fazer mutações genéticas, transformando homens em androides.


Basta olhar nos olhos de algumas pessoas – jovens, adolescentes, adultos ou até mesmo crianças! São olhos vazios. “Lucerna corporis est oculus”. E o que fazer se nos olhos não há luz?


São corações estéreis de sonhos, gélidos de sentimentos; são mentes escassas de ideias, cérebros de rasos pensamentos. E como estará a alma?


Imaginar um futuro a partir dessas perspectivas é um estopim para o desespero. Um futuro sem futuro.


Todavia, recuso-me a aceitar tão nocivo prognóstico. Prefiro crer que a Providência continua providente. Há remanescentes humanos, cuja consciência vai além da matrix. São olhos que – mais do que veem – enxergam; corações que pulsam; mentes que refletem; almas que vivem. Semeadores de esperança que colherão luz.


Texto: Jénerson Alves

Imagem: Frame do filme ‘2001, uma odisseia no espaço’



domingo, 14 de setembro de 2025

Da Gramática à Literatura - por Jénerson Alves

 


Assim como as asas são para as aves, são os conhecimentos de Gramática e de Literatura para os que querem compreender e usar bem a Língua Portuguesa. Estudar Gramática não é decorar regras, mas é compreender – de forma metódica ou histórica – os fatos de uma língua. Estudar Literatura não é memorizar períodos, autores e obras, mas compreender nuances e entrelinhas.


A Gramática nos oferece munições. Quanto mais soubermos sobre o idioma – suas particularidades, como fonética, morfologia e sintaxe –, mais saberemos empregar o vernáculo de maneira clara e expressiva. A Literatura é o campo de batalha. É nela que se busca o Belo a partir da palavra. E o Belo é agradável pelo esplendor de sua grandeza, para o qual é necessário ser dotado de integridade, harmonia e claridade.


Ora, ao falarmos em integridade, entenda-se que a obra deve ser inteira e não disforme; a harmonia trata-se da proporção das partes; e a claridade, da equilibrada distribuição de luz e sombras. Esses fatores, na literatura, aparecem no emprego de frases apropriadas, de figuras de linguagem, de simplicidade mas não trivialidade.


No estudo das obras literárias, é muito importante levarmos em conta aspectos gramaticias, históricos, sociais, sobretudo seguindo um processo indutivo, isto é, do particular para as generalidades. Não é só saber, por exemplo, que o Romantismo exalta a mulher ou que o Parnasianismo cultua a forma, é identificar essas realidades na obra e delas extrair conteúdos para a vida.


Afinal, já nos dissera o professor Fidelino de Figueiredo: “A literatura é coisa tão estreitamente ligada às tendências profundas do homem, ao seu impulso vital, à sua luta com o ambiente, à sua fúria de interpretação e libertação que só quem de perto ou de longe tem no espírito algum aspecto desse drama a pode aprender isto é, procurar e achar nela o que responde às suas curiosidades e angústias, na medida em que elas se casam às do artista criador”.


A mensagem esquecida em ‘Nefarious’ - por Jénerson Alves

  Já faz algum tempo que o filme ‘Nefarious’ virou uma espécie de febre na internet. A obra é um terror racional, praticamente sem violênci...