quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pastor Philip agradece orações

Tradução livre de e-mail enviado em Inglês:


Quero agradecer do fundo do meu coração para o seuorações em meu nome quando eu estava em Cape Town, SouthÁfrica servindo de intérprete para o Lausanne TerceiraConferência de Evangelização Mundial. Foi uma tremendaencontro do povo de Deus a partir de 198 nações e povosgrupos.
Eu era capaz de interpretar durante os dois primeiros dias. Em seguida,na quarta-feira, acordei com dor no meu braço esquerdo e os meuspeito estava sob o lote de pressão. Eu me arrumei para ir parao centro de convenções com a equipe, mas senti que deverialevar o sinal de alerta e não ir. Debra Meyer pediuassistência médica e fui levada para um dos locaishospitais. Depois que o médico me examinou, ele sentiu quehavia sinais vermelhos que ele deveria manter-me lá e que euera voltar para o hotel e descansar. Eu tinha três outrasespasmos de angina durante o dia. Por causa da suaorações, me senti bastante estável nesta quinta-feira e foi capaz deajudar a minha equipa nos próximos dois dias traduzindo materiais queiam interpretar. No domingo, eu me senti bem o suficienteque eu era capaz de interpretar na cerimônia de encerramento.
Um dos médicos que entraram na unidade de resgate para meno hotel tinha servido com a JOCUM (Jovens com uma Missão).Eu também tive o privilégio de partilhar com o médico queme atendeu no hospital que eu estava fazendo na África;eo doutor disse, "Eu posso ver que você é muitopacífica sobre a sua condição de coração ", por isso, que eu compartilhei comO médico que eu sabia o que tinha, que era instávelAngina, mas que a paz que eu tinha veio do Senhor JesusCristo e um relacionamento pessoal com ele.
Eu sou tão grata a Deus que ele usou o meu "down-time" paraabençoar alguns de seu povo. Um jovem pastor deBangladesh pediram para ficar comigo no hotel, no casoEu tinha qualquer necessidade. Começamos a falar sobre evangelizaçãoe eu era capaz de partilhar a minha experiência de compartilhar Cristoe um dos métodos que eu uso para "One-on-one Evangelismo".O pastor olhou para mim e disse: "Agora eu sei por que Deus tinhame passar esse tempo com você. Eu estou aprendendo coisas que eu fizNão sei, e isso vai me ajudar a ser mais eficiente como eucompartilhar a Cristo e treinar a minha Igreja, quando eu voltar para casa paraBangladesh. "
No caminho para casa, o doutor Fabio sentou ao meu lado no nosso caminhode Johannesburgo para São Paulo, Brasil. Ele também tinha idopara a África do Sul para o Congresso. Ele disse que pediumudar de lugar no avião e que Deus o colocou perto de mim.Logo estávamos conversando sobre a evangelização e eu compartilhamossobre a minha oportunidade de compartilhar Cristo com os médicos. Elegostava de ouvir as histórias. Então alguém no plano temum caso crônico de asma e perguntou se havia umaMD no avião. Ele se ofereceu para ajudar e, quando chegaramde volta ao nosso lugar que eu mencionei que eu tinha medicação para a asmacomigo. Foi exatamente o que o doente precisavacomeçar a respirar novamente. Depois ele ajudou o passageiro,Dr. Fabio me disse que "Deus o colocou ao lado de mim para abençoarsua vida e salvar uma pessoa no avião. "
O Terceiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundialfechado no domingo na Cidade do Cabo com uma chamada de toque naDa Igreja. Este Congresso, talvez o maior e maiscoleta de diversos dos cristãos já realizada na históriada Igreja, atraiu 4.000 participantes seleccionados a partir de 198nações. Os organizadores estendeu seu alcance em mais de 650sites apontam Global em 91 países e atraiu 100.000 únicavisitas a seu site de 185 países durante a semanado Congresso.

Agora estou de volta em Caruaru e se preparando para atender a nossaserviço da noite na nossa igreja, gratos a Deus por SuaMisericórdia e Bondade. O Congresso sobre a Evangelização foi umMarcos na História da Igreja e eu estava realmente abençoadoter ido e trabalhou com Gail Meyer Atiencia e Debra,os líderes da equipa de intérpretes. Em tal um pequenotempo nos unimos por causa do nosso Senhor. O Congresso foiinterpretado em sete outros idiomas além do Inglês. Iera apenas um dos 28 intérpretes e sentiu amado por todoso time quando cuidou muito bem de mim durante o tempo queestava doente.
Quero agradecer a todos vocês pelas orações. Eu sei que Deus pode transformarmesmo em situações ruins em oportunidades maravilhosas para nóspara ver o quanto Ele nos ama e pode nos usar em todos ossituações.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Agradecimento pelas orações a favor do Pr. Phillip

Primeiro em Inglês
Depois em português



(English) Good Morning,

Thank you so much for your prayers, and for helping us find a doctor to go see dad at the conference hotel he is in.
I just finished talking to him in Cape Town is already 11 am. So Dad had a doctor just leave his room. Praise the Lord!

This is what happened: Yesterday morning dad felt some pain in his left arm and chest and a little bit later he dad a spasm and went to the hospital by ambulance.
after that he had 3 more spams being the worst one at night. 
the doctor said there wasn't much it could be done. Specially because his  exams are pretty recent (Brazil exams). 
So he is grounded to his room resting and taking some medicine. Since rest is the only, thing that will help his angina (Spasms/strong pain to the heart). 

Once more thank you so much for your prayers and for taking the time to look for a doctor for my dad.
This means a lot to my dad and to our family, since we are all far away from each other and specially from dad right now. 
We thank God for great friends God has given to our family (YOU) and for God's family/ our spiritual family that is for sure amazing.

Thank you! And please continue to pray with us for dad, that he may not need to go through all this suffering again and again. 
Dad's voice was very low and quiet this morning and I could tell that he was holding back some tears. 
Everything is possible for those who put their trust in the Lord. And nothing is impossible for the amazing God we serve.

I believe that all things good or bad happen to and for those how loves the Lord, and put themselves out there for God to use. 
And I'm sure the Lord is going to use this situation for His kingdoms glory.

Well I have a plain to catch so I'll keep you all posted latter.
God Bless each and everyone of you richly,

Sincerely, 
Manoelita Warkentien

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(Portugues) Ola, 

Muito obrigado por suas orações, e por nos ajudar a encontrar um médico para ir ver o papai no quarto do hotel que esta tendo a conferência.
Acabei de falar com ele já são 11:00 da manha na Cidade do Cabo. Um médico tinha acabado de sair do quarto. Louvado seja o Senhor!

Isto é o que aconteceu: Ontem de manhã o papai sentiu algumas dores no braço esquerdo e no peito e um pouco mais tarde, ele teve um espasmo e foi para o hospital de ambulância, depois disso ele teve mais 3 espasmos sendo o pior à noite.
o médico disse que não havia muito que pudesse ser feito. Especialmente porque os exames são muito recentes (exames do Brasil).
Ele foi mandado para o quarto descansar, que é a única coisa que vai ajudar a angina (dor espasmos / forte para o coração) ele também esta tomando um remédio para ajudar com os espasmos.

Mais uma vez muito obrigado por suas orações e por ter arrumado tempo para procurar um médico para ir visitar o meu pai.
Isso significa muito para o meu pai e para nossa família, pois todos nós estamos muito longe uns dos outros e principalmente do pai agora.
Agradecemos a Deus por grandes amigos que ele tem dado a nossa família (você) e pela família de Deus/ nossa família espiritual que é com certeza surpreendente!

Obrigada! Por favor continuem orando connosco por papai, que ele não precise passar por todo esse sofrimento de novo e de novo.
Ao falar com papai esta manhã percebi que a voz de papai era muito baixa e calma e que ele estava segurando algumas lágrimas.
Tudo é possível para aqueles que depositam sua confiança no Senhor. E nada é impossível para o Deus maravilhoso que servimos.

Acredito que todas as coisas boas ou ruins acontecem com e para aqueles que ama o Senhor, e se colocam fora de sua zona de conforto, para que Deus possa usá-los. Tenho certeza que o Senhor vai usar essa situação para a glória de seu reino.

Bem, eu tenho um avião para pegar. Manterei vocês  actualizados.
Deus abençoe cada um de vós abundantemente,

Atenciosamente,

Manoelita Warkentien

(Extraído de: www.marquinhosdovalle.blogspot.com)

Pedido de oração Pelo Pr. Phillip Warkentien

Carta de Manoelita
filha do Pr. Phillip.
Pedindo Oração pela saúde do Pr. Phillip.
Primeiro em Inglês, depois em Português.
(English)
 
Hello,
 
May the Lord our god bless you always.
 
This is Manoelita Warkentien, Philip Warkentien oldest daughter.
 
Dad is translading  in Cape Town Africa in the Third Lausanne Congress on World Evangelization.
He has been there for about a week and still has about a week more to go.
 
today wenesday the 20/ 2010 dad got sick, he felt the same chest pains he was feeling the two times he got recently sent to the intensive care unit ( about a month and a half ago).
The people from the conference called an abulance and he was taken to a hospital were a doctor saw him.
Since dad dosen't have health ensurance he was sent back to the hotel were he is resting and there is another guy there with him. But no doctor.
 
Mom was wondering if by any chance anybody new a Doctor in CAPE TOWN that could go check on dad.
Dad is still with no internet acces today so hopefully the hotel will fix that soon.
 
Mean wile we are praying for his recovery and ask that you pray with us too.
 
If you know of any doctor in Cape Town Africa please call me at 785 320 1589
or mom in Brazil at +55 81 9104 7170
 
Ps I will be leaving for a conference tomorrow so I might not keep you updated that frequently. But I'll do my best
 
Sincerely,
 
Manoelita Warkentien 
 
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(Portugues) 
 
Olá,

Que o Senhor nosso Deus te abençoe sempre.

Esta é Manoelita Warkentien, filha mais velha de Philip e Rita Warkentien.


Papai está em translado na Cidade do Cabo na África no Terceiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial.

Ele esteve lá por cerca de uma semana e ainda tem cerca de uma semana a mais para ir.

hoje quarta feira dia 20/2010 papai ficou doente, ele sentiu as mesmas dores no peito que ele estava sentindo as duas vezes que ele foi enviado para a unidade de terapia intensiva (UTI) (cerca de um mês e meio atrás).

O pessoal da conferência chamaram uma abulancia e ele foi levado para o hospital onde um médico o viu.

Por que papai não tem plano de saúde, lá, ele foi enviado de volta para o hotel onde ele está descansando, há um conferencista está com ele, porem nenhum médico.

Mamãe queria saber se alguém por alguma chance conhece um doutor na cidade do cabo na África do Sul, que poderia ir ver o pai.

Papai ainda está sem acesso a internet hoje, por isso espero que o hotel concerte a intenet em breve.


Estamos orando pela recuperação de papai e pedimos para que você ore conosco também.



Se você souber de algum médico na Cidade do Cabo, África do Sul, por favor me ligue no 785 320 1589 ou para mãe, no Brasil, +55 81 9104 7170

(Extraído de: www.marquinhosdovalle.blogspot.com)

Pastor de Caruaru participa de Congresso de Evangelização Mundial

O Pr. Philip Warketien (Igreja Batista Pinheirópolis) participou do Congresso realizado em colaboração com a Aliança Evangélica Mundial, que reuniu 4.000 líderes de mais de 200 países para confrontar os temas críticos de nossos tempos – outras crenças mundiais, pobreza, HIV/AIDS, perseguição, entre outros – e como eles se relacionam com o futuro da Igreja e da evangelização mundial. 

O Congresso da Cidade do Cabo 2010 (CT2010) não foi uma reunião isolada, mas, pela vontade de Deus, um evento catalítico na vida da igreja – levando líderes para se unirem em oração, arrependimento humilde, diálogo estratégico e ação decisiva. Juntos buscaram o Senhor enquanto examinaram o mundo e nossa cultura para discernir onde as igrejas deveriam investir seus esforços e energia para responder de forma mais eficiente ao chamado de Cristo para levar o evangelho a todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações... vidas transformadas para toda a eternidade, famílias restauradas, feridas emocionais e físicas curadas, comunidades transformadas.

CT2010 foi singular porque não só os 4000 líderes estarão no local, mas muitos milhares participaram virtualmente através do Cape Town GlobaLink e do Lausanne Global Conversation.

Como resultado do Lausane II, realizado em Manila, cerca de 350 parcerias foram formadas entre igrejas e agências ao redor do mundo. É nossa oração que o congresso da Cidade do Cabo 2010 veja a formação de muitas centenas de parcerias que resultem em mais homens, mulheres, crianças e jovens tendo a oportunidade de ouvir e responder à mensagem de Cristo.


Extraído de: www.presentiaonline.blogspot.com

sábado, 9 de outubro de 2010

Eu não sei...



Eu não sei qual será meu futuro,
se o Sol vai voltar a brilhar,
ou se a noite, em um manto de trevas,
para sempre vai me aprisionar...
Eu não sei
o que é que há de ser de mim,
se é assim que vai ser o meu fim,
mas eu sei que O seguirei...

Eu não sei nem me deixo saber
porque choro, sozinho, calado,
e as lágrimas que caem dos meus olhos
deixam todo o meu rosto molhado.
Eu não sei,
mesmo assim, não me sinto indefeso,
aos Seus braços eu me sinto preso
e, por isso, não O deixarei...

Da história eu não sei o final,
os meus olhos só veem um véu,
mesmo assim meu espírito sussurra
que o que me aguarda é o Céu.
Eu não sei
explicar o meu sentimento,
esse misto de fé e tormento,
mas eu sei que JESUS É O REI...

Jénerson Alves, 05-10-2010, às 20h26.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Espaço Livre líder de audiência



Todas as manhãs, de 9h às 11h, pela Rádio Provisão FM 107, vai ao ar o Programa Espaço Livre, que tem Jaelcio Tenório na direção e apresentação, Paulo Nailson na produção e Giro Gospel e o jornalista Jénerson Alves que participa somente na terça-feira comentando as principais notícias da semana e do dia.




O programa consolidou sua audiência no Salgado (bairro mais populoso de Caruaru, com cerca de 80 mil habitantes) congestionando a linha telefônica diariamente com a participação do ouvinte.


O Espaço livre completou um ano no ar e conta também com participação de entrevistados (lideranças políticas, religiosas e comunitárias), boa música e reflexão bíblica na sexta-feira com pastor Jadiel.


Em toda cidade a audiência é bem consolidada dado ao formato do programa que por sua originalidade e criatividade destaca-se mesmo entre as emissoras seculares.


Há um projeto para que o programa possa ser transmitido também via internet, ampliando ainda mais o alcance do mesmo.


Copiado do blog : http://www.presentiaonline.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Para Andreza...

Menina, missionária, pregadora... Deu saudade dela agora, vai, então, uma homenagem. Singela, mas sincera...





Um sorriso de valor
que enfeita qualquer passeio,
reflexo de um peito cheio
de alegria e amor.
No jardim ela é a flor
que possui maior beleza,
sangue real de princesa
(mas simples, igual Javé)...
é desse jeito que é
a minha menina Andreza.

Ela tem no coração
a mensagem do Senhor
e diz em todo setor
que o mundo é ilusão,
que a Santa Salvação
só Jesus dá com certeza
Ele transforma a tristeza
na mais sublime alegria...
essa santa profecia
está nos lábios de Andreza.

Conheci-a dando pinotes
no Colégio Interativo,
e agora vejo o Deus Vivo
levando-a para outros motes,
em Santana dos Garrotes
irá morar com surpresa
pregando na redondeza
que seguir a Cristo presta
e os anjos fazem festa
ouvindo a voz de Andreza.

Menina pura e benquista,
valorosa pregadora
outrora desbravadora
na Igreja Adventista.
Quem a vê, de longe avista
as marcas de realeza,
o olhar traduz pureza
e também maturidade...
e a mansão da Verdade
é o coração de Andreza.

Ela tem amor de sobra
por cada ovelha perdida,
por isso o Autor da Vida
com Andreza faz manobra
e mandou-a fazer a obra
pelos rincões da pobreza,
não vai somente a Veneza,
pois vai também a Ruanda,
enfim, faz o que Deus manda
a nossa querida Andreza.

Felipe fica feliz
com o coração aberto
Gleyce dá sorriso certo
vendo essa melhor atriz,
eu nem digo que Taís
a ama com sutileza,
Vanessa sente tristeza
quando a irmã está distante
e eu ‘babo’ todo instante
a nossa querida Andreza.

Poliana diz, eu digo,
pois essa verdade cabe
e Jéssica Angélica sabe
que Dreza é luz no abrigo.
Segue o mesmo Deus que eu sigo,
mas segue com mais destreza
e, assim, traduz firmeza,
vai pra outra região,
mas mora em meu coração
minha preciosa Andreza.


Jénerson Alves, 27-07-2010, às 14h09

Entrevista com Dom Robinson Cavalcanti

ROBINSON CAVALCANTI
é cientista político e bispo anglicano da Diocese do Recife. Aqui, ele fala sobre o livro 'Cristianismo e Política' (Editora Ultimato) e analisa o engajamento evangélico nas administrações públicas com o passar dos tempos. Vale a pena conferir.

"Durante a Ditadura fizeram uma amnésia"


JORNAL EXTRA – Como foi feita a concepção do livro ‘Cristianismo e política’?
ROBINSON CAVALCANTI - Exatamente. No momento em que estávamos vivenciando a ditadura, eu fui desafiado por líderes evangélicos no Brasil, porque havia duas coisas. Primeiro: o mundo protestante sempre foi participante da política, desde a sua chegada ao Brasil, em 1855, quando os protestantes não tinham direito à liberdade religiosa e nem podiam votar. Mas, com o decorrer da história, a proclamação da República, separação de Igreja e Estado, essa participação foi crescente, até o Golpe de 1964. Durante a ditadura militar, os setores que controlaram a Igreja fizeram uma espécie de amnésia compulsória. As gerações novas não conheceram nem os nomes nem os episódios da participação política dos evangélicos no Brasil e – obviamente – também em escala mundial. E também deixou de se ensinar, da Bíblia, a parte sócia, a parte política. Havia essa grande lacuna. Então, muitos líderes me diziam: “Robinson, pelo fato de você ser um cristão e ser cientista político, deveria produzir algo sobre isso, e as gerações novas vão precisar recuperar o que foi perdido”. E, obviamente, nunca foi recuperado. Assim, eu escrevi o livro. Depois que escrevi o livro, não consegui editora. As editoras cristãs na época temiam que fosse publicado. O livro foi escrito muito devagar, porque eu estava lecionando e só tinha tempo de trabalhar nele nas férias. Fazia um capítulo em julho, dois capítulos em janeiro e fevereiro. Levei quase dois anos para fazer. E nesse período eu viajei muito para comunidades evangélicas em nível internacional, eu cheguei a pregar na Capela do Parlamento sueco. E, assim, fui adquirindo experiências. Então, eu levei cerca de dois anos para conseguir que o livro fosse finalmente editado. Isso coincidiu com o período da Constituinte. Nós lançamos no Brasil naquela época um movimento dos Evangélicos pela Constituinte. E eu fui convidado para fazer palestras. Nós vendemos cinco mil livros em dez meses. Daí em diante, o livro foi várias vezes reeditado. Eu fiz ajustes na parte histórica, conforme ela foi avançando, com as mudanças no Brasil e também com a queda no Muro de Berlim. Então, o livro foi sendo reeditado, agora em outubro está saindo mais uma edição pela Editora Ultimato. Então, o livro tornou-se uma referência. Mas, a minha motivação foi o desafio dos evangélicos para deixar registrado um ensino que tinha sido muito comum para a geração da gente, mas que havia sido perdido no mundo protestante, a partir da Ditadura Militar. Basicamente, é o contexto do livro.

JORNAL EXTRA – E essa edição vai ser ampliada, vai ter alguma novidade?
ROBINSON CAVALCANTI – Não. Essa re-edição, inclusive, a editora não me pediu. Essa é a segunda edição que sai sem autorização. E a gente achou que deveria ficar como está, porque até duas edições atrás, eu fiz ajustes, na parte histórica, a parte bíblica é a mesma. A parte de História Geral, tanto da Idade Moderna, como a do Brasil até o exterior, não muda. A questão seria só tópicos mais contemporâneos. Apesar de ser um livro que continua muito usado em seminários, enfim, em movimentos de liderança. Mas a Editora Ultimato não me pediu para fazer atualização. Então, vai sair o mesmo texto que já está agora nas livrarias. E nós lamentamos que os evangélicos que foram tão participantes no passado, fizeram reticências inclusive ao regime militar, quando a CNBB chegou a soltar uma nota saudando o Golpe, ele tinha sido de certa maneira cooptado pelo regime, saindo da cena política. Quando o movimento evangélico volta à política depois da democracia, ele volta sem referenciais teóricos. Isso faz com que hajam muitos escândalos, muita prática que não condiz com a tradição, porque eles entraram no jogo comum da política brasileira, do toma-lá-dá-cá, do clientelismo, que encoraja grupos minoritários que estão preocupados, porque tanto no regime militar do Brasil vários grupos que encorajavam o engajamento evangélico na política está uma coisa muito utópica, e tem havido muitos escândalos. Um exemplo é a oração pela propina lá em Brasília, que vem distante dos ideais nossos, cristãos, não é?

JORNAL EXTRA – Como o senhor enxerga os múltiplos candidatos que se tem aí, pastores, cantores evangélicos se candidatando. Como o senhor enxerga essa questão?
ROBINSON CAVALCANTI – O mundo protestante no Brasil, de 1855 a 1964, foi liderado pelas igrejas chamadas históricas – congregacionais, batistas, metodistas etc. O mundo pentecostal, que na época era restrito a poucas igrejas – Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil e depois a Igreja Quadrangular. Somente. Elas se mantinham muito isoladas do mundo político. E somente com as igrejas neopentecostais, também chamadas de pseudo-pentecostais, que é um fenômeno muito recente, que se dá após o fim da ditadura. Esses grupos neopentecostais e setores do pentecostalismo que, ao voltar... aliás, ao voltar, não, foram os históricos que se afastaram, mas os pentecostais nunca participaram. Então, os pentecostais e os neopentecostais têm um déficit de prática, de conhecimento, e são mais fáceis de serem cooptados pelo sistema vigente. Então, eu fiz, na época, uma distinção entre evangélico político e político evangélico. O evangélico político é um evangélico que, por ser uma pessoa respeitada na comunidade, uma pessoa capaz, é eleito com a bandeira de representar a comunidade toda, e legislar, e atuar, visando ao bem comum da sociedade. O político evangélico representa um voto clientelista, quer dizer, ele é cooperativista, ele representa os interesses peculiares daquela comunidade e vai para o parlamento ou para o poder executivo priorizar, privilegiar, as reivindicações daquela comunidade, daquele terreno, e aí ele abre mão da sua identidade protestante e muitas vezes não tem programa, não tem proposta, não tem uma vida de lealdade partidária, e o seu currículo é apenas religioso, como cantor sacro, ou diácono, ou professor de Escola Dominical, que é uma boa qualificação para um cidadão, mas não necessariamente para o que um cargo público exige, que é um certo preparo e, obviamente, propostas que levem ao bem comum. Então, nós achamos que isso gera um certo desgaste. Principalmente quando são as chamadas candidaturas oficiais, em que a igreja deixa de ser um lugar de acolhida e estímulo para as pessoas de suas várias ideologias, termina sendo uma espécie de curral eleitoral religioso. Isso é uma distorção. Eu sempre tenho denunciado. Nós esperamos que essa fase dos candidatos oficiais ou oficiosos venha um dia a terminar, para dar maturidade à comunidade protestante, da sua participação no conjunto da cidadania. Senão, haverá um desgaste muito grande para a imagem do protestantismo.

JORNAL EXTRA – No último texto que o senhor publicou no site da Diocese Anglicana do Recife, tem um trecho que o senhor diz que achou o filme ‘O Bem Amado’ mais interessante do que o programa eleitoral...
ROBINSON CAVALCANTI – Eu estou ironizando, não é? Quer dizer, na verdade, o programa eleitoral é uma coisa positiva, porque em um país que se você não tiver dinheiro, você não aparece, há um programa gratuito. Apesar de ser questionável no Brasil essa questão de tempo por representação parlamentar porque, de certa forma, consolida quem está aí, quem fica e quem avança. Mas, você tem tido um critério por parte dos partidos, na seleção das imagens, na seleção das mensagens, e tem muita coisa pitoresca e às vezes chocantes e esdrúxulas, principalmente nas candidaturas aos cargos legislativos. No caso do cargo de presidente, é que não havendo no Brasil uma candidatura de oposição ao sistema, ao modelo de macroeconomia, de política, pois o modelo de FHC-Lula é defendido pelos três principais candidatos. Isso faz com que o debate seja não-motivante, então foi mais gratificante, para mim, estar assistindo o filme do que o horário político. Foi um pouco de ironia que eu fiz.

JORNAL EXTRA – Esse personagem, Odorico Paraguassu, representa uma prática política comum no Brasil...
ROBINSON CAVALCANTI – Essencialmente nas pequenas cidades do interior. Eu me criei em uma pequena cidade do interior das Alagoas, que foi devastada pelas enchentes, União dos Palmares. Então, eu passei parte da minha vida no Vale do Mundaú, por ali, e participava da vida política na região. E eu viajo muito pelo interior. A política no interior não é muito diferente do que a mídia, principalmente, cada cidade do interior tem duas rádios, que pertence aos grupos políticos. Quem não pende para nenhum dos lados, não tem acesso à comunicação. E há aquela rede de amizades, parentescos, padrinhos, na política. Entre o filme e a política não há muita diferença. No filme, é mais caricato, mas é uma realidade. No interior, nas periferias das grandes cidades, que é o chamado clientelismo de asfalto.

JORNAL EXTRA – Na década de 1970, o senhor escreveu o polêmico livro ‘Uma bênção chamada sexo’.
ROBINSON CAVALCANTI – Eu lancei alguns livros na área política, como A Utopia Possível, A Igreja, o País e o Mundo, são livros na área política. Eu lancei alguns na área ética e social, como Reforçando as Trincheiras, que aborda a questão do homossexualismo. Mas, em 1976, eu lancei o primeiro livro escrito por um teólogo evangélico sobre sexualidade. Na década de 1990, eu lancei Libertação e Sexualidade. ‘Uma bênção chamada sexo’ vendeu acho que dez edições, um livro muito vendido em língua portuguesa pelo pioneirismo de tentar fazer um estudo interdisciplinar, com um olhar teológico, com antropologia. Foi, basicamente, um desafio que eu tive, enquanto assessor do Movimento Universitário, e mais uma vez eu escrevo desafiado. Eu fui desafiado pelos jovens, que na época não tinham literatura nenhuma. Isso foi o que fez que eu pesquisasse e lançasse esse livro, na época.

JORNAL EXTRA – E, assim, é interessante, pois normalmente, no contexto religioso, o sexo é visto como “pecado”, mas o senhor o define como “bênção”...
ROBINSON CAVALCANTI – É. Na verdade, o que eu procuro mostrar é que o Brasil teve várias mudanças. E, quando os protestantes chegam aqui, encontrando o celibato compulsório da Igreja Católica Romana, a valorização da Virgindade Eterna de Maria, a relação de santo como alguém que resistiu bravamente à sexualidade, induz na cultura um sentimento de culpa com a sexualidade. E na Reforma Protestante, esse foi um tema tomado por Lutero e outros setores neopuritanos, que depois veio a ter uma recaída medieval, nós sabemos isso hoje. Mas a Reforma foi muito forte em afirmar a valorização da sexualidade e dizer que o ser humano é ambíguo e plural. Seja na política, na moral, ou nas relações sexuais, ele é capaz de fazer coisas boas ou coisas más. Você pode ter um estupro, que é uma coisa má, mas não a sexualidade em si. A sexualidade em si é uma coisa positiva. Você pode fazer um elo com um automóvel. Se eu atropelo alguém, o carro não tem culpa. Sou eu, que estou na direção. Eu trabalhei com essa filosofia. E, ainda é um problema. Eu digo que a maior dificuldade da igreja em lidar com a questão da homossexualidade é devido a essa conduta secular que hipervalorizou a questão da heterossexualidade. E eu creio que fiz a minha parte, ao escrever os dois livros, eu fiz artigos, palestras, mas ainda é um tema irresolvido.

JORNAL EXTRA – O senhor tem outros projetos próximos de lançamentos de livros?
ROBINSON CAVALCANTI – Veja bem. Eu, quando assumi o episcopado, há 13 anos, eu estava me aposentando da universidade com uma pretensão mais de escrever e alguns projetos, seria uma espécie de memórias, além de escrever um livro sobre a origem de usos e costumes da igreja protestante, mas o episcopado é muito desgastante em termo de trabalho. Nesse período, a gente reeditou A Utopia Possível, reeditou Cristianismo e Política, reeditamos A Igreja, o País e o Mundo, um livro sobre anglicanismo que está na segunda edição. Relançamos outros dois livros em um volume só, Igreja Comportamento Liberdade e Renovação Histórica. Fizemos um livro sobre a homossexualidade, que foi Reforçando as trincheiras. Então, no momento, tenho escrito para revistas, dando entrevistas. Mas estou, nesse momento, sem um projeto, o último trabalho que foi feito foi um livro sobre o anglicanismo, que foi lançado há um ano.

JORNAL EXTRA – E sobre a questão da Missão Integral. Como está o sonho?
ROBINSON CAVALCANTI – Eu creio que ele continua vivo. Agora, especialmente, nós estamos trabalhando na criação de uma entidade, aglutinadora dos evangélicos no Brasil. Possivelmente será Aliança dos Cristãos Evangélicos no Brasil, que deverá estar sendo fundada em novembro. Quem tem liderado esse processo são figuras como Ariovaldo Ramos, Valdir Steunergaeul, são pessoas comprometidas. Ou seja, embora você tenha um mundo pentecostal, neopentecostal, fundamentalista, mas há um setor pensante, existem lideranças mais jovens, que mantém acesa essa coisa da Aliança Universitária, e agora essa entidade está sendo criada a visão de uma Missão Integral e não uma visão setorizada, eu vejo que a proposta tem sido da formação de uma identidade. Estaremos em novembro em São Paulo, dia 30, estaremos fundando essa entidade, com essa proposta.

JORNAL EXTRA – Escrever é uma atividade provocativa?
ROBINSON CAVALCANTI – Eu acho que escrever é uma vocação. Tem que ser vocacionado. Como há muitas vocações. Uma vocação tem de ser trabalhada. Eu não teria crescido nessa vocação se não tivesse, ao longo da minha vida, excelentes professores de Português, e a minha grande escola foi quando, durante dez anos, escrevi a coluna evangélica do Jornal do Commercio, exposta a um público maior, tanto em estilo quanto em clareza. Foi minha grande escola. Obviamente que quem escreve se expõe. Se posiciona. Isso faz com que hajam pessoas que concordem e pessoas que discordem de você, obviamente. Mas eu creio que o papel de escrever é informativo, mas, como você bem chamou, ele também é provocativo à reflexão. Eu acho que isso é objetivo do escritor: pensar e levar os outros a pensar também.

Publicada na edição 342 do Jornal Extra de Pernambuco.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entrevista com Paul Freston

ESTRUTURA POLÍTICA
Paul Freston é professor na Wilfrild Laurier University, em Ontário, Canadá. O catedrático e escritor revela a lógica injusta pertencente ao sistema brasileiro, promovendo uma reflexão sobre as falhas da democracia e propõe os passos para a transformação

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JORNAL EXTRA Costumeiramente, o ambiente político é marcado por denúncias e casos de corrupção, envolvendo integrantes das mais variadas legendas. Esses casos levantam questionamentos sobre devassidão impregnada na política brasileira. Esse é um problema sistêmico?
PAUL FRESTON Corrupção é sempre uma mistura de fatores.  É uma mistura de fatores de sistema e de pessoas também. Questões culturais e fatores individuais. De um lado, podemos dizer que corrupção é universal. Não existe sistema político no mundo que não tenha algum grau de corrupção. Por outro lado, há, evidentemente, diferenças de nível. Podemos dizer que existem alguns sistemas de outros países que são mais amenos com a corrupção do que outros. Há países que modificam algo para combater a corrupção e outros que ela piora sensivelmente. Pelo que eu sei, me parece que há uma conjunção desses fatores e por isso não se pode combater a corrupção apenas em um nível sistêmico nem apenas em um nível individual.

JORNAL EXTRA Qual seria a melhor forma de combater a corrupção?
PAUL FRESTON Combater por completo é quase impossível. Vencer corrupção, não se vence. Apenas se diminui, se enfraquece. No nível sistêmico, um fator muito importante é a probabilidade de ser punido. Isso tem um efeito grande. Têm sido feito estudos nessa área, sobre a questão da impunidade. Isso entra até mesmo no nível cultural. Tem muitos fatores, como a formação do povo, que também influi nesse entendimento. É preciso rigor para se aplicar regras. Quem se envolve com corrupção deve ser punido.
Portanto, deve ser feita uma abordagem sistemática. Quando o sistema é percebido como fundamentalmente justo, quem o burla se torna mal visto. Mas se o sistema é visto como fundamentalmente injusto, burlá-lo vira virtude, é uma coisa tolerada.

JORNAL EXTRA Em um sistema injusto, como um político pode conseguir levantar a bandeira da ética?
PAUL FRESTON A bandeira da ética precisa claramente ter um alvo duplo. Tem de ter um alvo de formação ética individual, esse é um nível, mas não vai bastar. Também precisa ser levantada de forma estrutural. As duas coisas têm de ser vistas em conjunto.

JORNAL EXTRA O senhor é inglês naturalizado brasileiro. Quando comparado o sistema político brasileiro com o parlamentarismo monárquico da Inglaterra, em qual o senhor percebe o solo mais fértil para a corrupção? Por quê?
PAUL FRESTON A gente tem a mania de achar que certas coisas são únicas. O brasileiro gosta de pensar que saudade e jeitinho só existem no Brasil (risos). Isso é bobagem, obviamente. Então, é claro que neste país há uma certa acentuação, porém duvidar que em outros países exista o jeitinho é ingenuidade. Agora, o que pode mudar de um país para outro ou mudar dentro do mesmo país de um momento para outro é o grau de tolerância com relação à corrupção. O mesmo ato pode acontecer em diversos países, mas ser visto de forma diferente. Em alguns lugares, há uma alta tolerância, até louvável, ao extremo. Ou, pelo menos uma certa compreensão devido à natureza injusta do sistema.  Já em outros, o ato da corrupção se torna altamente injustificável, com pouca tolerância embora exista a corrupção. Posso colocar o Brasil como um país de tolerância alta, onde esse tipo de coisa é visto como bastante justificável, diante de um sistema que é injusto ou, pelo menos, imediatista. Há também sistemas que são complicados demais, que dificultam demais a vida. Por isso, se tolera o jeitinho para navegar a distância entre as leis e a realidade, pois a vida tem de ser vivível, tem de fluir. Há uma certa distância entre as leis e a realidade. A aceitação do jeitinho como algo tolerante continua muito forte.
Eu tenho a impressão que isso não mudou muito ainda. Quer dizer, reconheço que, nos últimos 20 anos, muitas coisas mudaram no Brasil, principalmente nos últimos dez anos, muitas coisas mudaram inclusive, para melhor, eu acho. A gente percebe quando vai ao exterior que a imagem que lá se tem do Brasil, hoje, é muito melhor do que era antigamente. Muito melhor. O Brasil é comentado, aumentou a visibilidade de forma positiva, no geral. A visibilidade internacional brasileira positiva é um lado da realidade que deve ser levado em conta. Por outro lado, há a realidade cotidiana que ainda se deixa a desejar. Eu acho que a aceitação do jeitinho como algo que tem de existir, se não a vida fica impossível não mudou muito, isso ainda continua. O mero desenvolvimento econômico e projeção geopolítica não muda tudo, completamente. Essas são coisas insuficientes para mudar esse cenário. É bem verdade que, em certos aspectos, o desenvolvimento econômico favorece o enfraquecimento da corrupção. Por outro lado, não há uma co-relação exata entre grau de desenvolvimento e corrupção, sempre há outros elementos, como o sistema político e cultural.

JORNAL EXTRA No seu livro Religião e política, sim; Igreja e Estado, não (Editora Ultimato), o senhor afirma que a visão cristã do Estado é que o Estado não deve ser cristão’”. O que isso significa?
PAUL FRESTON Não estamos numa situação do Velho Testamento, como não estamos numa teocracia ainda. O cristianismo nasceu com outra visão com relação a fé e o Estado. A fé e o território. Fé e bens. Ou seja, toda relação de poder vem com território, mas no cristianismo é diferente. O problema é que se esquece disso, ao longo da história do Cristianismo. Por boa parte da história, o Cristianismo voltou a ter essa relação com poder e território. Um conceito totalmente confessional. A visão cristã do Estado é que o Estado não se posiciona nesse sentido, defendendo uma determinada confissão. Existem pessoas que se assustam com isso. Acham um absurdo, mas se pensar direitinho vai perceber que não. Quem sofre mais quando o estado se outorga uma identidade cristã? São os dissidentes da própria religião professada pelo Estado. Os cristãos que não concordam com o tipo de Cristianismo professado pelo estado são as primeiras vítimas daquele estado. Os evangélicos, por exemplo, chegaram ao Brasil com uma crítica a relação que o Catolicismo tinha com o Estado, primeiro no Império. Depois, mesmo na República, sem ainda uma religião oficial, mas digamos que oficiosa, continuavam reclamando disso, pois percebíamos contradições com a nossa própria história. Os evangélicos devem ser os maiores defensores que o Estado não-confecional. Assim sendo, o Estado tem de ser para evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas e por aí vai... O Estado precisa conceder os mesmos direitos às religiões. O Estado não deve ser cristão, a Igreja tem de ser cristã.

JORNAL EXTRA O senhor acredita que a participação da sociedade civil nas decisões políticas pode melhorar a conjuntura política? Porém, como estimular essa participação? Métodos como plebiscitos, Audiências Públicas e Orçamentos Participativos são ferramentas viáveis para o engajamento social?
PAUL FRESTON Na teoria isso seria bom. Mas, inevitavelmente, em um país complexo de 190 milhões de pessoas não dá para se ter uma democracia verdadeiramente participativa. Isso é ilusão. O máximo que se pode ter é uma democracia representativa. Essa democracia representativa pode ter mais a capacidade de captar e traduzir os anseios populares, através de uma série de mecanismos. As tentativas de Orçamentos Participativos refletem isso. Mas, de certa forma, é uma linha errada.
A Suíça é um país que procura muito ter uma democracia participativa. É muito fácil pedir um plebiscito sobre uma série de coisas. No fim do ano passado, houve um plebiscito muito substantivo na Suíça, sobre a construção de minaretes, aquelas torres que ficam em cima das mesquitas. É muito fácil, basta apenas juntar um número máximo de assinaturas que se consegue um plebiscito federal sobre equívocos, e o povo vai às urnas votar apenas aquela questão. Volta e meia na Suíça, o povo está votando em alguma coisa. Isso tem grandes méritos, mas por outro lado tem equívocos também. Por exemplo, inesperadamente a votação deu a favor de uma proibição, que pode ser notada como um atentado à liberdade religiosa. Mas é a vontade da maioria da população. Muito embora a maioria dos partidos políticos, principalmente os do governo, e até o Conselho dos bispos católicos e das igrejas protestantes também eram contra a proibição. Muitos órgãos da mídia também eram contra. No entanto, a proposta venceu. E agora vamos ver as consequências que isso vai ter. Nem sempre ouvir o povo nos levar a realizar as coisas no sentido que a gente espera. A democracia entendida apenas como vontade da maioria, às vezes desemboca em resultados que atentam à liberdade democrática. Sou a favor da democracia participativa, mas temos que entender que nem sempre essa nos traz os resultados que esperamos.

Entrevista publicada na edição 313 do Jornal Extra de Pernambuco.

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